BAR BERTO EM GÊNOVA!

Mal cheguei em Gênova, já instalado no Beco Fechado dos Heróis (Vico Chiuso Degli Eroi), ouço em uma pracinha característica do centro histórico duas pessoas conversando alto, naquele cantado bonito da língua italiana.

Me chamava atenção a animação deles, gesticulando muito, fazendo chuchuquinha com a mão para baixo e para cima e dizendo a toda hora “prego”.

Eu já ia passando quando tive de parar, porque um deles falava a toda hora o nome “Berto”.

Imaginei que se tratasse de uma palavra qualquer, não de um nome próprio, mas resolvi dar uma parada e ouvir o que eles conversavam.

Para minha surpresa um deles falou qualquer coisa como:

– È un omaggio all’autore del Romanzo Della Balestra Fubana.

Meu “piccolo” italiano não acreditou no que meus ouvidos e olhos ouviam! Entendi que falavam que “é uma homenagem ao autor do Romance da Besta Fubana”, enquanto um deles apontava, na praça, em direção a umas mesas colocadas ao ar livre cobertas por toldos.

Olhei para onde eles apontavam e meu espanto foi total! Eles falavam do “Bar Berto”! Escrito assim mesmo.

Entendi que o livro genial do editor do Jornal da Besta Fubana não só ultrapassara as fronteiras da América, atravessara o Oceano Atlântico e invadira a Europa, como fincara o nome do autor no coração da Itália e dos italianos!

Fui para o Bar Berto, sentei-me, pedi uma cerveja e pedi ao garçom para me falar alguma coisa sobre o nome do estabelecimento.

Ele me contou que abriu o Bar Berto em 2004 e colocou o nome logo depois de ler o Romance da Besta Fubana, de Luiz Berto.

Em 22 de julho de 2017 ele criou o prêmio único da literatura mundial, ele mesmo elegeu Berto como O Bicho, e preparou um diploma a ser assinado por ele, dono do Bar Berto, e pelo ex-presidente Lula, a ser entregue ao autor da obra.

Porém, Lula foi preso e o dono do bar está aguardando sua soltura para ir pessoalmente ao Brasil para colher a assinatura.

Resta saber – disse-me ele – se Berto aceitará que o diploma seja assinado pelo ex-presidente (e pediu-me que eu sondasse isso).

Bem, para concluir devo esclarecer que, na verdade, meu conhecimento de italiano é mais que piccolo, é piccolíssimo, e pode ser que eu tenha entendido tudo errado e o que o dono do bar e os dois italianos falavam não era nada disso, podiam estar apenas comentando uma partida de futebol e o dono do restaurante simplesmente esclarecendo sobre o prato do dia (comi uma pasta ao molho de cogumelos).

Mas compreendi, perfeitamente, que ele disse que ama Lula.

Seria o próprio, ou o crustáceo? Tinha lula no cardápio!

As dúvidas persistem. Preciso com urgência melhorar meu italiano.

21 pensou em “BAR BERTO EM GÊNOVA!

  1. Só faltava essa…

    Lá em Palmares fundaram o Bar da Besta Fubana.

    Agora, o desmantelo fica completo em Gênova.

    E esse enredo que tu inventou com o nome do bar tá mais criativo que o do Romance.

    Vôte!!!

    Quanto ao diploma a ser assinado por Lula, eu receberei com muito prazer.

    Daqui a algumas décadas quando ele cumprir a totalidade da sua pena.

  2. Concordo com o editor. Só o letreiro e verdadeiro. O resto é invencionice do goiano. A única certeza é que o Lula tá preso babaca.
    Nem sei se o cara da cerveja do goiano..kkll

  3. Tá vendo Goiano? Gostei. Bem bolado.
    Fico matutando aqui: como uma pessoa que domina a escrita; sabe criar e narrar com maestria; dana-se pro lado escuro da política?

      • Sou fã do Goiano, um cara que mora em Pariscida do Norte, no Vale do Paraíba, mas que sonha com Paris. Como ninguém é perfeito, o Goiano possui o péssimo hábito de amar o vermelho pt. Mas o que seria do mundo se todos gostassem do amarelo Brasil? O que é de gosto é regalo da vida, como diria minha inesquecível vovozinha…

        • Sancho, Dom Miguel de Cervantes Saavedra talvez comparasse hoje Jair Bolsonaro a Dom Quixote, lutando contra moinhos de ventos (talvez querendo ensacá-los…).

          • Mas quem é a ensacadora de vento é a puta velha, chamada de dilmanta. Tão ladra quanto o pulha, o cappo de tutti cappi, o nove dedos, o lularápio, o pustula, o sem caráter, o obtuso, o ser do inferno, o teu deus, luladrão.

  4. Assim como tudo que sobe um dia desce, Paulo, o que hoje está mal amanhã estará melhor, ou pior, sendo que o que desce também pode subir ou parar no meio.

  5. Ah! Até sendo já quase senil consegui captar a metáfora entre Chico e Luiz Berto e assinatura de diplomas.
    Deus queira que além-mar apreciem e homenageiem a boa literatura.
    Belo texto o seu!

    • Obrigado, Saniasin. Afora a sacanagem política, o Romance da Besta Fubana é um dos livros que li com mais prazer na minha vida – e espero que Berto não só seja diplomado como tenha orgulho e prazer de receber nele, no diploma, não no Berto, a sua, digo, dele, não tua, de ti, mas de Lula, assinatura.

  6. Migliorare il tuo italiano è una questione che non voglio sbagliare, ma ti avverto di prenderti cura della tua salute, le metastasi sono già iniziate.

  7. Louis Ciffer, talvez consigas driblar a delicadeza, escrevendo em italiano, mas não poderás ocultar de ti mesmo tua própria natureza diabólica.

  8. Num é pussive!!! Ô ômi disassuntado, tu!!! E aindjia tira um retrato, bebêno uma celvêja nin Gênova!!! Tome tino!!!kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!! Om importante da vida é aproveitar mesmo!!! Curta aí e tome uma por mim!!!

  9. Maurino, nesse momento aí tô tomano uma celva, porque é uma das minhas bebidas preferidas… melhor dizendo, é a preferida. Fica páreo duro com o vinho, mas posso desempatar. Cerveja com coisas mais leves, vinho com as refeições. E, falando em vinho, estou tendo uma surpresa interessante que não tivera em outras passagens minhas pela Itália: o vinho italiano está excelente!
    Aproveitei o incentivo para tomar duas, uma por ti e outra por mi y por ellas.

    • Agora aí tá certo, embora eu prefira as cervejas inglesas e irlandesas; As belgas e holandesas também!!! Cerveja pra mim tem que ter teor acima de 7%. Abaixo disso é água!!!hehehehehehehehehehehehe!!!

      • Carái, sô, tomei na França cervejas francesas, belgas, inglesas e holandesas, dentre outras (até chinesa!), com até 13%! De latão!
        Hoje tomei uma Martens, belga, de 3,5% – e o pior é que eu aprecio as fraquinhas, suavinhas, aguadinhas também. Difícil eu achar uma cerveja ruim. Devo ter um paladar meio grosseiro rsrsrs. Se somar todas as marca que já bebi na Europa, contando todos os anos que morei aqui, pode botar mais de duzentas. Vinhos, a mesma coisa. Dificilmente repito, só quando acho muito bom ou boa. Em geral refugo as marcas manjadas, tipo Heineken, Stela Artois, Budweiser… deixo para tomar no Brasil. Também nem tchum para vinho branco e rosé, a não ser quando é dado.

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