CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Por causa de atraso econômico do Brasil, o sistema financeiro passou por várias tendências para também sair do retardo. Até 1960, paulatinamente, os bancos implantaram reformas. Para dar suporte ao desenvolvimento econômico do país e gerir os efeitos maléficos da inflação, a Reforma Bancária de 1964 criou o Banco Central para substituir a antiga Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC) que exercia fraco controle na política monetária.

Nos anos 80, o país atravessou mais uma etapa recessiva. Aliás, a América Latina vivia balançada por tremendas crises financeiras. O Brasil não era exceção. As dívidas externas avolumaram, os déficits fiscais agigantaram-se. A consequência natural foi o mercado financeiro fragilizar.

As incertezas decorrentes das flutuações de mercado, fruto das variações inflacionária e cambial, produziram um sobe e desce constante dos ativos. Uma hora os ativos valorizavam-se, noutra o preço caia, repentinamente.

Embora o preço das matérias primas permanecesse baixo, a taxa de juros nos países industrializados abriu a porteira para a fuga de capitais. As mudanças momentâneas provocavam sérias consequências. A taxa de câmbio caía, ao contrário da taxa de juros da dívida pública, que explodia.

A reação foi desastrosa para os países afetadas pelas alterações, principalmente por causa da excessiva burocracia. Como perdeu capacidade na competição de produtos importados, a indústria brasileira sentiu o peso e implodiu.

Incluído no desastre, e devido ao aperto para pagar suas obrigações, o Brasil entrou na dança do enforcamento. Então, para escapar do sufoco, e sem aliviar os enormes déficits fiscais, adotou uma fase austeridade que pegou a população de calça curta. Indefesa.

Como nada dava certo na economia, o crescimento econômico não vingava e o desenvolvimento emperrava, aí a hiperinflação deitou e rolou. Fez o diabo. Apertou até enquanto pode. Nem os congelamentos seguraram a barra. Os insucessos serviram para classificar a década de 80 com a “Década Perdida”.

Os contrastes econômicos e sociais começaram a efervescer. Por causa da concentração de renda, a qualidade de vida da população declinou. Por falta de investimentos, a maioria do povo brasileiro foi riscada dos serviços básicos, como educação, saúde, saneamento e moradia. A saída para reverter a terrível situação foi fortalecer os sindicatos, as associações científicas e comunitárias, a criação de novos meios políticos nas ONGS.

Até 1964, os bancos eram pequenos, com exceção do Banco do Brasil, gigante que dominava as operações em 40% do mercado financeiro. Por conta do tamanho financeiro, os bancos emprestavam pouco dinheiro, geralmente a curto prazo. O forte da documentação empregada na época se restringia praticamente às Notas Promissórias e as Letras de Câmbio. Até certo ponto, o golpe militar de 1964 ajudou os bancos a se modernizar. Com o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional (CMN) que expedia normas e diretrizes, o Sistema Bancário tomou outro rumo.

A partir de 1970, surgiram os conglomerados, cujo controle pertencia aos grandes bancos comerciais. Em seguida, em 1975, apareceu a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com a missão de regulamentar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários do pais. Em 1979, surgiu o Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) com o propósito de administrar as operações com títulos públicos.

Foi justamente em função dessa saraivada de desastres que o sistema bancário brasileiro resolveu inovar. Penetrar em nova estrutura. O início das mudanças aconteceu com o processo de fusões e aquisições. Os bancos menores foram comprados pelos maiores. Os bancos estaduais entraram na dança da privatização, fazendo desaparecer muitos gigantes pertencentes aos Estados, a exemplo do Banespa, Banerj, Bandepe e outros.

Um detalhe ficou evidente no sistema bancário. O capital bancário adotava uma estrutura bem diferente da atual. A partir de 1964, o sistema começou a se internacionalizar, potências bancárias estrangeiras surgiram no mercado, introduzindo inovações. Desemprego, terceirização no setor e profundas alterações na área tecnológica, nos serviços e sistema de atendimento ao cliente, foram as principais novidades no setor.

Em seguida apareceram os primeiros sinais de automação. Os caixas se transformaram em baterias de caixas, foram introduzidas as centrais de atendimento, pintou os primeiros caixas eletrônicos, conhecidos como ATMs, oriundos do inglês Automated Teller Machine, que começaram a diminuir o tamanho das estressantes filas nos bancos.

Em 2012, foi a vez da Febraban-Federação Brasileira de Bancos dar o ar de sua graça. Aparecer com o objetivo de representar os bancos na praça. A sede da entidade fica em São Paulo.

Foi graças a essas reformas que o sistema bancário brasileiro cresceu e se reorganizou. O Plano Real, implantado em 1994, deu aquela forcinha para a reestruturação bancária nacional. As instituições mais fracas não resistiram ao impacto e desapareceram. Cederam espaços para os maiorais.

O maior ativo do banco comercial, independente de reformas, são os empréstimos. Tendo os depósitos como uma das principais fontes de recursos. As operações cambias fortalecem as fontes de recursos.

Além de passar por várias fases de reestruturação o sistema bancário brasileiro tem competência para disputar vaga no mercado de capitais. Atualmente, para se destacar na oferta de produtos financeiros e de serviços bancários, as instituições financeiras se esmeram na tecnologia da automação dos serviços.

Com vistas a obter queda de custos com produtividade, bons resultados na recepção de recursos internacionais, os bancos digitais brasileiros ampliam o leque de opções para os clientes. A oferta de serviços por meio digital permite que o ciente abra conta, saque, pague boleto, faça aplicações financeiras ou tire empréstimos no maior conforto possível. Sem contar com a presença do gerente. Se for o caso, a clientela realiza até operações de maneira remota.

O lado negativo da história bancária brasileira é a concentração do mercado ficar sob o domínio de apenas 5 instituições gigantescas, destinadas a atender somente as grandes empresas. Tirar dos pobres e das pequenas empresas a opção de conseguir empréstimos a juros baratos. Cobrar juros e tarifas bancárias altíssimas para lascar mais ainda os clientes piabas que, apesar de ser maioria no cenário brasileiro, é fichinha. Não tem vez.

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