BALANÇO

A cada final de ano a gente faz um balanço do que fizemos, do que deixamos de fazer, do que pretendemos fazer no ano seguinte. As empresas levantam sua situação contábil, apuram resultados. O governo, em qualquer esfera, justifica suas ações e é sobre a questão econômica que vou me propor a falar.

A proposta econômica de Paulo Guedes era, de longe, a que mais representava os anseios de mercado porque ia de encontro ao aumento do estado na economia conforme se via no programa do PT, por exemplo. Paulo Guedes disse que pretendia reduzir o déficit com privatizações e com concessões e só não fez mais porque o STF não permitiu. Repare que isso é uma mudança significativa de procedimentos porque os candidatos diziam “precisamos reduzir o déficit” e nunca diziam como iriam fazer isso. “Precisamos gerar 2 milhões de empregos”. Lógico que precisamos bem mais do que isso, mas nunca ninguém apresentou uma proposta concisa, específica. Ninguém nunca apresentou um plano. Paulo Guedes o fez.

Já em outubro de 2018, com a perspectiva de vitória de Bolsonaro, a Bolsa de Valores reagiu positivamente, o dólar aquietou-se e no dia 02/10/2019, o discurso de posse de Guedes foi a sinalização que o mercado precisava. A Bolsa começou a se mover na direção dos 100 mil pontos. Ao longo do ano várias coisas mereceram destaques:

1) A reforma da previdência foi aprovada embora num tamanho menor do que previsto. No meu entender trata-se de uma reforma paliativa porque daqui a 5 anos nós vamos começar uma nova discussão sobre isso. O problema da previdência é o modelo de repartição que não atende, de modo que acho que capitalizar deveria entrar na pauta das discussões.

2) O governo liberou importação de 1.168 produtos dentre os quais equipamentos para saúde e informática e remédios para câncer e AIDS. Isso vai reduzir os custos com os tratamentos no SUS;

3) O governo reduziu a depósito compulsório de 33% para 31%, injetando R$ 20 bilhões na economia. Isso foi interessante porque não precisa de aprovação do congresso, sem pedaladas, só permitindo que os bancos fiquem com mais dinheiro e com isso aumentem a oferta de crédito;

4) Redução da taxa básica, SELIC, para 4,5% ao ano levando os juros reais (descontado a inflação) para 2% ao ano. Obviamente que isso tem consequência na taxa de inflação, pois com juros nesse patamar busca-se consumo ou compras de ativos reais;

5) A pressão no dólar teve como motivos, dentre outros, o volume de importação de carnes feito pela China que fez subir o preço do produto internamente. Eu já falei em diversos momentos que as exportações seriam o caminho mais sólido da retomada do crescimento porque o consumo precisava de renda, o investimento enfrentava taxa de juros alta e desemprego catastrófico e os gastos do governo estão tabelado uma por PEC e o governo tinha um déficit previsto de R$ 139 bilhões.

6) O emprego tem dado sinais de recuperação, de modo que em 2019 foram gerados mais de 950 mil empregos novos, com carteira assinada.

Isso posto vem alguns comentários principalmente em relação aos postos de trabalho. Cada vez que o governo divulga que houve aumento de empregos, a turma que torce pela desgraça diz que se trata de empregos informais. A limitação de raciocínio desse pessoal é tão grande que nem consideram que os dados do CAGED são de empregos formais. De outro modo, o que a economia precisa é de empregabilidade. O cara receber renda é mais importante do que receber seguro desemprego.

Agora, o esforço dos esquerdopatas em torcer contra o país é algo notório. Esta semana o Banco Central encaminhou um projeto para regulamentar a insolvência bancária. Quando o Plano Real foi implantado em 1994, vários bancos tiveram problemas de liquidez e FHC criou um programa, PROER, destinando FR 17 bilhões do Tesouro Nacional para que outros bancos comprassem os bancos em liquidação extrajudicial. Eles adquiriam a parte boa e a parte ruim (créditos em liquidação) deveriam ser recuperadas pelo Banco Central e o passivo pago com recursos dos acionistas. Eu conheço vários bancos que quebraram e não conheço um acionista que ficou na miséria por conta disso. O Banco Pan-Americano, de Sílvio Santos, foi adquirido pela CEF numa operação até hoje não explicada.

A proposta atual do Banco Central é usar recursos do Tesouro, em casos de CRISES SEVERAS e SOMENTE DEPOIS de ter usado os bens dos acionistas, dos investidores subordinados e dos fundos de recuperação.

Bastou essa proposta para que os esquerdopatas publicassem o lucro dos bancos mostrando que a exorbitância e enfatizando que os desempregados não tinham o mesmo tratamento. Isso tem um nome: doença mental. Diante das críticas eu entendi que ninguém lê quaisquer normativos. As pessoas olham a manchete publicada na Folha de São Paulo e repassam com seus comentários.

Nesse contexto, cabe resgatar a critica que o Financial Time fez aos números de crescimento da economia divulgados pelo IBGE. O Ministério da Economia encontrou um erro em dois meses seguidos na balança comercial. Era R$ 20 bilhões e foi registrado R$ 18 bilhões; era R$ 13 bilhões e foi registrado R$ 9 bilhões. Ora, se registramos menos do que deveríamos, significa que o saldo da balança comercial deverá ser maior em, pelo menos, R$ 6 bilhões. Isso pode ser melhor do que a gente esperava e não pior. Mas, vamos aguardar o mês de março quando o governo vai ajustar as contas. O fato é que muita gente chamou esse erro de manipulação de dados e, nas redes sociais, eu comentei que o IBGE já comentou outros erros em 2007, 2012 e 2017, mas as pessoas foram taxativas: “prefiro acreditar no Financial Times”.

Agora, o mesmo jornal coloca Sérgio Moro, o único brasileiro, numa relação das pessoas mais influentes da década. Cadê aqueles que disseram que preferem acreditar no FT? Silêncio absoluto. Nenhuma palavra, simplesmente porque não há o que dizer.

Dessa forma, como economista, eu entendo que a economia brasileira está apresentando um resultado além do esperado e que se o mês de janeiro continuar com os indicativos atuais, a gente tem tudo para crescer mais de entre 2 e 2,5% em 2020. Que seja assim. Destruir uma estrutura é extremamente fácil. Reconstruir é sempre mais doloroso. Feliz 2020, a todos vocês os fubânicos, no nosso nobre Editodos e sua família.

4 pensou em “BALANÇO

  1. Caríssimo professor Maurício Assuero:

    Feliz 2020 para o nobre colunista e família, com todas as realizações obstadas nos governos petistas. Portanto: sucesso!

    “BALANÇO” é uma análise otimista da economia no momento, estagnada e corrompida nos governos petistas, onde Lula pôs a funcionar a ORCRIM, roubando o País todo e Dilma estocando vento.

    Só vou acreditar no Brasil pleno economicamente quando houver uma privatização em massa, com o governo federal dando prioridade tão-somente à Educação, à saúde, à Segurança… o resto a iniciativa privada dá o norte, como o está fazendo nesse primeiro Natal 2019.

  2. Caro Mauricio Assuero, consciente balanço. Positivas explanações, cheias de dados sinceros. Sem falsos enfeites e arrumadinhos de meia tigela. Parabéns pela gabarito.. .

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