CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Quando feitas com planejamento, estrategicamente estruturado, toda mudança é válida, benéfica. Produz bons resultados. Dificilmente, um bom planejamento resulta em negativismo.

O que abriu os olhos para a aviação comercial foi o desenvolvimento da tecnologia. As guerras sempre causam comoção. A destruição, mortes e o sofrimento oriundo de conflitos, sempre impõem impactos.

A miséria herdada das batalhas e, sobretudo a pena sentida pelas vítimas, muitas vezes inocentes e indefesas aos combates, afligem o sentimento humano. Abrem a visão do homem, incentivam a criação de máquinas e equipamentos com o emprego de novas tecnologias.

Dentre as inovações do pós-guerra, aparecem o micro-ondas, o GPS, criado pela engenharia militar para decifrar a navegação via rádio, as câmeras digitais, os antibióticos em escala industrial, o serviço de ambulâncias, muito utilizado improvisadamente nos combates para o transporte de feridos, o computador e a sua amiguinha inseparável a internet, e, especialmente o controle do tráfego aéreo.

Foi durante a primeira guerra mundial que a aviação comercial surgiu. Os primeiros voos para o transporte de passageiros, correspondências e cargas aconteceram nos Estados Unidos. O incentivador foi a aviação militar.

No ano de 1914, aparecia o primeiro voo comercial no mundo. Foi no avião russo Ilya Muromets, que, transportando somente 16 passageiros a abordo, fazia um voo experimental, de demonstração. Em 1935, surgiu o DC-3, utilizando dois motores. Em 1948, vieram os aviões a jato comerciais, em substituição aos antigos motores a pistão.

No Brasil, a aviação comercial começou no ano de 1927. A pioneira empresa a transportar passageiros foi a Condor Syndicat. A primeira viagem regular de passageiros, foi registrada entre Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande.

A novidade foi o surgimento da Varig (Viação Aérea Rio-Grandense), em 1927, que absorveu a Condor. Em seguida, veio a Panair, a Vasp, Transbrasil e, posteriormente Cruzeiro do Sul, formando um verdadeiro oligopólio. Porém, todas extintas. Dois importantes segmentos valorizaram a aviação comercial no país. A extensão territorial do Brasil e a precariedade dos meios de transportes.

Na década de 90, desregulamentaram o serviço aéreo. Aí, veio a crise que provocou o desaparecimento de muitas importantes empresas comerciais brasileiras. No início da década seguinte, viajar de avião era um privilégio reservado apenas para homens ricos, de negócios e funcionários públicos. As passagens geralmente eram pagas por pessoas jurídicas, em função do luxo, do glamour e do alto preço das passagens.

Pela importância, devido a desregulamentação dos mercados domésticos, que desencadeou a liberdade tarifária, a partir e 2003, o serviço aéreo tem sofrido muitas modificações.

Entraram em cena vária inovações. Novos modelos organizacionais, tecnológicos e mercadológicos. Com isso, o serviço aéreo comercial brasileiro experimenta até certo ponto bom nível de crescimento.

Atualmente, o mercado doméstico brasileiro ocupa a terceira posição no mundo. Perde apenas para os Estados Unidos e a China. Embora algumas companhias nacionais registem prejuízos.

A demanda de passageiros domésticos tem aumentado. Em 2018, foram transportados 90,6 milhões. Em 2019, a projeção indica número superior a 96 milhões. Diversos fatores influenciam na expansão do mercado comercial aéreo nacional. O câmbio, o preço do combustível, o crescimento do PIB e a redução dos custos, que varia de acordo com a cotação do dólar.

As privatizações aeroportuárias, caso sejam bem conduzidas, são outro esquema a favorecer a aviação comercial brasileira. Na primeira levada de 2012, a transferência da concessão dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e de Brasília gratificou o governo com a quantia de US$ 14 bilhões.

Na segunda partida das concessões entraram na jogada os aeroportos de Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Florianópolis e Belo Horizonte.

Com a iniciativa privada, as perspectivas melhoram. Pelos menos, as condições de infraestrutura aeroportuárias e a capacidade de tráfego dos aeroportos tendem a se modernizar. Acompanhar a evolução dos tempos. Fora outros itens essenciais. Ao contrário do poder público. Devagar e sempre desatualizado na modernização do serviço do Estado prestado ao cidadão. Daí o atraso na aviação brasileira.

Foi o que de fato aconteceu com a viação comercial durante o tempo em que permaneceu sob os cuidados do poder público. Agonizava. Para comandar os destinos da Infraero, só nomeavam políticos incapazes, sem a mínima condição de interferir na escassez de infraestrutura que mantinha os aeroportos brasileiros, distantes da modernização. Só enfrentando problemas. Sem solucionar os impasses. Só empurrando os problemas para o futuro.

4 pensou em “AVIAÇÃO

  1. Ivan, havia quem dissesse que VARIG na verdade significava Vários Alemães Reunidos Iludindo os Gaúchos.

    Embora fosse uma empresa privada, gozava de inúmeras regalias do governo federal, e em sua administração havia tanto desperdício, ineficiência e cabides de emprego como nas piores repartições públicas. Na época não se podia falar isso abertamente, vivíamos uma ditadura e as ordens determinavam colocar a VARIG como “orgulho nacional”. Quando as regalias e privilégios acabaram, a VARIG quebrou.

    • Caro Marcelo realmente detonavam críticas sobre a Varig, inclusive essas, as piores, para uma empresa aérea, ineficiência e cabide de emprego.

  2. Carlos Ivan:

    Como bem o disse o grande colunista Marcelo Bertoluci, a VARG era uma espécia de Compesa daqui de Pernambuco: só é eficiente numa coisa: servir de cabide de empregos para família de políticos e de cargos comissionados para terceiros indicados por políticos para que possam influenciar politicamente em eleições futuras.

    Enfim: a nata da malandragem manda na Compesa, que tem 73% de sua água desviada para gato, rato, barata, escorpiões, carrapatos e percevejos; o resto que paga é a população honrada.

    No Brasil, enquanto a privatização não for radical em todos os setores onde o Estado é uma teta, quando acabar a matéria prima, o barco afunda!

  3. Caro Cícero é somente para o que as repartições públicas brasileiras. Empregar apadrinhados políticos, viver atolada em burocracia, prestar péssimos serviços à população,favorecer a corrupção. E nada mais.

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