CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Durante algumas décadas aconteceram muitos fatos positivos no Brasil. Na do ano 2000, o crescimento econômico deu sinal de vida. A atividade industrial efervesceu. Registrou expansão.

O PIB revigorou-se. O sistema financeiro experimentou bons momentos de liquidez. O café ganhou projeção na pauta de exportação do país, a ponto de a conquista causar ciumeira noutros concorrentes, especialmente os de fora.

Mas, no passado, a situação era lamentável. A classe média, os militares e os profissionais da iniciativa privada começaram a chamar atenção, fazendo exigências. Cobrar maior participação política e social.

Inconformada com a rápida ascensão das classes ditas populares, a burguesia, impaciente, sentindo-se menosprezada pelos governantes, reagiu. Também quis meter o bico na colher dos outros, cobrando a execução de regras e participação nas decisões sobre os gastos públicos.

O resultado, como era esperado, acabou gerando a Revolução de 30 que introduziu uma nova era no país. Impondo mudanças. A principal alteração centralizou-se na diversificação produtiva e na produção industrial.

O desejo de mudanças passava também pelas políticas fiscal, monetária, creditícia e cambial. O intuito era analisar os feitos ocorridos durante a recuperação da economia nacional, logo após a instalação do novo governo. Governo que chegou com o propósito de vencer a política anticíclica acontecida anteriormente.

Mas, o que o governo não contava era com a desvalorização cambial, a fuga de capitais, a contração do comércio internacional, a repentina redução da importação e a respectiva substituição de produtos estrangeiros pelos fabricados pela indústria nacional.

Fatores que acabaram repercutindo na redução da capacidade ociosa e importação de máquinas e equipamentos estrangeiros a preço barato.

Para animar o quadro econômico, entrou na parada a política monetária. A política monetária é um tipo de política econômica. Funciona com a mesma autoridade de outras políticas governamentais, porém executa objetivos específicos. Controla o dinheiro em circulação, as taxas de juros e do crédito do pais.

O objetivo é estabilizar e controlar o nível de preços, garantir a liquidez, manter o sistema econômico equilibrado e segurar a inflação. A finalidade da política monetária é travar ou expandir a economia no que diz respeito à produção, distribuição e consumo de bens e serviços, dentro dos padrões normais para evitar contratempos.

A fiscalização, que compete ao Banco Central, versa sobre três instrumentos. A taxa de juros no mercado de reservas bancárias, a taxa de redesconto e a administração das reservas compulsórias que envolvam os depósitos do sistema bancário.

Existem duas bases de política monetária à disposição de governos. A política rigorosa e a flexível. Contudo, o interesse é evitar a sobra de dinheiro em circulação, estimular os investimentos no setor privado.

Tá na cara. Juros altos diminuem o consumo, derrubam as vendas, desestimulam a produção, as empresas param de crescer. Puxa o desemprego pra cima. Obriga a economia a encolher.

Em 1996 foi criado o Copom-Comitê de Política Monetária. A finalidade é estabelecer e definir a taxa básica de juros. O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) é a taxa de juros adotada pelo Brasil para ser utilizada tanto nacional, quanto internacionalmente no mercado bancário para financiar operações com duração diária, tipo overnight.

Evidente que as operações são garantidas pelos títulos público federais. Como instrumento de política monetária, a Selic determina a taxa de juros cobrada pelos bancos no cheque especial. Controla a emissão, compra e venda de títulos.

Toda vez que o governo toma empréstimo no banco, paga juros estabelecidos pela média dos juros. Quando a Selic está alta, menos dinheiro circula na praça, os bancos preferem emprestar ao governo que paga bem e jamais se incomoda com os juros altos.

A Selic é um perfeito estimulador das aplicações em renda fixa, a poupança e CBDs. Todavia, quando a Selic está baixa é a vez do consumidor se endividar e garantir bons lucros bancários.

Outra diretriz da Selic é mediar a entrada de investimentos estrangeiros no país. O investidor externo quando investe em títulos brasileiros ganha bons rendimentos com os juros altos. E quando mais dólares entram no país, a cotação da moeda norte-americana tende a cair.

A cada 45 dias o Copom definição a nova taxa de juros. Cria a referência de juros para aplicações, empréstimos e financiamentos. Com a Selic, o governo acompanha o desempenho da economia.

Por ser um mediador econômico, a taxa Selic não deve permanecer muito tempo baixa. Por razões óbvias. Baixa, a taxa Selic produz efeitos contrários.

Abre linhas de crédito, estimula o consumo, eleva o preço da cesta básica, puxa inflação. Ora, juros baixos afeta o rendimento nas aplicações de renda fixa.

Então, ganhando menos, o investidor se desestimula e vai procurar melhores rendimentos em ouros países em outros países que pagam mais. Daí a preocupação o Banco Central em segurar uma taxa Selic tão baixa. Por muito tempo.

Ao longo dos anos dois mil, o Brasil passou por novidades. O principal enfoque da luta foi a retomada do desenvolvimento econômico. Preocupado com as desigualdades, o país passou a empregar dois tipos de políticas públicas. A política de investimentos e a política de renda. A finalidade era obter um tipo de crescimento econômico descentralizado.

A resposta veio rápida. De repente, antes obscura, a participação de regiões metropolitanas na riqueza nacional se destacou. Salvador, Fortaleza, Curitiba e Belo Horizonte cresceram no âmbito geral, enquanto São Paulo e Rio de Janeiro esfriaram um pouco na participação nacional.

A luta nos últimos vinte anos foi longa e cheia de altos e baixos. Se antes a dor de cabeça do país se fixava apenas, na dívida externa e na inflação, nestas duas décadas, a preocupação se expandiu.

Diversificou-se em vários outros campos. Atividade econômica, crédito e financiamento, inflação e preços[l1], contas públicas, emprego e distribuição de renda.

Alguns dados impressionam. Os investimentos pularam de US$ 4,4 bilhões em 1995 para US$ 62,5 bilhões em 2014. A dívida externa que em 2002 atingiu 41,8 do PIB, caiu para 15,9% em 2014. As reservas internacionais líquidas que em 1995 eram de US$ 51,8 bilhões, passaram para US$ 374,1 bilhões em 2014.

Em síntese, alguma coisa mudou de feição em 20 anos de história de Brasil.

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