HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

No sertão quando escurece
Tudo vira poesia
A noite fria adormece
Lambendo os restos do dia.
Um som de ave noturna
Reverbera numa furna
Como se fosse um agouro
Sobe um galo no poleiro
Cansando chega o roceiro
Puxando a corda de um touro

Assim que a tarde cochila
Toda a paz se perpetua
A noite ébria desfila
Beijando o rosto da lua.
Como quem faz um sermão
Um facheiro estende a mão
Pedindo chuva a Jesus
O sol já se amofinando
Apaga a tocha acenando
Escondendo a sua luz

A madrugada sedenta
Bebe gotículas de orvalho
A mãe da lua agourenta
Grita no ninho de um galho
Nos campos mais afastados
Casebres são clareados
Por tochas de vagalumes
As chananas já tão alvas
Se misturam com as malvas
Exalando os seus perfumes

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