AS BRASILEIRAS: Luiza Grimaldi

Luíza Grimaldi Correa nasceu em Portugal, em 1541. Fidalga real portuguesa da antiga Casa de Grimaldi, de descendencia italiana e segunda “capitoa” do Brasil. A primeira foi Brites de Albuquerque, da Capitania de Pernambuco. Casada com Vasco Fernandes Coutinho Filho, segundo donatário da Capitania do Espírito Santo, ficou viúva em 1589 e recebeu como herança a propriedade da Capitania, na época em que Portugal estava sob o dominio español.

Governou a Capitania até 1593, quando, por orden do Rei, o governo foi transferido para seu sobrino Francisco de Aguiar Coutinho. Na condição de terceira donatária, manteve a defesa da terra contra os indígenas e enfrentou o corsário inglês Thomas Cavendish, que já havia saqueado diversos povoados do litoral brasileiro, além de traficantes de escravos e açucar. Auxiliada pelo cunhado Miguel de Azeredo e numa aliança com o cacique Jupi-açu, conseguiu fortificar o povoado e enfrentar os invasores, que tentaram desembarcar ali em 1592.

Na construção dos Fortes de São Marcos e São Miguel, em Vitória, foi orientada pelo seu confessor e amigo Padre José de Anchieta, a quem ajudou na catequese do território capíxaba. Em seu governo, incentivou a vinda de religiosos beneditinos e franciscanos, os quais receberam como doação o Morro das Palmeiras, onde foi erguido o Convento da Penha, uma das joias da arquitetura religiosa colonial. Foi ela quem recepcionu o primeiro bispo do Ro de Janeiro, Dom Bartolomeu Simões Pereira. Foi Também uma grande incentivadora da imigração ao territorio capixaba de espanhóis, judeus, portugueses e colonos de outras capitanías.

Em 1593 retornou à Portugal, onde se recolheu no Convento Paraíso, em Évora e veio a falecer em 1626, aos 85 anos, com o nome Soror Luiza das Chagas. Na Europa, foi uma das pessoas que deporam no processo de beatificação do padre José de Anchieta. A escritora capixaba Bernadete Lyra, doutora em História, passou 4 anos pesquisando sobre sua vida em Espirito Santo e Portugal e escreveu o romance biográfico “A Capitoa”, publicado pela Editora Leya, em 2014. Com base nesta pesquisa, o escultor Hippólito Alves conseguiu esculpir a estátua da “Capitoa” (foto acima), inaugurada em 23/5/2016 e localizada em frente a Casa da Memória, em Vila Velha, no exato local onde nasceu o Estado do Espírito Santo. Na escultura ela aprecia a vista do Convento da Penha.

5 pensou em “AS BRASILEIRAS: Luiza Grimaldi

  1. Um amigo, aprendiz de historiador, me perguntou se o Brasil, no seu inicio, foi governado pelas mulheres. Pois as duas capitanias, que prosperaram: Pernambuco e São Vicente foram governadas por Dona Brites e Ana Pimentel. E agora, surpreendido com Luiza Grialdi governando o Esprito Santo, reforça a pergunta.

    Minha resposta: Pedi´lhe para aguardar a biografia de Dona Inês de Souza, esposa de Salvador Correia de Sá, governador do Rio de Rio de Janeiro. Conta a história que ele saía pelo interior para “descobrir o Brasil” junto co uma grande comitiva de homens. é claro, e deixava sua mulher tomando conta do Governo.
    Certa vez 3 naus corsárias francesas aportaram na Baía da Guanabara, prontas para invadir o território.
    .
    Dona Inês mandou vestir todas as mulheres com roupas de homens, algumas com armaduras, e ordenou manobras militares na praia fazendo o maior alarido possível. para amedrontar os franceses.

    Consta que o plano deu certo e os corsários fugiram. Mas, vou verificar melhor o que “assucedeu” e depois eu conto . .

  2. Grande Brito!
    Domingo é dia de Domingos trazendo mulheres maravilhosas que “fizeram” a história acontecer.
    Como adoro a história universal, aprendo sempre com o amigo um pouco mais.

    • Grato Sancho

      Temos ainda muitas brasileiras cotadas para entrar no Memorial. Ajude-me a não esquecer aquelas que você considera relevantes

  3. Caríssimo Brito,

    Fico impressionado como na história não oficial do Brasil existem personagens femininas extraordinárias que tornaram a história rica de acontecimentos importantes e ainda não foram reconhecidas a altura!

    Outra: Não sei por que raios, mas o cinema nacional nunca explorou essas histórias maravilhosas.

    Por isso o nobre memorialista – já o disse em outras ocasiões – não imagina a importância do seu extraordinário esforço em pesquisar e nos trazer a história de vida dessas grandes personagens esquecidas.

    Meus parabéns mais uma vez pela excelente minibiografia de Luíza Grimaldi Correa.

    • Pois é, Cícero
      A força do nosso patriarcalismo é enorme. Na próxima quinzena vamos apresentar Clara Camarão, esposa de Felipe Camarão, que lutou ao seu lado em diversas batalhas. É uma das mulheres do “balacobaco” digo, de Tejucupapo. Mas, pouco se ouve falar dela.

      Grato pelo extímulo

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