JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

Luiza Franquelina da Rocha nasceu em 25/8/1909, em Cachoeira, BA. Mais conhecida como Gaiaku Luíza de Oyá, a denominação para Mãe- de-Santo na religião do Candomblé. Seu Terreiro “Roça do Ventura” foi tombado como patrimônio cultural pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia em 2006. Inspirou Dorival Caymmi a compor o samba O que é que a baiana tem? e estabeleceu um “padrão” da baiana quituteira mantido até hoje em Salvador.

Nascida e criada numa família descendente de africanos escravizados e dirigentes de terreiros do Candomblé. Diz-se que nasceu predestinada a ser uma dirigente religiosa. Porém, só veio a saber disso mais tarde, quando foi sacramentada, em 1945, aos 36 anos. Se casou em 1936 com o alfaiate Aristóteles, que a abandou pouco depois após o falecimento da primeira filha. Grávida da segunda filha, e sem condições de se manter, voltou a Cachoeira e foi acolhida pela mãe. Pouco depois foi iniciada na nação Ketu e mais tarde foi confirmado que seu santo de guia era da nação Jeje.

Em meados de 1938 vendia acarajé em seu tabuleiro no centro de Salvador e teve um encontro com Dorival Caymmi, um jovem de 25 anos, que pediu para fotografá-la. No ano seguinte Caymmi gravou a música – O que é que a baiana tem? – descrevendo o modo como Gaiaku Luiza se vestia. A música foi apresentada em 1939 no filme Banana da terra, estrelado por Carmen Miranda vestida paramentada como baiana e gravada no mesmo ano nos EUA, constituindo-se num sucesso internacional que projetou Caymmi e estabeleceu o padrão do vestuário da baiana.

Eles nunca mais se encontraram, até que em 2005 ela tomou coragem, telefonou para Caymmi e tiveram um breve diálogo, que não prosperou: “Olha, a baiana de 1938 ainda está viva”. Quem? A do acarajé?”, perguntou Caymmi já idoso e desligou o telefone. Em 1944 foi iniciada na nação Jeje-Mai e recebeu o cargo de Gaiaku no ano seguinte. Em 1952 fundou o Terreiro “Humpame Ayono Huntoloji’, em Salvador, no Parque São Bartolomeu, e passou a trabalhar formando novas mães-de-santo. Em 1963 adquiriu um sítio em Cachoeira, para onde transferiu seu Terreiro e permaneceu até 20/6/2005, quando veio falecer aos 94 anos.

No ano seguinte Marcos Carvalho lançou sua biografia Gaiaku Luiza e a trajetória do Jeje-Mahi na Bahia, pela Editora Pallas, no Rio de Janeiro, enfocando seu aspecto religioso. Em 2013 Nívea Alves dos Santos apresentou a dissertação (Mestrado na área de Estudos Étnicos e Africanos) na UFBA-Universidade Federal da Bahia, intitulada “Entre ventos e tempestades: os caminhos de uma Gaiaku de Oiá” e disponível  clicando aqui. Em 2018 a dissertação foi transformada em livro, lançado pela Editora da UFBA.

No “Livro do Registro Especial dos Espaços Destinados a Práticas Culturais e Coletivas” da Bahia, seu Terreiro se apresenta como um verdadeiro celeiro de resistência cultural e religiosa e Gaiaku Luiza é vista como “uma das mais prestigiadas mães-de-santo do Recôncavo Baiano e uma das mais importantes e emblemáticas sacerdotisas da história das religiões de matrizes africanas no Brasil e nome fundamental para a resistência do Candomblé Jeje no Brasil nas últimas décadas”. Em 2013 ela inspirou o samba-enredo da Escola de Samba Acadêmicos do Sossego: “De Luiza D’oyá a Carmem Miranda. O que é que a baiana tem?”

10 pensou em “AS BRASILEIRAS: Gaiaku Luíza

  1. Eu quero ver o dia que Brito falar de mim, de Berto, de Dalinha, Violante, Neto Feitosa.. Brito, desde já estás convidado a falar desse trabalho, no Cabaré do Berto.

  2. Caro Assuero
    Grato pelo convite. Farei um esforço para participar da conversação no Cabaré do Berto. Quando digo esforço, me refiro a tecnologia. Não sou inteiramente digital. Aliás sou mais analógico (sem orgulho nenhum).
    Quanto a falar de vocês no Memorial, não pretendo tão cedo, pois para entrar lá o cabra tem que ter passado dessa vida para uma melhor, que é o que espero para todos vocês. Porém, reitero, não tão cedo.

    De novo, agradecido pelo convite e abraços
    Brito

    • Brito, estou rindo aqui até a próxima encarnação… fale mesmo não…. eu me lembrei de um “causo” de Ariano Suassuna. Ele dizia que iam pregar religião para um cabloco e o cabra dizia que não queria saber de nada disso. Queria ficar mesmo é balançar na rede, tomar café com leite com queijo de manteiga, tapioca, uma carnezinha de bode pra almoçar e pronto. Queria saber de paraíso não… pra quê paraíso se o cabra para chegar lá tem que morrer? Se organize para o dia 28/04. Dia 21 teremos Peninha. Quanto a tecnologia, basta o celular ou um computador com o zap. Você recebe o link, encarca o dedo e entra.

      • Beleza, Assuero
        Me alembrei de outra, de São Bento rezando: “Senhor, fazei de mim um ser puro. Mas, não tão já!”
        Vou me preparar para a “conversação”

  3. Pois é Padre José Paulo
    Muito agradecido, confesso:
    Tenho pedido à alguns amigos para me ajudar a encontrar mais personalidades, como esta, na sombra. Já encontramos e colocamos quase 100 no
    MEMORIAL DAS BRASILEIRAS. Mas, creio que temos muito mais.

    Tenha um bom domingo e boa semana

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