CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Ônibus superlotado. Uma artimanha para a fraude

Faço nestas notas rápidos comentários sobre parte do cotidiano externo das pessoas, apenas para assinalar modos de viver e de se aplicar certas artimanhas, pelas prestadoras de serviços públicos, fraudando normas.

Quando em 1944 houve a introdução de ônibus urbanos no Recife, notadamente em serviço regular iniciado pela Pernambuco Autoviária Ltda., os passageiros somente viajavam sentados.

Havia uma placa proibindo que as pessoas viajassem de pé. O próprio motorista cuidava do controle. Respeitava-se uma norma municipal. Todavia, temos que admitir: as pessoas eram mais educadas e a população da cidade era menor.

Tempos depois, diante da necessidade e a introdução de várias empresas para esse tipo de serviço, os próprios usuários passaram a utilizar tal transporte de forma desordenada, permanecendo de pé, sofrendo infame “esfregaço”; burlando-se igualmente à norma que determina a quantidade total de passageiros por viagem.

No caso, não nos parece que houve decidida reclamação nem se “queimou pneus” nas ruas, em protesto, a respeito do preço que deveria ser diferenciado para aos que viajam em pé.

De ambas as formas, atualmente, se paga o mesmo valor. Até hoje as empresas cobram os mesmos preços para ambas as formas de acomodação; aliás, melhor dizendo, de desconforto.

Uma artimanha que se tornou uma coisa comum. Enfim, sentados ou em pé o preço da passagem dos ônibus urbanos é o mesmo. Continuam assim, beneficiadas as próprias empresas. Mas, no caso, utilizando-se um artifício oculto para se faturar mais, durante a mesma distância de viagem.

Mas, há artimanhas dosadas pela inteligência promocional. Outro dia, entrei numa loja, ao acaso, onde na vitrina havia muitas ofertas de produtos. Desejava ver se comprava um presentinho e acabei escolhendo outras bugigangas para minhas netas.

Atendido pela dona do estabelecimento fui indagado, delicadamente, qual o motivo de haver procurado sua loja. Não pude negar: o título me chamou a atenção: “Artes e Manhas!”.

Risonha, afirmou a senhora: “Foi um artifício que encontrei. Pelo que imaginamos o título chamaria a atenção e concluímos que aqui o cliente vê pela vitrina, muitas coisas diferentes. Por isso valeu a gente registrar como “Artes & Manhas! ”

Esse mundo é mesmo cheio de artimanhas! Burla-se até as leis com artifícios, que o povão vai esquecendo e aceitando placidamente. Até na divisão dessa palavrinha houve subterfúgio, pois se tornou “Artes & Manhas”.

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