A PALAVRA DO EDITOR

Severino comprou um bilhete inteiro de loteria e decidiu que ia ganhar.

Sempre ouviu dizer que é possível conseguir qualquer coisa fazendo promessa e que quanto mais difícil de cumprir melhor era o resultado.

Pensou, pensou, deixar a barca crescer não era complicado, cansara de deixar.

O que poderia ser mais difícil? Lembrou que desde que acordara no internato gozando com o coleguinha lhe chupando o pau tomara ódio de viado.

Como era possível, homem com homem? E que liberdade fora aquela, de lhe pegar dormindo e fazer algo que ele não admitia?

Pensou e decidiu: é a coisa mais difícil para mim: – Se eu ganhar o prêmio com este bilhete de loteria vou beijar a boca de um homem.

Falou com a tia que fez promessa mas não contou qual. Ela avisou: – Se não cumprir a promessa perde tudo de novo. E não pode contar para ninguém qual foi!

Pois, Severino, não demorou três dias, estava rico! Alguns milhões limpinhos, todos seus, já descontado o imposto de renda.

Agora era a hora do problema, cumprir a promessa.

Informou-se na Internet, foi para um bar gay, encostou-se no balcão, pediu bebida e ficou observando.

A uma mesa, um rapaz bonito, louro, olhos verdes, corpo atlético, oquei, pensou, já que tem de ser pode ser esse.

O rapaz era um repórter, Severino não sabia. Raimundo estava ali para fazer um artigo a respeito da vida dos homossexuais. O redator do jornal parece até que fez de sacanagem, sabia que Raimundo tinha aversão a bichas e escolheu justo ele para o serviço.

Raimundo examinou o ambiente, viu Severino olhando para ele, era a oportunidade de fazer contato. Dirigiu-se ao balcão e puxou conversa.

Tomaram umas e outras, conversaram, Severino não entendia direito o sentido de certas perguntas, pareciam insinuações e, entre risos e aproximações forçadas, Severino resolveu que era hora de pagar a promessa: agarrou com força Raimundo e impôs-lhe um beijo na boca.

Raimundo até que tentou reagir, mas a coisa ficou meio diferente, sentiu tesão, virou beijo de língua, Severino também ficou excitado, e em vez de se separarem bruscamente se agarraram para valer em um quente e longo beijo.

Surpresos, Raimundo e Severino, ficaram a princípio meio sem jeito, mas na hora de ir embora saíram de mãos dadas.

Agora moram juntos.

15 pensou em “ARMADILHAS DA VIDA

  1. Putz !. O cara comprou um bilhete e DECIDIU que ia ganhar. Deve ser discípulo do deputado baiano . Agora a viadagem : se ganhar beija um gay na boca. Promessa “difícil” de cumprir, para um sujeito que já tinha a ideia formada pela tv provavelmente (arte ). Quando o homem não está defendendo os que prometem o mundo e os fundos ( se bem que os fundos entregaram para os amigos) esta escrevendo sobre viadagem adquirida. Mas para quem ainda está em quarentena , ler qualquer coisa já serve para descontrair , se não estiver atolada em política. Voltemos a Betelguese.

  2. Joaquimfrancisco, Nélson Rodrigues diria que a vida é como ela é. Duvidas de que com promessas se podem conseguir coisas difíceis? Ora, experimente! O caso de Severino pode ser ficção ou não. Eu mesmo nem estou a fim de ganhar na loteria.

  3. Eu estou plenamente convencido que esta estória é autobiográfica, apenas com pseudônimos para disfarçar a tesão no cu do escriba das canhotas.

  4. Oh Goiano,
    Boa tarde. Não vou comentar este post. Que sejam felizes, cada um na sua. Sou se Pelotas e pelotense, como dizem é gayucho, não pode ser preconceituoso.
    Mas quero registrar que minha penúltima coluna foi escrita em tua homenagem e tu não comentastes, nao deves ter lido.
    Magoei (brincadeira). Escrevi explicando a origem de meu nome.
    Abraço.

  5. Caro Rodrigo, lá na tua coluna deixei comentário com as explicações e mais alguma coisinha.
    Gostei muito do texto; e odiei o mais recente rsrsrs
    Brincadeirinha sobre o ódio: nada como as divergências para dar cor aos sentimentos.
    Grande abraço.

  6. Aos estimados leitores. Em geral, leio e releio meus textos e faço as correções daquilo que posso perceber como erros, de modo que o que sai errado é porque sou burro mesmo.

    Algumas vezes depois de enviar para publicação me deparo com uma pulguinha que passou despercebida e se dá tempo envio uma segunda versão, que o Berto acata sem reclamar – ô, editor paciente!

    Desta vez, passou mais um, depois de ler várias vezes:

    No terceiro parágrafo falo em “deixar a barca crescer”.

    Não, eu não quis falar de esperar a barca crescer até virar um navio, quem sabe um transatlântico.

    Acho que entenderam que devia ser “deixar a barba crescer”.

    Bem, voltando a falar de Berto, está na hora de o cara deixar de ser murrinha e contratar um revisor, para evitar que saiam essas monstruosidades.

    Pronto, falei.

  7. É muita ficção!
    Ou fixação.
    Fui policial e sempre pensei: que se amem, é melhor que dá BO.
    A melhor coisa para mim, quando trabalhava, era um plantão “sem alteração”.
    Assim divido o mundo em duas categorias: os pacatos e ordeiros cidadãos e os revoltadinhos desordeiros. E tenho ojeriza da segunda espécie de gente.
    Se a criatura é homo ou não, pouco importa.
    Só não dê alteração, os colegas precisam de um pouco de sossego.

  8. Astrig, às vezes escrevo sobre héteros, às vezes sobre homos, mas em geral sobre outras coisas, principalmente sobre a necessidade de o PT voltar a dirigir o Brasil para que todos, sejam homens ou mulheres, de qualquer cor ou raça, religião ou crença, pobres ou ricos, banqueiros ou bancários, empreendedores ou trabalhadores braçais, enfim, todos, sem exceção, obtenham do Estado Justiça Social, sempre de modo que tudo se faça para que nada falte a ninguém.
    Quando me canso da política, escrevo umas crônicas, uns contos, qualquer coisa que me venha à cabeça e me dê prazer.
    Grato por suas lições de paz e harmonia entre todos.

  9. Não li nem leio coisas do subvencionado, só passei pra dizer que na falta de vermífugo para humano podem usar para cachorro ou gato, melhor que nada!

    • Alfredo, pedi ao meu cachorro, Ranger, um Rottweiler mais bravo do que mulher com tensão pré-menstrual, para mijar no teu comentário. Ele leu e achou por bem mijar e também cagar em cima. Foi mal.

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