ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

Onde a cultura é tribuna
Sua voz foi a mais alta,
Houve o primeiro mas falta
O segundo Suassuna.
Parte e deixa uma lacuna
Que não será preenchida.
Sua forma definida
Na maneira de escrever,
Não tinha como dever
Mas como missão de vida.

Com originalidade
A sua missão cumpriu
Foi quem melhor traduziu
Nossa nordestinidade.
Porta-voz e autoridade
Dos valores culturais.
Das fontes originais
Um divulgador constante,
Como um cavaleiro andante
Dos tempos medievais.

Cronista do dia a dia,
Um defensor ardoroso
Das estórias de trancoso,
Das crenças, da romaria.
Repórter da cantoria,
Do cordel, do desafio.
Sem ele até desconfio
Que morre a nossa memória,
E o circo da nossa história
Poderá ficar vazio.

Muitas vezes contestado
Ele cansou de dizer
Que a arte não pode ser
Um produto de mercado.
Sempre que era perguntado
Dizia de forma honesta,
Sem rodeio, sem aresta,
Sem sofisma, sem engodo,
Que a arte é no seu todo:
Vocação, missão e festa.

“Auto da Compadecida”
Sua mais famosa peça,
Termina como começa
Contando os dramas da vida,
Inspirada e extraída
Do mundo cordeliano.
O mestre paraibano
Teatrólogo e ensaísta,
Era também cordelista
O genial Ariano.

Nos seus trabalhos defende
Um Brasil mais brasileiro,
Contra o modismo estrangeiro
Que a mídia comprada vende.
Brasil onde o inglês pretende
Ser o idioma oficial.
Nos trazendo grande mal,
Fazendo morrer à míngua
O encantamento da língua
Que herdamos de Portugal.

Nas palestras que fazia
Com humor e fundamento
Esbanjou conhecimento,
Semeou sabedoria.
Era quem mais conhecia
O que o Brasil desconhece.
Quando um astro se opaquece
Acaba-se a iluminara.
O céu da nossa cultura
Sem esse astro escurece.

Foi guardião da raiz
Da nossa ancestralidade,
Construiu a identidade
Cultural do meu país.
Da terra agora distante,
Tornou-se então palestrante
Nas cortes celestiais.
Hoje faz parte do time,
Da academia sublime
Dos mestres universais.

Geraldo Amâncio Pereira é poeta, repentista, trovador, cordelista e contador de causos. Nascido no sítio Malhada da Areia, município do Cedro, Ceará, em 29 de abril de 1946. Cursou faculdade de História em Fortaleza. Começou com acompanhamento de viola em 1966. Participou de centenas de festivais em todo o país, e classificou-se mais de 150 vezes em primeiro lugar. Organizou festivais internacionais de repentistas e trovadores, além do festival Patativa do Assaré. É autor das três antologias sobre cantoria em parceria com o poeta Vanderley Pereira. Gravou 15 CDs ao longo da carreira, além de ter publicado cordéis em livros. Apresentou o programa dominical “Ao Som da Viola”, na TV Diário em Fortaleza.

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