CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Caríssimo

Acabo de receber esse artigo, que bem representa o pensamento de considerável parcela de nossa sofrida nação banânica.

Dada a sua importância, acredito que merece o máximo de divulgação que possamos lhe dar, razão pela qual estou enviando para o nosso jornal.

Tenho dito.

* * *

UM VOTO E O JULGAMENTO DA HISTÓRIA
(já encaminhado ao gabinete da Ministra)

Excelentíssima Senhora Ministra CARMEN LÚCIA

Atônito, como milhões de brasileiros, manifesto-lhe respeitosamente surpresa e indignação com sua inusitada mudança de voto no emblemático julgamento da 2a. Turma do STF, no dia de ontem, 23/03/2021, destinado a ter repercussões históricas e sociais gravíssimas.

Não o faço, senhora Ministra, por viés ideológico, partidário ou pessoal, que não os posso ter como advogado, ex-juiz, ex-presidente de tribunal e com 47 anos de atividade profissional no Direito. A surpresa e o choque seriam os mesmos, qualquer que fosse o réu.

Bem sei que o magistrado pode reconsiderar o voto até o momento em que ainda não proclamado o resultado do julgamento. Mas jamais sem que nenhum – repito e enfatizo! – absolutamente NENHUM “fato novo” tenha vindo ao processo, lícito, legal e constitucional, no intervalo entre o seu primeiro voto e o de ontem!

É justo conceder-lhe o “benefício da dúvida”, de que agiu com respeito às suas mais sagradas convicções – somando-se a dois outros votos, dentre cinco, para verem o que não viram nem o juiz de 1o, grau, nem os três desembargadores do TRF da 4a. Região, nem os Ministros do STJ, nem o Ministério Público em seus três graus.

Mas o seu voto, Senhora Ministra, vai muito além da dúvida sobre suposto e sagrado direito constitucional do réu, que até o momento só foi vislumbrado como violado por três, dentre onze Ministros da Corte Suprema.

Extrapola o julgamento isolado. Espraia-se pelo país como inequívoco sinal de premiação à impunidade. Promove o desalento entre nosso sofrido povo, que voltará a acreditar que, cedo ou tarde, o Excelso STF faz tábula rasa de detalhada instrução processual e se apega a derradeiros pedúnculos e a contorcionismos de linguagem, desprezando a inteligência e a imparcialidade de todos os magistrados que antes trabalham no feito, em três instâncias inferiores.

Aterrador que o voto decisivo de uma só penada absolva por via indireta um réu já condenado em três graus de jurisdição e por mais da metade da opinião pública do país e condena e execra o mais corajoso, intrépido, célere, preparado e leal juiz que, ao risco da própria integridade física, foi um sopro de alento para 215 milhões de brasileiros, acostumados e conformados com a impunidade dos poderosos, herança e cultura malditas que nos acompanham há 521 anos.

O seu voto, e mais do que ele, a circunstância da reconsideração tardia, sem argumentos técnicos sólidos e convincentes, restabelece a desesperança de todo um povo e fortalece os pregoeiros da ditadura, mediante atos delinquentes que pregam até intervenção em nosso sagrado STF. Talvez tenha sido, também, ainda que inconsciente, a martelada que faltava no último prego do caixão da mais importante operação de combate e desestímulo à corrupção em nosso querido país – talvez no mundo.

Um dia, a Senhora Ministra haverá de se aposentar por ato próprio ou disposição constitucional. Quando, e se, retornar à seu berço natal, em Montes Claros-MG, terá de conviver com o julgamento inexorável da História. Nele infelizmente entrará apequenada, pois o que ficará na memória não será a defesa de um direito individual, por mais relevante, mas sim de ter-se vergado à verborragia de diatribes e achincalhes de um seu Par, este sim, claramente “suspeito”, por infatigável guerra contra um homem de bem, íntegro e digno cujo único crime foi ter sido JUIZ na maior acepção da palavra, ter cumprido sua missão e ter trabalhado por um Brasil melhor.

Então, poderá voltar os olhos para as consequências danosas de seu voto para o Brasil e a própria ordem jurídica e também para as montanhas do Serro, a pouco mais de 300 quilômetros. E haverá de se lembrar da grandeza de seu conterrâneo PEDRO LESSA, ali nascido, tido como o maior dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. Talvez porque foi súdito dos autos e da Justiça e sempre viu o juiz como “vivificador da norma e construtor das soluções.” E, como pregava ele em histórico voto no STF, no HC 2793, “… é ocioso indagar se pelo habeas corpus se podem resolver questões políticas. Nem políticas, nem civis…”

Felicidades, e que os Céus apaziguem seu coração e mente, quando cedo ou tarde se der conta da enormidade do erro ontem cometido, e de suas danosas consequências para a Justiça e o Brasil!

Ricardo Sampaio – OAB-PR 25.788

5 pensou em “ARAEL COSTA – JOÃO PESSOA-PB

  1. Minas e Montes Claros nunca irão acolher uma servidora que traiu o Povo Mineiro para livrar seu bandido de estimação.
    É deplorável o seu ato carmen lúcia (tudo em minúsculas).

  2. A ministra Cármen Lúcifer é a mais nova encarnação de seu conterraneo Joaquim Silvério dos Reis, que traiu os inconfidentes mineiros, que queriam libertar o Brasil do regime colonial portugues e agora a senhora traiu o Povo Brasileiro, libertou o maior LADRÃO do Brasil (quiça do mundo) por simples capricho, ignorando todas as condenações (03), inclusive do próprio STF, que inderifiu o último HC desta figura abjeta, que enoja a população honesta deste país, levando em conta provas(?) de um “racker” não periciadas e contrária conforme o CP/CPP. Vade retro Satanás!!!!

  3. Pois é ……

    Que gritaria né ??!!! ……… Noooossa …! … Redes sociais em polvorosa …!!!!!

    Mas o CRIMINOSO CONTINUA SOLTO, descondenado e o STF continua fazendo suas barbaridades, principalmente alguns de seus membros mais sórdidos …….,

    e não é Alexandre, o G L A N D E ……

    Desesperança ……..
    Só começando tudo de novo e para isso é preciso liquidar tudo que está por aí, inclusive a CF que não vale pra nada ………

    Como ?? …. eu ainda não sei, …..mas …….com certeza vai ter de correr sangue ou continuamos a BERRAR pela internet e a caravana da impunidade, da hipocrisia, da falta de escrúpulos, da sordidez, continua passando, se divertindo com nossa indignação…….

    É inacreditável que perdemos a chance de pressionar o Senado com praticamente 2.000.000 de assinaturas em menos de 48 horas, pelo menos pressionar……..

    O tempo é a favor dos bandidos…..
    Agora é tarde, como já tivemos exemplos da “Mãos Limpas”, e agora da “Lava Jato”

    Moro Suspeito, Lulla inocente e ……..

    Caio Coppollo vai preso, Kajuru se fazendo de demente e sumido do mapa……

    Pachecão, o sabonete, já disse que tem prioridade com a Pandemia e …..

    Arthur Lyra já colocou que se o Cagão (JMB) não se ajustar tem grandes chances de se fuder ..

    Obviamente o cagão já se arregou novamente, levou uma bofetada do Topetudo (LUX, digo …) e está pianinho, pianinho …………………

    Nós conservadores somos muito burros em tentar manter escréupulos onde a canalhada não tem….

    Fudeu …..!!!!

  4. Esse porra desse presidente tem mais é que BOTAR PRA FUDERRRRRRRRRR!!!!!

    Foi para isso que nós elegemos este porra, não para ficar de marionete das víboras do STF.

    Presidente, TENHA GRANDEZA!!! Pelo amor de Deus!

    FAÇA O QUE TEM DE SER FEITO!!!

    Que merda!!!!

  5. Sigo os relatores Arthur Tavares e o Sr. Adônis dizendo:

    Ricardo Sampaio, um advogado do qual só ouvi falar agora, teve muito mais colhões que o atual PR provavelmente nunca terá.

    Isso me deixa melancólico.

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