JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

“A árvore é de Natal” intitula texto escrito por Minervino Wanderley que me motivou a escrever este artigo. A propositura do jornalista é interessante porque dá uma repaginada na aparência da cidade. Portanto, uma boa visão, sim senhor.

Minervino sugere que se mantenha acesa, durante todo o ano, a árvore natalina implantada na praça à margem da BR-101, no bairro Mirassol, na principal entrada rodoviária de Natal, acesso obrigatório para quem chega à capital potiguar vindo do interior do estado, do Norte ou do Sul do país.

Trata-se de um artefato metálico com 110 metros de altura, iluminado por mais de 400 mil pequenas lâmpadas LED. As dezenas de fios onde estão presas as tais lâmpadas, descem do topo da estrutura e são fixados no chão, rodeando um eixo central para formar dois imensos cones sobrepostos.

As carreiras de lâmpadas acendem e apagam, intermitentemente, sob comandos eletrônicos, em movimentos sequenciados de cima para baixo e em torno da árvore, nos dando a nítida impressão de espetaculares giros luminosos em diferentes tonalidades de cores. No cimo do arranjo fica postada a Estrela de Belém.

Acesa na antevéspera do Dia de Natal e desligada após o Dia de Reis, a árvore de Mirassol se transformou num significativo símbolo da cidade que recebeu o nome da festa da natividade de Jesus Cristo.

Aqui abro um parêntese. De março de 1987 até março de 1991, integrei o quadro de engenheiros do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Rio Grande do Norte. Na época, o órgão efetuou melhoramentos na Via Costeira (RN-301), culminando o processo com moderna e eficiente sinalização rodoviária.

Nos pórticos metálicos postados ao longo dos nove quilômetros da rodovia estadual sobraram espaços para outras placas. Surgiu então a ideia de intercalarmos mensagens alusivas à cidade. Alguns imortais da nossa Academia Norte-rio-grandense de Letras emprestaram algumas sugestões, que foram muito bem aceitas.

Uma delas, porém, chamou a atenção de quem transitava pela Via Costeira. Dizia o seguinte: “Aqui todo dia é Dia de Natal” – autoria do presidente da ANL, Diógenes da Cunha Lima. Ao longo do tempo, as placas e pórticos foram agredidas pela oxidação decorrente da maresia ao longo da rodovia por falta dos cuidados adequados.

A frase do imortal, que continua viva no subconsciente do natalense, não ficou registrada em nenhum outro ponto da cidade desde a arruinação das placas e dos próprios pórticos. Fecho parêntese.

Retornemos ao assunto que motivou esta apropriação. Nunca entendi a razão da falta de uma exploração turística bem elaborada, na época natalina, na única cidade do país fundada no dia 25 de dezembro, e que carrega o sugestivo nome de Natal. Caso isso não baste, existe ainda o fato de ela ser apadrinhada dos Reis Magos.

Aproveitando a ideia de Minervino Wanderley, eu também concordo que se mantenha acesa a árvore durante o ano inteiro, mesmo com um número menor de lâmpadas para diminuir o gasto com energia elétrica.

Complementando a sugestão do jornalista poríamos diante da majestosa árvore natalina, a placa indicativa que caracterizou a condição excepcional de nossa cidade, lembrando a quem nos visita que “Aqui todo dia é Dia de Natal”.

O conceito original está reforçado; falta agora quem o concretize.

1 pensou em “AQUI TODO DIA É DIA DE NATAL

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