APOLOGIA A CACHAÇA!!!

No outrora só bebia
Caboclo, negro e mulato,
Hoje gente de recato
Bebe de noite e de dia,
Até vossa senhoria
Eu já vi acontecer
Nas ruas tombar, pender,
Fazer seus passos errados
Pois, se bebe os ilustrados,
Não é defeito eu beber.

Eu, já vi no bar bebendo,
Engenheiro, deputado,
Major, coronel, soldado,
O Pastor, o Reverendo,
Pelo que estou percebendo
A bebida deve ser
Algo que só dar prazer
E não imoralidade,
Se, bebe a autoridade,
Não é defeito eu beber.

Bebe o padre, bebe a freira,
Bebe o espírita e o crente,
Suponho que a aguardente!
Aquela cana brejeira
Conquista de uma maneira
Que como se pode ver
Se, bebe aquele que crer,
Crente, espírita, freira e padre,
Então veja meu compadre,
Não é defeito beber.

Bebe-se por quem nasceu
Quando ao mundo veio a luz!
Ou se acaso deixa a cruz
No lugar em que morreu,
Quem foi que já não bebeu
Alguém queira me dizer,
Simplesmente por prazer
Por alegria ou tristeza
Secando a taça na mesa,
Não é defeito beber.

Se o time for vencedor
De uma competição,
Haja comemoração
Bebendo cana em louvor!
Mas, se houver o dissabor,
De ver seu time perder
Bebendo para esquecer
Nela o torcedor se vinga
Metendo a cara na pinga
Não é defeito beber.

Um bêbado inveterado
Que já está de cara inchada,
Levanta de madrugada
Toma um gole caprichado!
Chega fica arrepiado
Sentindo a cana descer,
Ele espera amanhecer
Levanta de perna fraca
Vai correndo pra barraca
Não é defeito beber.

Chegam em casa com ressaca
As mulheres não aceitam,
Tem delas que até os enfeitam
Com alguns “biliros de vaca”!
Diz: não aguento a inhaca
Sendo assim não vou querer
Estragar o meu viver
Com um ser dessa qualidade!
Ele, diz com humildade,
Não é defeito beber.

O ébrio não é doente
É apenas viciado,
Se, acaso for bem tratado,
Abandona a aguardente,
Quando sóbrio e consciente
Logo irá compreender
Que depende do querer
Para mudar de repente!
Bebendo socialmente
Não é defeito beber.

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