PERCIVAL PUGGINA

Seria repetitivo introduzir o tema deste artigo mencionando as diferenças entre política municipal, estadual e nacional. A política da “polis” ocorre num espaço de proximidade e conhecimento entre eleitos e eleitores que proporciona decisões de voto com nível superior de informação. Se isso não significar escolhas mais acertadas, não será por culpa do sistema e, sim, por descaso do cidadão em relação às suas responsabilidades cívicas.

Daqui a três dias estarão abertas as seções de votação em 5570 municípios brasileiros para escolha de prefeitos e vereadores. De cada mil eleitores, 3,6 são candidatos a vereador em seus municípios, totalizando 540 mil aspirantes à vereança municipal. Há 58 mil cadeiras aguardando seus futuros ocupantes. São dados que sinalizam a existência de um numeroso poder local, disperso e subutilizado. Essa força política só será acionada desde fora do âmbito municipal quando vereadores e seus suplentes mais votados forem cortejados pelos pretendentes a mandatos eletivos nas eleições de 2022. Eles são os principais “cabos eleitorais” das eleições estaduais e da eleição presidencial.

Aí está, então, meu assunto para este artigo. Estes dois últimos anos me convenceram de que a aclamada “vitória eleitoral de conservadores e liberais no pleito de 2018” não aconteceu. A esquerda perdeu espaço, sim, mas essa derrota não apresentou qualquer evidência significativa nos parlamentos do país. Cabe então indagar a todos nós, cidadãos com o pé no chão da nossa cidade, o que fizemos até este momento para favorecer a eleição de prefeito e vereadores comprometidos com princípios e valores conservadores e liberais?

Tais valores e princípios não chegarão a Brasília se, antes, não existirem na nossa rua, no nosso bairro, nas nossas Câmaras Municipais.

Nos próximos dois anos, precisaremos ter organizado, em escala nacional, um movimento conservador/liberal, juntos ou independentes, que efetivamente o sejam. Nossa agenda para o horizonte de 2022 deve incluir o expurgo, pelo voto popular, dos aproveitadores do ambiente político de 2018 e sua substituição por políticos preparados para promover as reformas de que a nação está tão carente.

A “grande renovação” ocorrida em 2018 no Congresso Nacional redundou em mais do mesmo. Passados dois anos, nem a prisão após condenação em segunda instância foi aprovada! Nenhum processo de impeachment de ministros do STF tramitou! Nenhum uso abusivo de recursos públicos para partidos políticos foi abolido! Nenhuma privatização teve consistente apoio parlamentar! Foi muito o bem que se deixou de fazer e muito, também, o mal feito.

Por isso, formulo aqui meu apelo de boca de urna. Domingo, 15 de novembro, elejamos conservadores e liberais. Depois, olhos postos na eleição de 2022, mobilizemo-nos de modo permanente com esses agentes políticos. Que a futura eleição nacional reflita, de fato e de direito, os anseios de uma nação que terá aprendido com os próprios erros.

5 pensou em “APELO DE BOCA DE URNA

  1. Princípios conservadores e, no sentido apropriado pela direita, liberais: devem ser abandonados em favor dos seus contrários, ou quase. Isso por que o contrário de conservador é vanguardista; ou progressista; ou inovador; ou, até, revolucionário, mas… já “liberal” pode ser também entendido como o contrário de conservador, aí a encrenca.
    Por exemplo: uma pessoa conservadora em certo momento histórico será contra a saia mostrar os calcanhares, depois contra mostrar abaixo do joelho, mais tarde mostrar acima do joelho, mais tarde usar mini-saia, e em certo momento foi contra a passagem para mulheres usarem calças compridas; e shorts; e maiôs; e biquinis; e em outro momento os conservadores seriam contra a abolição do sutiã; quem sabe repudiariam a abolição da escravatura. E é assim que conservador e liberal parecem contradições quando falamos dos costumes.
    Então, o que resta aos conservadores-liberais? Ah, deve ser “liberalidade” na economia, no sentido que o liberal acredita que ser liberal é ter uma economia “livre”, “liberada” de qualquer participação ou intervenção do Estado? Só se isto for. Por que, na verdade, uma economia liberal deveria ser entendida como aquela não sujeita a regras que a impedissem se evoluir, progredir, RENOVAR-SE! Os conservadores não admitem renovação: entendem que ser conservador é manter os valores estabelecidos por eles mesmos como eternos e imutáveis: a família assim e assado, a crença em Deus batendo no peito, o nacionalismo endeusado, e vá lá, os vanguardistas ou esquerdistas já mudaram até coisas demais, pois os conservadores queriam mulher em casa cuidando dos filhos, usando espartilho mas… nisso a boiada já passou, fazer o quê, né?
    Desse modo o que estamos esperando é que os conservadores-liberais vão saindo de cena, enquanto vamos entrando os vanguardistas-liberais.
    Ou, para ser curto e grosso: sai a direita e entra a esquerda.

  2. ” A “grande renovação” ocorrida em 2018 no Congresso Nacional redundou em mais do mesmo “.

    Na minha opinião ,isto aconteceu porque Bolsonaro achou que poderia usar a popularidade para fazer as mudanças . Tivesse ele , nos primeiros dias de governo , feito uma reunião , na forma que quisesse , com os eleitos de primeiro mandato e mostrasse a eles o que pretendia e ouvisse deles o que eles pretendiam , poderiam chamar a denominador comum e talvez essas pautas avançassem .

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