ANGÚSTIA

Quando foge o luar, em noites silenciosas,
vem tomar-me uma angústia, um desespero enorme,
um desejo sem nome, um pesadelo informe
como o torvelinhar das grandes nebulosas.

Durma o corpo: adernado, o coração não dorme.
E debato-me em vão nas ondas voluptuosas
de um sonho dúbio: um céu de pedras e de rosas,
com promessas de luz no seio amplo e disforme.

E, como o mar se arqueia em busca do infinito,
ergo a mão para o céu, num desespero mudo…
Mas tudo foge, em roda, e estou só, louco e só.

O sonho se dissipa. E eis-me confuso, aflito,
vendo uma sombra má em cada canto, e em tudo
o olho morto de um sol que se desfaz em pó.

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