ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

A rede que hoje eu durmo
Tem um cheiro diferente
Da que eu tinha em minha infância
Com meu irmão inocente
Que tinha o cheiro das mãos
De mãe balançando a gente.

Geraldo Amâncio

Branca, preta, pobre e rica,
Toda mãe pra Deus é bela;
Acho que a mãe merecia
Dois corações dentro dela:
Um pra sofrer pelos fillhos;
Outro pra bater por ela.

João Paraibano (1952-2014)

Mãe casada ou mãe solteira
Pra mim as mães são iguais;
Se alguém quiser descobrir,
A falta que uma mãe faz.
Não pergunte a quem tem mãe,
Pergunte a quem não tem mais.

Raimundo Caetano

A mãe dá carinho ao pai
Ao filho que é mais profundo
Seu instinto é de zelar
O seu amor é fecundo
É a primeira professora
Que a gente tem nesse mundo.

João Santana

Pai vinha de São José
Com uma bolsa na mão
Minha mãe abria a bolsa
Me dava a banda de um pão
Porque se desse o pão todo
Faltava pro meu irmão.

Valdir Teles (1955-2020)

7 pensou em “AMOR MATERNO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

  1. Parabéns pela rica postagem, “AMOR MATERNO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS”, prezado Aristeu!

    A seleção de poetas está excelente. Todos os versos por eles escritos são lindos e emocionantes, Adorei!!!,

    Destaco:

    “A rede que hoje eu durmo
    Tem um cheiro diferente
    Da que eu tinha em minha infância
    Com meu irmão inocente
    Que tinha o cheiro das mãos
    De mãe balançando a gente

    Geraldo Amâncio”

    Grande abraço!

    • Violante,

      Agradeço o seu excelente comentário. Amor de mãe não espera nada em troca. É um compromisso eterno de dar mais do que as forças permitem, um esforço que transcende a capacidade humana. É dedicar um tempo maior que a própria vida e nunca ficar triste com a sua, a mesma que deixa para trás. Aproveito esse espaço democrático do Jornal da Besta Fubana para contar uma história do poeta e repentista Manoel Xudu (1932-1985).

      É verdade que uma tristeza e uma saudade infinita ficam depois que dizemos o último adeus à mãe querida. O repentista Manuel Xudu (1932-1985) descreveu essa dor com a suavidade dos seus versos quando, certa vez, foi desafiado a glosar o seguinte mote:

      Quem não tem mãe, tem razão
      De chorar o que perdeu.

      Xudu, então, improvisou de forma brilhante com versos que se eternizaram na memória dos que admiram a poesia pura do repente:

      Mamãe que me dava papa,
      Me dava pão e consolo,
      Dava café, dava bolo,
      Leite fervido e garapa.
      Uma vez, deu-me uma tapa,
      Mas depois se arrependeu,
      Beijou-me onde bateu,
      Desmanchou a inchação,
      Quem não tem mãe, tem razão
      De chorar o que perdeu.

      Desejo uma semana plena de paz, saúde, serenidade e alegria

      Aristeu

      • Obrigada, Aristeu, por compartilhar comigo estes versos preciosos do poeta e repentista Manoel Xudu (1932 – 1985), sobre o que representa a perda de uma mãe. Versos muito comoventes e verdadeiros.

        Uma ótima semana, com muita saúde e Paz!.

        Violante

  2. Um amor mais forte que tudo, mais obstinado que tudo, mais duradouro que tudo, somente o amor de mãe. As frases selecionadas representam o o enorme talento dos nossos cantadores de viola. A minha preferida é a do inesquecível repentista João Paraibano (1952-2014): Branca, preta, pobre e rica,/Toda mãe pra Deus é bela;/Acho que a mãe merecia/Dois corações dentro dela:/Um pra sofrer pelos fillhos;Outro pra bater por ela”.

    • Messias,

      Muito obrigado por seu notável comentário. Concordo que a sextilha de João Paraibano é de uma criatividade e beleza que enche de emoção de quem admira o maravilhoso mundo do repente.
      Aproveito a ocasião desse espaço democrático do JBF para compartilhar uma estrofe do poeta e repentista Zé Catota (1917 – 2009) com o prezado amigo:

      Estão vendo essa velhinha
      Toda envolvida num manto,
      Com os olhos rasos d’água,
      Tomando banho em seu pranto?
      Cantava quando eu chorava,
      Hoje chora quando eu canto!

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  3. Amor de mãe é algo que não se consegue explicar! São elas, nossas mães, que nos dão à luz, que nos amamentam nos primeiros meses de vida e que passam noites sem dormir. São elas que garantem que tenhamos tudo o que precisamos, do bom e do melhor. Se fosse votar em uma dessas pérolas do repente, eu não teria dúvida de dar o meu voto na sextilha de Raimundo Caetano: Mãe casada ou mãe solteira/Pra mim as mães são iguais;/Se alguém quiser descobrir,/A falta que uma mãe faz./Não pergunte a quem tem mãe,/Pergunte a quem não tem mais.

  4. Vitorino,

    Grato por seu formidável comentário. Amor de mãe é incondicional, isto é, significa amor pleno, completo, absoluto, que não impõe condições ou limites para se amar. Quem ama de forma incondicional não espera nada em troca. O amor está em primeiro lugar. O amor incondicional é generoso, altruísta e infinito. É por isso que há um dito popular que diz o seguinte:”Amor só de mãe”. Envio um poema de Mário Quintana (1906-1994) sobre o amor de mãe para o prezado amigo:

    Mãe

    Mãe… São três letras apenas
    As desse nome bendito;
    Também o céu tem três letras
    E nelas cabe o infinito.

    Para louvar nossa mãe,
    Todo o bem que se disser
    Nunca há de ser tão grande
    Como o bem que ela nos quer.

    Palavra tão pequenina,
    Bem sabem os lábios meus
    Que és do tamanho do céu
    E apenas menor que Deus!

    Saudações fraternas,

    Aristeu

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