ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

Amor de mãe é profundo
E seu instinto é quase santo
Faz de tudo nessa vida
Para o filho não verter pranto
No mundo não tem ninguém
Que saiba amar do seu tanto.

Valdenor de Almeida

Mãe é rosa no jardim
Virada pro sol nascente
Esposa e filha merecem
O nosso carinho ardente
Mas não há mulher no mundo
Do jeito da mãe da gente.

João Santana

Toda mãe pelo seu filho
Se iguala num só amor:
As mães de Cristo e de Judas
Sofreram da mesma dor;
Uma pelo filho justo,
Outra pelo traidor.

Domingos Martins da Fonseca (1913-1958)

Mãe é quem tem conteúdo
Zela o filho e adivinha
E tem filho que só descobre
Como mamãe é rainha
Depois que fica sem ela
Como eu fiquei sem a minha.

Hipólito Moura

Mamãe é ladainha
Que tem um valor sem fim
Quando eu agrado mamãe
Vejo ela num jardim
Se eu fizer mamãe chorar
Tenho raiva de mim.

Zé Viola

12 pensou em “AMOR MATERNO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

  1. Sou uma mãe muito romântica e, quando li este artigo, senti uma necessidade de dar uma opinião. Todas as estrofes são bem feitas e emocionantes, mas os versos do repentista Zé Viola é a minha preferida: Mamãe é ladainha/Que tem um valor sem fim/Quando eu agrado mamãe/Vejo ela num jardim/Se eu fizer mamãe chorar/Tenho raiva de mim.

    • Vânia,

      Grato por seu admirável comentário. Mãe ocupa um lugar único. É lar, abraço, sorriso, território de amor. Pode ser a mãe que gerou o filho, a adotiva que aprendeu a amar ou até aquela que nem é mãe ainda, mas tem um desejo imenso de ocupar esse papel e espera o tempo certo pra esse milagre acontecer.

      Aproveito esse espaço democrático do JBF para compartilhar um poema do poeta gaúcho Mário Quintana (1906 – 1994):

      Mãe

      Mãe… São três letras apenas
      As desse nome bendito;
      Também o céu tem três letras
      E nelas cabe o infinito.

      Para louvar nossa mãe,
      Todo o bem que se disser
      Nunca há de ser tão grande
      Como o bem que ela nos quer.

      Palavra tão pequenina,
      Bem sabem os lábios meus
      Que és do tamanho do céu
      E apenas menor que Deus!

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  2. Uma bela surpresa esta noite quando acessei o Jornal da Besta Fubana. Um ótimo artigo sobre o amor materno nos versos dos repentistas. Ser mãe não é ser perfeita, não é saber tudo de repente. É estar disposta a aprender o tempo todo, evoluir constantemente, crescer com os seus filhos e por eles, a cada passo do caminho. Os versos do repentista João Santana é de uma beleza ímpar: Mãe é rosa no jardim/
    Virada pro sol nascente/Esposa e filha merecem/O nosso carinho ardente/Mas não há mulher no mundo/Do jeito da mãe da gente.

    • Rafael,

      É gratificante receber seu competente comentário com uma reflexão sobre mãe que concordo em gênero, número e grau. Aproveito o mote para fazer uma breve observação sobre mãe.

      Sabe-se que o amor de uma mãe é capaz de todos os tipos de sacrifícios. Elas se dedicam de corpo e alma aos seus filhos, doando-se desde o nascimento até o fim de suas vidas! Esse amor é inquestionável e não pede ao filho nada em troca. Elas amam sem reservas e são capazes de dar a vida por seus filhos.

      Infelizmente, nem todos os filhos sabem reconhecer tanta dedicação. Passam a vida ao lado de suas mães e, acostumados com sua presença, deixam de valorizar a importância dela. Quase sempre reconhecem esse valor apenas quando são surpreendidos por uma doença ou até mesmo pela morte.

      Compartilho com o prezado amigo um poema de Cecília Meireles (1901 – 1964):

      Vigília das Mães

      Nossos filhos viajam pelos caminhos da vida,
      pelas águas salgadas de muito longe,
      pelas florestas que escondem os dias,
      pelo céu, pelas cidades, por dentro do mundo escuro
      de seus próprios silêncios.

      Nossos filhos não mandam mensagens de onde se encontram.
      Este vento que passa pode dar-lhes a morte.
      A vaga pode levá-los para o reino do oceano.
      Podem estar caindo em pedaços, como estrelas.
      Podem estar sendo despedaçados em amor e lágrima.

      Nossos filhos têm outro idioma, outros olhos, outra alma.
      Não sabem ainda os caminhos de voltar, somente os de ir.
      Eles vão para seus horizontes, sem memória ou saudade,
      não querem prisão, atraso, adeuses:
      deixam-se apenas gostar, apressados e inquietos.

      Nossos filhos passaram por nós, mas não são nossos,
      querem ir sozinhos, e não sabemos por onde andam.
      Não sabemos quando morrem, quando riem,
      são pássaros sem residência nem família
      à superfície da vida.

      Nós estamos aqui, nesta vigília inexplicável,
      esperando o que não vem, o rosto que já não conhecemos.
      Nossos filhos estão onde não vemos nem sabemos.
      Nós somos as doloridas do mal que talvez não sofram,
      mas suas alegrias não chegam nunca à solidão de que vivemos,
      seu único presente, abundante e sem fim.

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  3. Sinto-me homenageada com este artigo. O trabalho de uma mãe é diário. Não tem final de semana, não tem férias, não tem feriado, não tem nem atestado. O compromisso com os meus filhos é ininterrupto e eu preciso estar a postos no momento em que precisarem de mim, não importa quando nem onde. Pode parecer cansativo — e é. Mas também é muito recompensador. Tudo que eu faço é para vê-los felizes e não me arrependo um segundo sequer.
    Todas as sextilhas possuem a qualidade e inspiração que caracterizam os cantadores de viola, porém os versos do repentista Hipólito Moura são divinamente belos: Mãe é quem tem conteúdo/Zela o filho e adivinha/E tem filho que só descobre/Como mamãe é rainha/Depois que fica sem ela/Como eu fiquei sem a minha.

    • Parabéns, Aristeu, pela linda postagem, “AMOR MATERNO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS”!
      Todas as sextilhas são lindas, com destaque para a do repentista Zé Viola.

      Uma ótima semana!

      • Violante,

        Grato por seu excelente comentário. Você teve uma mãe que proporcionou uma educação dentro dos princípios cristãs tornando-a essa pessoa realizada e assistencial com todos que precisam de uma orientação, um conselho e um amparo. É interessante observar que uma boa filha será uma boa mãe. Deve existir o fator genético, entretanto é também importante a convivência e o exemplo do dia a dia.

        Aproveito esse espaço democrático do Jornal da Besta Fubana para compartilhar um poema de Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987):

        Para Sempre

        Por que Deus permite
        Que as mães vão-se embora?
        Mãe não tem limite
        É tempo sem hora
        Luz que não apaga
        Quando sopra o vento
        E chuva desaba

        Veludo escondido
        Na pele enrugada
        Água pura, ar puro
        Puro pensamento
        Morrer acontece
        Com o que é breve e passa
        Sem deixar vestígio

        Mãe, na sua graça
        É eternidade
        Por que Deus se lembra
        Mistério profundo
        De tirá-la um dia?

        Fosse eu rei do mundo
        Baixava uma lei
        Mãe não morre nunca
        Mãe ficará sempre
        Junto de seu filho
        E ele, velho embora
        Será pequenino
        Feito grão de milho

        OBS. Esse poema integra o livro Lição de Coisas, lançado em 1962 por Carlos Drummond de Andrade. Nele, Drummond apresenta a mãe como uma ideia de eternidade, como uma figura que se une à natureza e está presente na vida do filho ou da filha de forma quase onipresente.

        O escritor indaga à Deus o motivo das mães partirem, dizendo que o sentimento por elas, na verdade, nunca morre, que não importa quanto tempo passe, o vínculo será eterno.

        Desejo uma semana plena de paz, saúde e harmonia

        Aristeu

        • Obrigada, Aristeu, pelas palavras elogiosas dirigidas a mim e à minha saudosa Mãe!
          Obrigada, também, por compartilhar comigo este belíssimo poema de Carlos Drummond de Andrade, “Para Sempre”, que retrata a dor e o desespero sem limite, de quem perde a Mãe. A dor da orfandade não tem idade.
          Concordo com Drummond. Mãe deveria existir para sempre!!!.

          Uma ótima semana, com muita saúde e Paz!

    • Denise,

      Muito obrigado por seu importante esclarecimento sobre as tarefas diárias de uma mãe. Toda mãe é capaz de oferecer amor aos filhos, não importa como eles sejam e as condições pelas quais tenham que passar. Não é necessário que os filhos ganhem o amor da mãe, isso é algo que vem naturalmente . E à medida que aumenta o número de filhos, aumenta também o amor, para que todos possam sentir aquela segurança que ele oferece.

      Compartilho um poema de Vinicius de Moraes (1913-1980) com a prezada amiga:

      MINHA MÃE

      Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
      Tenho medo da vida, minha mãe.
      Canta a doce cantiga que cantavas
      Quando eu corria doido ao teu regaço
      Com medo dos fantasmas do telhado.
      Nina o meu sono cheio de inquietude
      Batendo de levinho no meu braço
      Que estou com muito medo, minha mãe.
      Repousa a luz amiga dos teus olhos
      Nos meus olhos sem luz e sem repouso
      Dize à dor que me espera eternamente
      Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
      Do meu ser que não quer e que não pode
      Dá-me um beijo na fronte dolorida
      Que ela arde de febre, minha mãe.

      Aninha-me em teu colo como outrora
      Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
      Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
      Dorme. Os que de há muito te esperavam
      Cansados já se foram para longe.
      Perto de ti está tua mãezinha
      Teu irmão, que o estudo adormeceu
      Tuas irmãs pisando de levinho
      Para não despertar o sono teu.
      Dorme, meu filho, dorme no meu peito
      Sonha a felicidade. Velo eu.

      Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
      Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
      Dize que eu parta, ó mãe, para a saudade.
      Afugenta este espaço que me prende
      Afugenta o infinito que me chama
      Que eu estou com muito medo, minha mãe.

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  4. Aristeu,
    Agradeço pela homenagem que fizestes as mães. Me incluo na lista de mãe, avó e bisa de duas lindas meninas.
    Minha rainha já partiu para a verdadeira morada, então escolhi para homenagea-la…
    ❤️
    Mãe é quem tem conteúdo
    Zela o filho e adivinha
    E tem filho que só descobre
    Como mamãe é rainha
    Depois que fica sem ela
    Como eu fiquei sem a minha.

    Hipólito Moura.
    Gratidão. Feliz semana!
    Carmen.

    • Carmen,

      Grato por seu primoroso comentário. Parabéns por ser mãe, avó e bisavó. Ser mãe é sentir um amor incondicional e sem limites. A mãe ensina a amar, perdoar, compreender, ter tolerância e não pedir ou desejar nada em troca. É ser guerreira e nunca se sentir sozinha, porque passa a viver pensando por dois e em função do outro.

      A mãe é a primeira educadora do homem; ela o molda para viver as virtudes, o amor ao próximo, a civilidade, e desenvolver todos os seus talentos para o bem próprio e dos outros.

      Aproveito a oportunidade para compartilhar um poema de Cora Coralina (1889-1985) com a prezada amiga:

      MEIAS IMPRESSÕES DE ANINHA
      (mãe)

      Renovadora e reveladora do mundo
      A humanidade se renova no teu ventre.
      Cria teus filhos,
      não os entregue à creche.
      Creche é fria, impessoal.
      Nunca será um lar
      para teu filho.
      Ele, pequenino, precisa de ti.
      Não o desligues da tua força maternal.

      Que pretendes mulher?
      Independência, igualdade de condições…
      Emprego fora do lar?
      És superior àqueles
      que procuras imitar.
      Tens o dom divino
      de ser mãe
      Em ti está presente a humanidade.
      Mulher, não te deixes castrar.
      Serás um animal somente de prazer
      e ás vezes nem mais isso.
      Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
      Tumultuada, fingindo ser o que não és.
      Roendo o teu osso negro da amargura.

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  5. Maio de mãe e Maria,
    De novenário e de flor.
    Mãe é a rosa preciosa
    Maria é luz e calor,
    Iluminando a estrada
    De toda mãe devotada,
    Que opera em nome do amor.
    Foto e versos de Dalinha Catunda

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