ACÁCIO SABUGUEIRO - MIOLO DE POTE

Quando posso, e também quando não posso, saio de casa e caminho até o Bar do Barbudo, um sujeito careca e imberbe, que mantém o furdunço cerca de 600mt de minha casa.

No último sábado, 16, estava eu ali esperando o início do jogo do meu Vascão contra o Coritiba quando, aparentando já ter enxugado algumas devassas, compadre Jeremias, que me deu a liberdade de chama-lo Mimi, me avistou. Não tive como evitar aquela fala chuviscada e, cometendo grande erro, o convidei para sentar. Mas, fui logo avisando: quando começar o jogo do Vascão compadre, você fique calado.

Aparentemente Ele entendeu o recado, mas aproveitou para fazer um convite:

– Cumpade Acácio, amenhã é o niversaro do seu afiado Ribamar. A mulé arresolveu fazer uma comemoraçãozinha pra agradar o bixim. Vá lá nim casa e leve minha cumade.

Como pedi para ele não atrapalhar quando o jogo começasse – e o hino nacional já estava sendo cantado no serviço de autofalante – ele foi curto e grosso. Fiz com o polegar da mão esquerda que estava dado o recado. E ele voltou para onde estava sentado com alguns pinguços.

O jogo começou.

O Vascão precisava ganhar, mesmo que a vitória ajudasse ao Botafogo, impedindo o avanço do Coritiba. Mas o Vascão também melhoraria muito sua posição, e acendia o pavio da lamparina da esperança de voltar para a elite.

A cada ataque do Vascão, Mimi olhava pra mim e fazia sinal de positivo com o polegar. Quando o Vascão marcou o primeiro gol, Mimi fez o mesmo sinal mas, agora, com os dois polegares.

Como diz meu amigo Luiz Berto, meu avalista nas lojas de eletrodomésticos, Mimi é meu xeleléu.

Fim do jogo. O Vascão ganhou. Quando procurei Mimi com os olhos, não o encontrei mais. Ainda bem!

No dia seguinte, no final da tarde, arrumei minha Monark, botei minha mulher na garupa e fomos para o “niversaro” do afiado. Como presente ao aniversariante, levei um saco cheio de cabiçulinhas, das quais nunca consigo me separar desde o tempo de menino brincando na rua.

Do quintal, a generosidade do vento trouxe aquele cheiro que, para mim, não era desconhecido.

Em dois copos que continham massa de tomate na semana passada (e ainda com os rótulos!), minha comadre nos serviu “aluá de casca de abacaxi” temperado com cravinho. Os copos, carregados num prato refratário.

Noutro prato, pedaços de “úbere vaquino (bovino)”. Era o que tinha sido anunciado pela generosidade do vento.

– Cumpades, vosmecês conhecem essas maravias?

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