CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

O mundo começa a pensar nas prováveis alterações comportamentais que obrigatoriamente serão exigidas, após a passagem do coronavírus. Pelos menos, a maioria das pessoas acredita que a pandemia veio para abrir os olhos da humanidade que vivia imaginando ser inatingível por graves doenças.

As conclusões surgiram depois que o Covid-19 obrigou os países adotar medidas radicais, na tentativa de baixar a curva da doença infecciosa, que de repente extrapolou. Duplicou o número de internações forçadas, aumentou a utilização de vagas na UTI, dilatou os registros na quantidade de óbitos diários. Tanto o isolamento social, quanto as estatísticas de mortalidade impressionam. Por conterem registros desagradáveis.

De fato, não é mole, de uma hora para a outra as pessoas se virem afastadas de obrigações e dos meios de diversão. Para as crianças, o fechamento das escolas, obrigando a meninada a ficar trancada em casa, sem poder correr, brincar à vontade no parque ou com os coleguinhas, é uma lástima.

Também para os adultos, está sendo duro se afastar dos estádios nos jogos de futebol, arredar pé dos teatros, sumir de restaurantes, ausentar-se das reuniões com amigos e dos papos legais nos bares, regados a geladinhas.

Até viajar, ficou diferente e daqui pra frente pode mudar muita coisa, pois tudo depende como estarão as fronteiras internacionais, fechadas ou abertas. Quantas vagas estarão disponíveis nos aviões. Por enquanto, as aeronaves são obrigadas a manter a metade das vagas desocupada para evitar contaminação geral.

O ruim da história é imaginar que essas medidas de restrição, tomadas no auge da pandemia, foram de fato temporárias ou ficarão em vigor por mais algum tempo. Se realmente terão de serem estendidas por mais um bom período ou quem sabe por mais um semestre, depois que a segunda onda da pandemia, ora em plena atividade, passar. Dar adeus para sempre ou pelo menos tornar-se mais branda.

Os registros da pandemia são assustadores. Comove a quantidade de infectados diariamente, através do contato direto ou indireto com o doente. Desde que surgiu em Wuhan, na sétima maior cidade da China, capital da província de Hubei, o novo coronavirus tem causado muitas tristezas na humanidade que não estava preparada para enfrentar a besta fera.

A população da 42ª maior cidade do mundo, Wuhan, de repente perdeu a liberdade de fazer o que quisesse, por causa do coronavírus. Na época do aparecimento, as pessoas perderam a permissão de circular nas ruas. O transporte público urbano, constituído de metrô, trens, balsa e ônibus intermunicipal teve de parar ou tomar precauções. Até o aeroporto internacional da cidade chinesa também teve de trancar o movimento por um bom período.

Infelizmente, a pandemia faz miséria, também no Brasil. No momento, o país é o segundo na estatística mundial, atrás dos Estados unidos, o atual campeão em óbitos ocasionados por essa miserável doença.

Realmente, as consequências da pandemia são nefastas. O impacto bateu forte no mundo globalizado. Paralisou economias, enfraqueceu o comércio mundial, diversas fronteiras comerciais foram fechadas, derrubou bolsas de valores, cancelou eventos por aí afora, abalou o turismo. A pior consequência foi implantar recessão em muitos países. O Brasil, como sempre despreparado, está seriamente ameaçado de prolongar a estagnação da atividade econômica por mais um longo período.

Imagine a economia mundial sofrer graves abalos, com repercussão na produção industrial, no comércio, no emprego e, especialmente, na renda da sociedade.

O pior de tudo, na concepção de especialista, é a duração dos efeitos negativos se estender por anos. Retardando a recuperação econômica em muitos países.

Todavia, enquanto a retomada econômica não aparecer, os registros vão marcando seguidas derrotas. Na China, o PIB caiu 6,8% no primeiro trimestre deste ano. Na zona do euro, a queda do Produto Interno Bruto do período foi de 3,8%. A Organização Mundial do Comércio (OMC) estima um recuo de 32% para 2020.

No geral, o quadro é desalentador. Em virtude da consequente quebrada das cadeias globais de produção e da derrubada de demanda, muitos acontecimentos econômicos e sociais tiveram de ser cancelados. Viagens, negócios e eventos, como shows, festivais, lançamentos de filmes e de carros foram desfeitos. Até a Olimpíada de Tóquio foi adiada para 2021.

Pelas estimativas, é possível a economia mundial entrar numa fria. Registrar o pior desempenho desde a Grande Depressão de 1929, de acordo com análise do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Dos atuais 193 países registrados pelos órgãos competentes no mundo, tudo indica que 154 deles, representando 80% do total, entraram pelo cano. Marcaram declínio na atividade econômica. Por enquanto, nesta etapa de retrocesso, Alemanha e Japão marcam presença.

Para aliviar a barra, alguns bancos centrais entraram na dança da colaboração. Outras empresas também tentam ajudar o mundo a sair dessa gangorra. Anunciam redução da taxa de juros, de lucros, de investimentos, prometendo, sobretudo, facilidade na concessão de empréstimos de socorro. Só que para a sociedade, os resultados demoram a aparecer.

O bom o mundo permanecer precavido. Não deixar a peteca cair até a poeira baixar. Além da economia em parafuso, da queda de exportações de matéria-prima, do emprego e da renda sofrerem violentos abalos, a política e as relações sociais permanecerão estremecidas por mais um período. Até o turismo de negócio teve de barrar a euforia. Quem sabe, é provável o distanciamento social impor novos costumes na sociedade, alterar alguns conceitos de comportamento. Quem sabe, tudo é possível.

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