CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

75 ANOS DE RAUL ROCK SEIXAS

Raul Santos Seixas ou Raul Rock Seixas, faria 75 anos neste domingo (28). lamentavelmente, Raul nos deixou em agosto de 1989, acometido de pancreatite crônica, hipoglicemia e parada cardiorrespiratória, por consumo exagerado de vodka com crush, mas suas músicas continuam eternas. Pensando bem, quem foi Raul Seixas?!?!?! Raul era um cara muito diferente dos demais de sua época, ele não vivia e nem falava coisas atuais, ele estava sempre além da realidade em todos os sentidos. Muitos o chamavam de louco, mas será que ele era mesmo maluco? O que podemos analisar entre loucura e razão? Há quem diga que, a loucura não existe sem razão e nem a razão sem a loucura. Uma pessoa considerada louca em uma certa época, poderá ser considerada um gênio em outra. Ao longo da história da humanidade todas as pessoas que foram consideradas loucas com suas invenções criativas, mais tarde foram reconhecidas como grandes gênios.

Seixas teve muita dificuldade em adaptar-se por ver as coisas por uma ótica diferente, ele não se conformava com as mesmices de todos, ele era um protestante às ideias consideradas “IMEXÍVEIS” pela sociedade. E neste mundo em que vivemos, quando uma pessoa tem uma visão diferente dos demais, a pessoa começa a ser excluídas dos diversos grupinhos de luluzinhas que existe por aí. Santos Seixas tinha uma ideia muito forte do que era a vida, e batia contra muitos movimentos considerados fechados na sociedade, tanto político como religioso. Ele foi filósofo, músico, cantor, compositor e ator, como também cursou filosofia na universidade da Bahia.

Em sua meteórica carreira, chegou um determinado momento na vida que ele foi se distanciando de Deus ou das coisas sagradas que ele mesmo lera na Bíblia, e começou a se interessar pela filosofia de Aleister Crowley e do caminho do egoísmo, como ele mesmo se declarava: “Eu sou egoísta”. O Nosso querido Raul Seixas findou o seu tempo e partiu para o mundo das eternas dimensões. No tocante ao seu distanciamento da religião, ele mesmo cantou na música : EU NASCI HÁ DEZ MIL ANOS ATRÁS. O nosso espírito na verdade é antiguíssimo, todos nós já existíamos antes de ganharmos um corpo humano. Mas a igreja romana fez de tudo para ninguém jamais saber de nada. Já na música PEDRO ele arremata: eu não tenho nada a ti dizer / Mas não me critique como eu sou / Cada um de nós é um universo, / Pedro, onde você vai eu também vou…

Uma coisa que se aprende ou detecta-se nas letras de Raul é que, de um modo geral, todo cidadão comum nessa sociedade de consumo ou dos Shoping Center almeja comprar um carro do ano, comprar uma casa, morar num lugar maravilhoso, mais as pessoas que chegam lá, com o passar do tempo, percebem que tudo isso é vazio, lutou a vida inteira que nem um doido, um doente mental para conquistar. E aí chega… Daí percebe que tudo isso é um enorme vazio. Aparece a depressão, começa a vir a angústia, haja vista não ter sentido as pessoas desesperadamente lutarem tanto para viver uma vida sem sentido. Raul, deixa tudo isso muito claro quando compôs OURO DE TOLO e numa das estrofe ele diz: “…E você ainda acredita que é um doutor, um padre ou policial que está contribuindo com sua parte para esse belo quadro social… Nessa música ele retrata, nas entrelinhas, a repressão, a mesmice, e a chamada tolice ou babaquice.

Quando é lembrada a passagem dos seus 75 anos de idade, vem a nossa mente a certeza que nas décadas de 50, 60, 70 e 80 houve uma geração de brasileiros que acompanhou os três maiores caipiras da música mundial: Luiz Gonzaga que nasceu em Exu, Elvis Presley em Memphis e Raul Seixas na Bahia… Quem neste mundão de my god é cinquentão curtiu adoidado o Mensageiro ou Profeta do Apocalipse no final de uma era nas saudosas décadas de 70/80 do Século passado. Quem viajou no TREM DAS SETE sabe muito bem do que estou falando… Raul Seixas era um poeta, místico e filósofo catastrófico. Raul Seixas deixou um vácuo gigantesco na música e na cultura moderna, especialmente no que diz respeito a sua mensagem que não foi completada por ter morrido com apenas 44 anos de idade, lamentavelmente.

Por fim, a trajetória do carimbador maluco, mais conhecido como Maluco Beleza sempre esteve atrelada a um certo tom místico e visionário, mas ninguém imaginava que uma letra de sua autoria juntamente com Cláudio Roberto pudesse falar tanto de 2020 quanto O DIA EM QUE A TERRA PAROU. Todo o desenrolar da letra relata um dia em que o mundo inteiro decidiu não sair às ruas, curiosamente, muito semelhante ao cenário imposto pela pandemia dessa praga esquerdista “incarnada” altamente contagiosa e letal que é o tal do COVID-19. A letra da música trata de uma narrativa muito atual, a “antevisão” de Raul falhou em um pormenor ou particularidade. A letra diz que “o doutor não saiu pra medicar, pois sabia que não tinha mais doença pra curar”, ou seja, o enclausuramento imaginado pelo compositor não parece ter relação com a realidade, haja vista que os dirigentes do país não estão nem aí com a pandemia, há um deles, diga-se de passagem, um bunda suja, que chama isso de uma simples gripezinha, pois o que eles sabem e fazem muito bem é politicar. O mesmo não se pode dizer dos profissionais de saúde, a turma do jaleco branco: esses sim, saíram de casa para medicar porque sabiam que tinha uma doença pra curar…

24 pensou em “ALTAMIR PINHEIRO – GARANHUNS-PE

  1. A música PEDRO resume cada um de nós: eu não tenho nada a ti dizer / Mas não me critique como eu sou / Cada um de nós é um universo, / Pedro, onde você vai eu também vou…

    Grande lembrança, grande Rauzito, imenso Altamir…

  2. Genial, Grande Desassombrado Altamir Pinheiro, a homenagem!

    Raul Seixas, que foi certeiro em versos curtos, como bem lembrou o nobre Sancho Panza: “E eu não tenho nada a te dizer/ Mas não me critique como eu sou/ Cada um de nós é um universo, Pedro/ Onde você vai eu também vou.”

    DEMOCRACIA É ISSO AÍ! Cada um tem sua opinião e merece ser respeitada.

    • Sim………
      Mas, e sempre existe um mas, as decisões deverão ser sempre em função da MAIORIA e não como está hoje, sendo distorcida para atender uma minoria calhorda e barulhenta ……

  3. Prezado Altamir Pinheiro,

    O senhor estava se saindo até bem em sua elegia ao grande Rauzito mas, maldito mas, poderia ter feito muito melhor se não concluísse com a ofensa gratuita a quem disse que essa doença era só uma gripezinha, já que, na realidade É!

    • Interessante!!! No meu entender o melhor do texto que eu achei é justamente quando me refiro ao Bunda Suja. Até porque, em política, tanto para escrever como para comentar eu não me acho. Na verdade, eu sou um cracasso!!!

    • Sr. Adônis,

      é como diz aquela máxima “nikolaiheliana”:

      “Quando a ode a Raul Seixas é de um nativo da terra das Sete Colinas, se não caga na entrada, caga na saída.”

      Se tivesse lido a mim, não teria se surpreendido com isso.

  4. Parabéns, prezado Colunista Altamir Pinheiro, pela belíssima homenagem ao grande compositor

    Raul Seixas, no dia em que completaria 75 anos (28/6/2020).

    Grande abraço!

  5. Enfim um grande artigo. Uma grande e merecida homenagem ao futuroso Raul Seixas.
    Para o Amigo Altamir, só tenho a dizer que este seu artigo de hoje é uma
    obra prima, quanta sabedoria, quanta filosofia está incrustada nessa justa
    homenagem ao compositor futurólogo, com conhecimentos exotéricos um
    tanto alem da nossa visão opaca da realidade.
    Altamir , meu caro, nem só de cinema vive o homem certo ? , acho que o seu
    conhecimento da vida e da reação da humanidade em frente àquilo que não
    desejam ver é motivo bastante para que você escreva muitos artigos como
    este, que só pode ser entendido por aqueles que sabem ler nas entrelinhas,
    verdade ?
    As letras das musicas do Raul são premonições certas ( Muitas escritas pelo místico escritor Paulo Coelho, outro conhecedor de futurologia ) apear das críticas dos invejosos que dizem que ele só escreve bobagem, mas adoram Agatha Cristhe como uma grande escritora …….. A letra mais impactante a meu ver
    é àquela que diz : O DIA EM QUE A TERRA PAROU. Pois para mim ela já
    está parada a algum tempo e os idiotas ainda não perceberam.

    • D.Matt., Raul Seixas foi um gigante quando teve Paulo Coelho como parceiro letrista, assim como o foram Luiz Gonzaga com Humberto Teixeira e Zé Dantas, este, segundo Luiz Gonzaga, era tão nordestino que tinha cheiro de bode na pele.

      • Prezado TAVARES,

        No meio artístico, há quem diga que, Paulo Coelho era um CARONEIRO nas letras de Raul. Depois de pronta, Raul mostrava a Paulo e ele apenas fazia alguns retoques, porém exigia que a composição fosse em nome dos dois.

        P.S.: – A mãe do Raul afirmava com todas as letras que Paulo Coelho sempre foi um BIGUZEIRO ao se aproveitar do “amigo” Raul que era um babaca e acreditava em todo mundo por não possuir malícia alguma…

  6. Pena Altamir que vc Caetaneou neste seu artigo. Começou bem com o assunto de músicas um de meus ídolos, o saudoso raulzito. Mas fez lambança bem típica do Caetano Veloso quando enveredou pra falar de politica. Só faltou defender os Black blocs

    • Senhor,

      Seria de bom alvitre você se aprofundar não no campo da análise sintática, mas do caratismo, o significado desta frase a respeito dos meus escritos:

      Sua AUSÊNCIA preenche uma grande LACUNA…

  7. Premonições? Que nada! Muito uísque e alguns alucinógenos na cabeça, após leituras de teorias loucas. Só! O que passa disso são coincidências.
    Premonições? Já, já alguém dirá que ele previu uma certa facada quando cantou os versos “mamãe não quero ser prefeito / pode ser que eu seja eleito / e alguém pode querer me assassinar” (Cowboy Fora-da-lei). Tenho o LP, como tantos outros de Raul.
    Se gosto de sua obra? Prestei-lhe “apenas” homenagem pondo o nome do meu mais velho de Raul.
    Será que gosto?

    • Prezado Jesus de Ritinha de Miúdo: amante das coisas de raízes,

      Raul tinha uma opinião bastante sofisticada a respeito da letra de COWBOY FORA DA LEI – ele viajava no cometa da iconoclastia, quando falava sobre o peso da responsabilidade de ser um ícone, bem como os riscos de vida do mesmo. SENÃO VEJAMOS: “Mamãe não quero ser prefeito, pode ser que eu seja eleito, e alguém possa querer me assassinar…(…)… “Papai não quero provar nada, eu já servi a pátria amada, e todo mundo cobra minha luz… minha luz… ó coitado, foi tão cedo, deus me livre eu tenho medo, morrer dependurado numa cruz…”

      P.S.1.: – Raul costumava afirmar que Luiz Gonzaga foi o rei do rock; enquanto o caipira Elvis Presley era considerado o rei do baião…

      P.S2.: – É só apreciar esse rock pauleira: Vem cá cintura fina / Vem cá meu coração / Vem cá cintura fina / Cintura de pilão…

  8. Eu tinha comentado e acho que sumiu ou eu digitei e esqueci de enviar, dado vá emoção. Sou fã desse doido. Sancho falou sobre Pedro, mas tem umas inesquecíveis. Tente outra vez, Reformulation, medo da chuva ( porque quando eu jurei meu amor eu trai a mim mesmo, hoje eu sei que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez). Tenho todos os discos em vinil, inclusive Raulzito e os Panteras até panela do diabo. O último com Marcelo Nova. Em comprei tudo que era Cd.

    • Eu tinha todos os LP’s.
      Até aquele gravado na Sociedade Esportiva Palmeiras, que só quem é fã de verdade tem.
      Outro muito bom Raul Rock Seixas – 20 anos de Rock. Esse é uma viagem pela história do rock.
      Assuero, você conhece The Diary?

  9. Assuero,

    No campo da dependência amorosa de quando um homem se faz prisioneiro de um amor de uma mulher, sem sombra de dúvida, MEDO DA CHUVA é imbatível. além de ser uma das mais belas e poéticas músicas de Raul, trata da escravidão que pode ser uma vida a dois quando se tem uma esposa possessiva e ditatorial. “é pena, que você pense que sou seu escravo… dizendo que sou seu marido e não posso partir…”

Deixe uma resposta