CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

COMENTÁRIOS SOBRE A ENTREVISTA DE SÉRGIO MORO AO FANTÁSTICO

Em entrevista à repórter Poliana Abritta, no Fantástico, o ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública Sergio Moro tentou, mais uma vez, depois de outra passagem pela Globo, comentários na mídia e em sua conta no Twitter, justificar o erro que cometeu quando resolveu virar a mesa e sair como vítima e herói ao mesmo tempo, ao pedir seu desligamento do cargo.

Deve estar agora frustrado com o resultado de sua lambança, bem diverso do que previa, pois em lugar de favorecê-lo, como talvez tenham previsto aquele ou aqueles que, supomos, o tenham aconselhado a dar este passo e ainda de forma espetaculosa, como o foi, certamente por força de alguma sugestão maluca de aliados de última hora ou até de sua mulher, esperançosa de um dia se tornar a primeira dama, por que não ¿

O fato é que o resultado de suas acusações revelou-se pífio, e estas manifestações tuitadas, entrevistas, etc.; são tentativas de melhorar suas acusações sem provas e de fraca repercussão naquilo que interessa, ou seja, a prova de interferência política do presidente nas ações da Polícia Federal.

No vídeo da entrevista, a Policia Federal é mencionada 20 vezes, tanto pela repórter quanto pelo entrevistado, mas apesar da alegada interferência na Polícia Federal ser o tema central, por ser de maior interesse, ante ter sido eleito como causador da ruptura do Ministro com o Governo, não se verifica nas perguntas e nas respostas evidências claras de ações indevidas do Presidente no sentido de direcionar à PF, através de qualquer dos seus componentes, ordens no sentido de, por exemplo, retardar, promover ou estimular ações. Também o ex-Ministro também não chega a afirmar isto ou aquilo, limitando-se a emitir suas deduções diante das cobranças do Presidente por uma ação mais efetiva em favor de sua segurança pessoal e dos familiares, bem como buscou chacoalhar a inércia de quem deveria agir, em relação aos abusos e arbitrariedades dos Prefeitos e Governadores perante a população, onde algumas pessoas foram presas, depois de brutalizadas por policiais civis, militares e guardas municipais, ao serem colocadas à força em camburões e até algemadas.

“Num tô guentando… Num dá mais pra segurar…”

Reclamar destas coisas é interferir ou é o cumprimento de um dever,¿ o de proteger o cidadão de bem, impotente ante policiais armados e em grande número, se desarmados, caso dos GM de Araraquara ao prender uma mulher em praça pública por estar fora de sua casa, simplesmente por isto.¿¿¿¿

O Dr. Sérgio Moro, escaldado face uma manifestação do Ministério Público de que poderia ser enquadrado em calúnia e difamação caso não provasse as suas acusações, comportou-se, no depoimento ao STF e em suas demais manifestações, com muita cautela, afirmando reiteradamente que, apesar de estar acusando o Presidente de condutas a seu ver irregulares, não poder afirmar que o mesmo cometeu algum crime., deixando o julgamento a cargo da Justiça.

A entrevista durou cerca de 20 minutos e foi um primor de inutilidade, lembrando os pronunciamentos do Ex Ministro Delfim Neto na televisão, na época da ditadura, onde ele, discorrendo sobre a eco0nomia da época, falava, falava, falava e não dizia absolutamente nada. Espantoso como era ouvido, dizia abobrinhas e ninguém dava bola. O Moro está assim ! Pensasse melhor, tapasse os ouvidos a certos arautos e não estaria hoje nesta angustia de tentar provar a sua tese sob pena de ver diminuída (ainda mais) a sua biografia que dizia querer preservar.

Na entrevista, o ex-juiz começou dizendo que nunca teve a intenção de prejudicar o governo de qualquer maneira, mas que se sentiu na obrigação, ante a interferência política do Presidente da República, tanto na direção geral, como também na superintendência do Rio de Janeiro, que era sua obrigação revelar ao mundo as razões de sua saída. Esqueceu as boas maneiras, pois deveria antes ter exposto as suas razões ao superior. Da forma como fez, revela-se falsa a afirmação de que não queria prejudicar o governo, já que o seu pedido de demissão foi público, filmado e televisado, o que denota a busca do impacto, do sensacionalismo, em ato puramente teatral, de caso pensado.

Na argumentação do Moro à repórter sobre as razões pelas quais entendia que o Presidente interferia na PF, disse que, evidenciava esta interferência, a afirmação do Presidente que “queria trocar, intervir, porque os serviços de inteligência não funcionavam, ele precisava trocar”. E conclui dizendo: Sergio Moro: “E ele ali, me parece claro, até pelo gestual que ele realiza, que ele se refere a mim.” Como visto, as argumentações são fracas, ausentes os elementos aptos a formar uma convicção, salvo melhor juízo.

Não é segredo a ninguém que o Presidente Bolsonaro foi esfaqueado em 6 de Setembro de 2018, em Juiz de Fora e que até o presente momento nada foi esclarecido. A procura de pistas, a Polícia Federal esbarrou com a proibição de identificar os patrocinadores dos quatro advogados que, até de jatinho, acorreram imediatamente àquela cidade para dar-lhe assistência jurídica. Proibidos pela “ética” de identificar quem os estava pagando, o governo foi à Justiça, mas uma decisão liminar, em atendimento a um pedido da OAB nacional, impediu a realização de perícia no celular do Dr. Zanone, um dos advogados de Adélio Bispo.

Esta indefinição, o desconhecimento da identidade dos verdadeiros culpados, acrescido de várias ameaças de morte, via internet, além de outras declarações hostis de vários inimigos políticos, inclusive ex-aliados, como o Deputado Alexandre Frota, aquele ex baba ovo que um dia levou Carlos Alberto de Nóbrega ao Congresso, lembram ¿ Depois de expulso do PSL por críticas públicas ofensivas ao Presidente em Agosto 2019, disse dois meses depois que o Adélio foi incompetente ao não ferir de morte o mandatário, permitindo-lhe a recuperação.

Com tudo isto, fica claro que é legítima a preocupação Sr. Presidente com sua segurança e de seus familiares. Penso que ele acorda todo o dia perguntando-se se não será o último. É o que sente o soldado que acorda no campo de batalha, ao vestir as botas para mais um dia. É c0mo eu me sentiria, mormente se já houvesse sido esfaqueado e tivesse `no meu entorno tantos inimigos sedentos de poder e dinheiro, a ponto de sentirem há muito os efeitos da síndrome de abstinência. Nestas condições vale tudo, até assassinato, como já tentado.

À maioria das indagações da repórter, houve respostas evasivas, como quando ela perguntou se o Presidente comentou que estava preocupado com a possibilidade de alguém vir a prejudicar familiares e amigos, preocupação esta externada até na mesma reunião, Moro respondeu “Sergio Moro: : Quem tem que dar essa explicação, quem tem que esclarecer o sentido dessas afirmações, a meu ver, é o Planalto, e não o ex-ministro da Justiça. Veja, o presidente, ele externou publicamente, diversas vezes, as preocupações que ele tinha em relação aos filhos dele, né? O que existe é todo um contexto, que é a necessidade externada pelo presidente de colocar pessoas de confiança dele e uma insatisfação com serviços de inteligência que eram prestados pela PF”. Quer dizer, falou, falou e nada disse. Não respondeu à acusação de que era omisso e ainda ajudou o Presidente ao dizer que reconhece que as preocupações se referiam aos filhos, o que é natural a quem sofreu uma tentativa de assassinato ainda sem solução, daí que quando usada a palavra “prejudicar”, deve-se entender como medo de algum atentado aos familiares, plenamente justificável, haja visto a quantidade de malucos soltos, que fazem tudo por dinheiro, como deve ter sido o caso do Adélio.

Por tudo isto, achamos que o Dr. Moro comportou-se como um parvo, atoleimado, omisso, um sujeito que estava dentro do governo, mas para trabalhar dentro de seu gabinete, não incomodar ninguém e não ser incomodado, como quando era juiz. Ele saiu do cargo de juiz, mas a juízite não o deixou. Se não, como explicar estas declarações, dignas de uma pessoa vacilante e omissa, como quando diz, de forma cândida, ao tentar justificar sua letargia frente aos acontecimento0s à sua volta : Sergio Moro: Veja, o presidente, ele externou publicamente, diversas vezes, as preocupações que ele tinha em relação aos filhos dele, né? O que existe é todo um contexto, que é a necessidade externada pelo presidente de colocar pessoas de confiança dele e uma insatisfação com serviços de inteligência que eram prestados pela PF. Agora, tem que ver o que ele entende exatamente como “serviços de inteligência”, que pra ele estavam insatisfatórios’. Depois de passar dezesseis meses vendo calado as situações adversas acontecerem, em detrimento de seu ministério, como a perda do COAF, o enfraquecimento da lei anti crime, a queda da prisão em 2ª Instância, as prisões arbitrarias, a soltura geral de presos, etc. a única coisa que o tirou da inércia foram as cobranças do Presidente por maior empenho e atitude, fazendo com que seus subordinados fizessem a sua parte e que o Governo, pela sua palavra, fosse ouvido, senão para sobrestar ações maléficas, ao menos para impor respeito perante as demais autoridades e o público em geral. Curiosa, ante a fraquezas das alegações, a repórter perguntou : Poliana Abritta: A pergunta que surge é se o senhor teria guardado alguma prova justamente para não parecer que teria sido omisso em relação a alguma possível conduta criminosa do presidente durante a sua gestão.Sergio Moro: Não, de forma nenhuma. Não houve nenhuma situação. Toda situação eu revelaria, se fosse o caso. Claro que existe todo esse contexto também, que eu mencionei antes, de um desapontamento em relação à falta de empenho do presidente em relação à agenda da anticorrupção. Em outro trecho, foi cauteloso : “Cabe agora às instituições – PGR, Polícia Federal e o próprio Supremo Tribunal Federal – fazer avaliação sobre esses fatos. Na minha parte, não me cabe emitir opinião específica a esse respeito.” Quer dizer que acabou a munição ¿ Então, parece que esta guerra está perdida, por mais que ele incomode na mídia. O que dizer a seus conselheiros, de casa e fora dela ¿

Perguntado sobre o alegado sistema de informações do Presidente, disse que “isto tinha que ser perguntado ao Presidente, estranhando que ele desejasse ser informado pelos serviços oficiais, como se eles não existissem. Estranha esta resposta.

A repórter, em se tratando da Globo, não poderia deixar a maldade de lado. Ao formular uma de suas perguntas, resolveu, de caso pensado, por concluir que a declaração do Presidente de que poderia interferir nos Ministérios, ao mesmo tempo em que virava a cabeça para a esquerda, tal gesto significava que se referia à Sérgio Moro e mais especificamente à Polícia Federal, dando assim uma ajudazinha ao vacilante entrevistado, que. se sofreu críticas, foi justamente pelo fato de ser assim, vacilante,logo inoperante no cargo, o que esgotou a paciência de seu chefe. A sua resposta à pergunta se achava que o fato do Presidente olhar em sua direção, o levou a concluir que a interferência seria na Polícia Federal e não uma mudança na segurança pessoal e familiar dele, respondeu pondo seu achismo, que Sergio Moro: “Acho que o vídeo fala por sí. Quando o Presidente olha na minha direção, isto evidencia que ele estava “falando deste assunto da Polícia Federal”.

O Dr Moro, na entrevista, chega a criticar o Presidente pelo fato dele querer adequar melhor as suas defesas, tanto no campo pessoal quanto na política, como ao comentar, depois de ver aliados sendo citados pelo STF, que isto era mais um motivo para troca. . Não que os deputados não possam ser incomodados, mas serem aliados do governo não pode ensejar tratamento diferenciado, num privilegio às avessas, como alias ocorre com o filho do Presidente.

Na continuidade, o Dr. Moro acusa o Governo de dar pouca importância ao combate a corrupção, na medida em que, sempre por decisão do Congresso, o COAF foi retirado do Ministério da Justiça, o projeto anti crime foi esvaziado, mutilado. Queixa-se de que o STF derrubou a prisão em segunda instância e de que o seu projeto de emenda constitucional para restabelecê-la não andou, tudo por falta de apoio do Presidente, ao que consta. Conclusão imotivada, à falta de citações que digam respeito à Polícia Federal, pelo eminente Dr. Moro : Sergio Moro: :”Então, essa interferência na Polícia Federal, a meu ver, vem no âmbito de um contínuo. Em que eu via essa agenda anticorrupção ser cada vez mais esvaziada” Assim concluiu, após mencionar sua discordância à aproximação com o Centrão : Sergio Moro: “O governo se vale da minha imagem, que eu tenho esse passado de combate firme contra a corrupção, e de fato o governo não está fazendo isso. Não é? Não está fortalecendo as instituições para um combate à corrupção”.

Finalizando esta breve análise, observamos que o douto causídico, provocado pela repórter, entrou em considerações críticas ao governo, sempre de forma negativa, citando a troca no Ministério da Saúde, com a saída do Dr. Mandetta, o posicionamento de Bolsonaro na pandemia, contrário ao interminável “l0ockdown” que destrói a economia mas tem resultado incerto (“posição muito pouco c0nstrutiva” no entender do douto), disse que a prisão de inocentes é legal por prevista no art. 268 do Código Pena, que fala em desobediência +à leis sanitárias, sem mencionar em quais circunstâncias este crime teria aplicação imediata, como é o0 caso das prisões arbitrárias, algemas, violência física, etc. Por duas vezes, ao menos, disse que se sentia desconfortável em reuniões.

Para terminar, fechando o ciclo de maldades, desta vez de ambos os lados. a repórter fez uma absurda ligação entre a reunião, a pandemia e a necessidade externada pelo Presidente de dar andamento ao seu projeto de liberação de armas, perguntando ao ex Ministro o seguinte, imitando o que já dizem os militantes de esquerda a respeito, quando dizem que o Presidente quer que os cidadãos enfrentem os policiais, Prefeitos e Governadores à bala : Sergio Moro: Dentro do governo, lembro de varias reuniões que eu participei – isso pode ser dito melhor pelo ministro Mandetta – em que foi alertado o risco de que houvesse essa escalada de mortes. E, no entanto, me parece que falta um planejamento geral por parte do governo federal em relação a essas questões. Agora, eu acho que a minha própria lealdade, ao próprio presidente, demanda que eu me posicione com a verdade, com o que eu penso. E não apenas concordando com a posição do presidente. Se for assim, não precisa de um ministro, precisa de um papagaio. Em nenhuma circunstância se pode concordar, digamos assim, que o armamento sirva de alguma forma para que as pessoas possam possa se opor, de forma armada, contra medidas sanitárias.

Poliana Abritta: Mas foi justamente isso que o presidente Bolsonaro defendeu na reunião: que a população fosse armada, inclusive com o intuito de se rebelar contra governadores e prefeitos. E o senhor estava ali presente.

Sergio Moro: Sim, mas veja, não há espaço ali dentro das reuniões – me pareceu muito claro -, não existe um espaço ali para o contraditório.

Poliana Abritta: No dia seguinte, saiu uma portaria, assinada pelo senhor e pelo ministro da Defesa, aumentando a possibilidade do cidadão comprar munição, de 200 cartuchos por mês para 550 por mês. Essa atitude do senhor foi resultado dessa pressão que o presidente fez na reunião?

Sergio Moro: Certamente. Eu não queria também que isso fosse utilizado como um subterfúgio para desviar a questão da Polícia Federal, da interferência na Polícia Federal.

Como visto, o Doutor agora é um militante, pois inventa e mente como tal, fazendo assim ótima parceria com a Rede Globo.

Lamentável. Acho que a Dra. Rosangela Moro jamais será primeira dama, se depender dos brasileiros. Tanto é verdade que até o Dirceu, veja só, torce contra.

8 pensou em “ALMERINDO PEREIRA – CURITIBA-PR

  1. Engraçado. Se não fosse juiz até que faria sentido. Mas um juiz agora dizer que não pode afirmar que foi cometido crime? Só como piada. Lembro um provérbio taoísta:
    “Quem se justifica, não convence”.

  2. Estava escrevendo um longo texto e a desgraça da internet nestes tempos bacanas que vivemos caiu e perdi tudo. Uma meia hora de texto. Então vou resumir: O ex juiz que respeitava, o ex ministro que me encheu de esperança, o homem que achava um patriota que traria a solução, se revelou, hoje em entrevista, apenas um Fofoqueiro Federal. Ai, disseram isso, ai, queriam aquilo, ai, poderiam ter feito aquilo outro…Não li nenhuma auto crítica. Poderia ter feito isso, poderia ter dito aquilo. Enfim, nunca errei não é mesmo, são sempre os outros que erram. Que merda viu.

  3. Sergio Moro conseguiu realizar a incrível façanha de ser o gigante e o nanico no mesmo contexto. Assim como na história, o gigante foi derrotado pelo nanico.

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