AINDA NO DESERTO

Estávamos caminhando pelo deserto há dias, o Sol queimando-nos a mufa.

Água, água, água… pedíamos, as bocas secas.

Tivemos miragens de Bolsonaro regando-nos a boca com o seu cantil de sufrágios, inundando nossos seres famintos e sedentos de satisfação e fartura, mas logo as imagens se dissipavam e dunas e mais dunas de aridez surgiam à nossa frente, para desânimo total.

À frente, pensamos ver uma caravana de ministros passando enquanto cães ladravam, os ministros caíam um a um e eram devorados pelos animais famintos e os camelos desapareciam como fumaça.

De repente, cheios de esperança vimos um navio! Avistávamos o mar, o mar, o mar!

O navio era de uma companhia que tinha o nome gravado: PSL!

O que queria dizer? Provando Seu Leite? Perdendo Sem Luta? Pronto Se Lascamo? Piramos Seus Lelés?

Nossas mentes confusas não conseguiam formar algo inteligível, mas não interessava, corremos ao encontro de nossa salvação.

Mas, que nada, sai da minha frente que eu quero passar, diria Jorge, o Bem, que era muito mais legal do que o Jor – havia realmente um navio, mas algo como um navio fantasma, se afundando na areia do deserto.

Nossa esperança se esvaiu como água, digo, areia, escorrendo por entre os dedos.

Iremos mais à frente na tentativa de chegar à praia sem morrer na praia: quem sabe encontraremos peixes, algas, moluscos…

Lancei ao ar uma garrafa com esta mensagem, espero que a encontrem.

Não sei se seremos encontrados. Por isso, despeço-me com um beijo carinhoso na bunda de todos.

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