A PALAVRA DO EDITOR

Quem lesar o meio ambiente e agredir os ecossistemas, sujeita-se a sofrer punição penal ou administrativa. A transgressão consta em lei de 1998. A Mata Atlântica é um ecossistema. Dos mais belos e fortes do país. A pessoa que agredir a flora, a fauna, os recursos naturais e o patrimônio cultural podem acabar no xadrez. Até quem violar a tranquilidade dos povos indígenas compromete-se a responder legalmente pelas agressões.

Basta poluir nascentes, fazer queimadas indiscriminadas, cortar árvores sem técnica e autorização, aprisionar animais silvestres, sem permissão de órgãos oficiais pode levar porrada judicial. Pelo menos, tá na lei. Se fazem vista grossa para as irregularidades, é outra história. Os registros apontam que desde o período da colonização, as agressões ao meio ambiente só crescem. Constantemente. Entristece saber que em 2016, o desmatamento intensificou-se demais no país. Aumentou em cerca de 60%.

Os crimes acontecidos pelo rompimento de barragens ferem a legislação ambiental. Como provocam também danos à saúde humana não podem ser esquecidas. Da mesma forma, quem causar mortandade de animais ou deixar marcas de destruição na flora tem de responder legalmente pelas afrontas à natureza. No Congresso, existe a Frente Parlamentar Ambientalista, composta por 205 deputados, para cuidar das ofensas ao meio ambiente. Todavia, depois dos impactos humanos e ambientais causados pelo rompimento da Barragem de Brumadinho, distante 60 quilômetros de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, o silêncio invadiu o país, diante da força da exploração mineral e do poderio financeiro do capitalismo. O Congresso, calado ficou, para não comprometer os interesses de grandes grupos empresariais.

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Preocupada com a preservação do meio ambiente e com o desenvolvimento social, a ONU tomou algumas atitudes. Estabeleceu metas. Com relação ao desenvolvimento sustentável, então, a Organização das Nações Unidas sonha combater a pobreza extrema e a fome, tomar medidas contra as doenças mortais, ampliar o nível educacional a todos os níveis das crianças, enfim, planeja proteger o planeta com a finalidade de garantir paz e prosperidade às pessoas. Sem afetar o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental.

Os desafios são enormes, especialmente depois de reconhecer a limitação dos recursos naturais. Envolvem temas relacionados com os meios ambientais, os esquemas políticos e econômicos. Parâmetros difíceis de executar, em virtude de abranger várias áreas como desigualdades econômicas e sociais, inovação tecnológica, consumo sustentável, tranquilidade e justiça, aprimoramento da educação primária.

A luta é árdua. Afinal, erradicar a pobreza num curto espaço de tempo, só com milagre. E milagreiros autêntico tá difícil. Afinal, acabar com a fome é tarefa utópica, garantir saúde saudável e bem-estar geral são labutas caríssimas, assegurar educação de qualidade com o baixo nível político da atualidade é um projeto árduo, prometer o uso sustentável dos oceanos, mares e nascentes, diante dos níveis de poluição, são possibilidades remotas. Todavia, é dever do homem atender as necessidades do momento, sem arriscar e esgotar a capacidade das futuras gerações. Empreende a luta pela preservação da qualidade dos recursos terrestres ao invés de ater-se somente à quantidade. Aos países mais pobres, fica assegurado o direito ao desenvolvimento econômico. No entanto, as diretrizes devem ser diferentes das utilizadas pelos países que já atingiram um bom patamar industrial.

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No início da vida, o mundo guerreava rusticamente. Concentrado nas batalhas, o homem praticamente não progredia. Apenas gerava filhos para guerrear. Foram as invenções que modificaram as ideias humanas. A primeira máquina movida a vapor surgiu em 1765 na Inglaterra. Depois, apareceu a mecanização que implantou a Revolução Industrial no ano de 1800. A novidade se espalhou para a França, Holanda, Rússia, Alemanha e Estados Unidos e daí pro resto do mundo. Após alguns anos.

Posteriormente, outra descoberta revigorante impulsionou o parque industrial. O carvão, como produto utilizável, colocou fogo no ramo industrial. Botou pra quebrar. Como excelente fonte de energia, o carvão mineral agitou os setores do motor a vapor que alimentou as máquinas das fábricas, as locomotivas e os navios, melhorando o transporte de cargas. A indústria têxtil, anteriormente funcionando de maneira artesanal, com o carvão vegetal, lavou a burra. Entretanto, com a chegada da ciência, a produção industrial intensificou-se. Tomou vulto. Promoveu a valorização da relação entre capital e trabalho.

A substituição da força braçal pela máquina, energizou a produção industrial. Trouxe prosperidade para as cidades. A segunda revolução industrial que durou um século, rolou de 1850 a 1950. Notabilizou-se pela exploração da energia elétrica. Pela primeira vez o parque industrial passou a incrementar a produção em massa que também impactou. Lançou a lâmpada incandescente, o telégrafo, telefone, cinema, rádio, antibióticos e vacinas. A terceira revolução industrial surpreendeu com a informatização, a robótica e a eletrônica. Surgiu após a Segunda Guerra Mundial e se estende até a atualidade. A base da terceira revolução industrial é a tecnologia de ponta que incrementou as etapas produtivas. Na atualidade, o mundo atravessa a quarta revolução industrial ou indústria 4.0, apelidada de fábrica inteligente, cuja principal característica é mover a conexão entre as tecnologias digitais, físicas e biológicas. A era digital ou da informação tornou-se a base para os fomentar os negócios.

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O ponto forte que leva o governo a pensar na privatização dos Correios foi o rombo que a política destrambelhada deixou nos correios. O déficit na empresa assusta. É realmente bilionário. Em 2018, a intervenção encontrou um profundo buraco estimado em R$ 11,2 bilhões. O descontrole contábil pôs o futuro dos 115 mil funcionários e das 12 mil agências, que perderam a confiança da população, na maior dúvida. Os corruptos, depois de afanar os Correios, danaram-se a roubar abertamente diante de um esquema bastante vulnerável. O fundo de pensão Postalis, dos Correios, é um dos 15 maiores do país em recursos e o primeiro na quantidade de participantes ativos. É composto por 419 mil participantes. Além de ser roubado em R$ 7 bilhões, o fundo teve as contas rejeitadas. As irregularidades cometidas, deixaram de herança, além do vultoso prejuízo, muitos ativos podres e o encargo de obrigar os participantes a contribuir com parcelas extras para cobrir o vultoso rombo. Isto é, além da contribuição normal, na faixa de 8% do salário, o associado ainda teve de recolher uma nova taxa que pode variar até 6%. Decisão que penaliza também os aposentados e pensionistas.

Dói na consciência saber que a política de ontem só trabalhava para depenar o patrimônio público de forma acintosa. Descaradamente. Então, com imparcialidade, é hora de a Justiça agir de acordo com a lei e a Constituição, de modo a reaver a importância de R$ 2,2 bilhões que os gatunos surrupiaram do fundo. Com esse propósito, o Postalis já ingressou com seis ações na Justiça, na esperança de reconquistar as perdas e se safar do profundo poço de irregularidades praticadas pelos larápios de colarinho branco. Indicados pelos partidos políticos desprovidos de caráter.

Pelas apurações encontradas pela Previc-Superintendência Nacional de Previdência Complementar que mantem o Postalis, sob intervenção, ficou constado o descumprimento de normas, especialmente com relação à contabilização de reservas técnicas e a respectiva falta de aplicação dos recursos. Estão caracterizadas corrupção, fraudes, má gestão e desvios de dinheiro. Daí a enorme sangria. Por esta razão, o governo estuda com muito carinho a possiblidade de privatizar ou não empresa centenária, com 350 anos de plena atividade, muitos dos quais gozando de integral confiança da população brasileira. Faz tempos os escândalos rondam o Postalis. Em 2014, para cobrir um buraco deixado pela compra de dívidas da Argentina e da Venezuela, descobriram uma fraude no montante de R$ 250 milhões. Posteriormente, um ex-presidente do fundo foi convidado a renunciar em virtude do recebimento de propinas descobertas pela Lava Jato. Entre 2012 e 2017, o Postalis sofreu 43 autos de infração aplicados pela Previc. Envolvida em baixo astral, levada pela incompetência e desonestidade de dirigentes, fica difícil uma empresa, por mais forte que seja, escapar de derrocadas e ruínas que produzem marés altas para os Correios navegar em águas turbulentas.

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