AGORA É NO GOGÓ

É entusiasmante ouvir o superministro Paulo Guedes, o Posto Ipiranga da Economia: disse à CNN (a propósito, é bom acompanhar a CNN: tem feito um belo trabalho, com a divulgação de notícias exclusivas) que “o Brasil já está saindo do buraco”, que as vendas para a China nos mantêm equilibrados, e que o Governo prepara quatro grandes privatizações no próximo trimestre.

É decepcionante acompanhar o destino de promessas anteriores. Há onze meses, Guedes apresentou lista de 17 estatais a ser vendidas de imediato. Há poucos dias, seu secretário especial de Desestatização, Salim Mattar, disse que o Governo quer privatizar ao menos doze estatais. Destas, seis estavam na lista do Posto Ipiranga, de empresas a vender imediatamente em 2019. E quando Mattar espera privatizá-las? Em 2021. Isso se não houver problemas. A julgar pela propaganda oficial, talvez haja: diz a propaganda que em 2015, final do Governo Dilma, as estatais davam enorme prejuízo, e agora, com um ano e pouco de Bolsonaro, dão bilhões de lucro. A propósito, não podemos esquecer o Plano Marshall (ou PAC 2) oficialmente anunciado: por sua concepção, vai precisar de estatais para tomar conta dele. E há ainda a aproximação do Governo Bolsonaro com o Centrão: o presidente precisa dos parlamentares para manter-se no cargo, e os parlamentares precisam de cargos para reeleger-se. Estatais, pois. Prometer é fácil – tanto que Guedes, confiante na falta de memória, promete a mesma coisa várias vezes.

Como diria Tite…

Por falar em prometer, Guedes prometeu, em vídeo, que a aprovação da reforma tributária ocorrerá neste ano. Disse que o projeto está pronto para enviar ao Congresso e espera vê-lo aprovado em 90 dias. Mas o próprio Posto Ipiranga mostra que isso será muito difícil: gostaria, por exemplo, de propor um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) de 10 ou 11%, mas para isso precisaria ter a “tributação digital” (imposto sobre movimentação bancária), “e infelizmente o Congresso interditou esse debate”. No Congresso, diz, há propostas de IVA de até 30%, que, a seu ver, “quebra o comércio e o setor de serviços”. Como se vê, um debate difícil (e longo). Bolsonaro já disse que é contra a tal “tributação digital”, identificadíssima com a velha CPMF. Como debater com o Congresso sem apoio do Executivo? Indo mais longe: em novembro há eleições municipais, e o Congresso se esvazia. Depois das eleições, vêm as festas de fim de ano. Retoma-se o trabalho no ano que vem.

…fala muito!

Mas imaginemos que tudo fique prontinho a tempo de ir ao Congresso e torcer pela aprovação neste ano. A reforma administrativa de Guedes está pronta e com Bolsonaro desde meados de fevereiro. De lá não saiu até hoje.

O importante é ter saúde

O presidente Bolsonaro estar com coronavírus é algo a se lamentar. Saúde é o que todos devem desejar-lhe, sejam favoráveis ou contrários a ele. A vida de um ser humano, já ensinava o pastor John Donne há mais de 500 anos, é parte da vida de toda a Humanidade. E a quem o acuse de debochar da grave doença, um lembrete: se Bolsonaro errou, seja diferente, não repita este erro.

A volta do general

Lembra-se do general Santos Cruz, amigo de Bolsonaro, afastado do cargo de ministro-chefe da Secretaria de Governo depois de uma guerra que lhe foi movida pelos seguidores de Olavo de Carvalho, entre eles pelo menos um dos filhos do presidente? Santos Cruz está de volta, com disposição para briga. Abriu processo contra Olavo de Carvalho, o guru da “ala ideológica” do bolsonarismo, e dois militantes, acusando-os de ofensas nas redes sociais. Pede indenizações que, somadas, atingem R$ 140 mil, e irão para instituições de caridade. As investigações passarão, informa, pelo entorno de Bolsonaro.

Família é entorno?

Flávio, o filho 01, Carluxo, o 02, Eduardo, o 03, enfrentam problemas que podem levá-los a julgamento. Santos Cruz não quer que ninguém lhe peça perdão, mas garante que não vai transigir. “Vou até o fim”, disse à revista Época, “com qualquer consequência. Não é só pela honra pessoal. É funcional também. Eu era ministro! Quem é que tem a ousadia de fabricar um documento grotescamente falso e fazer chegar ao presidente da República? É crime. É uma ousadia, porra! Quero saber como isso chegou ao celular do presidente. Quem enviou?” O presidente recebeu mensagens de WhatsApp atribuídas a Santos Cruz em que teria se referido desrespeitosamente a ele. Completa o general: “Esses vagabundinhos que fizeram isso foram tão amadores que sequer checaram que na hora da falsa mensagem eu estava em voo. São amadores, para minha sorte.” E para azar do presidente, que também não verificou esse pequeno detalhe.

Questão de utilidade

O Gabinete de Segurança Institucional não verifica currículos. Nem mensagens. Ou não é acionado para isso. Em qualquer caso, qual sua função?

10 pensou em “AGORA É NO GOGÓ

  1. Caro Sr. Carlos,

    Paulo Guedes no final de 2019 fez uma promessa de que este ano a economia do Brasil iria decolar, que reformas estruturantes seriam aprovadas e que o país iria voltar aos trilhos. Até fevereiro todas os índices de crescimento apontavam para isso. Só que em março apareceu uma pandemia mundial, a maior dos últimos 100 anos, fruto de uma disputa geopolítica da China que quer a hegemonia do mundo. Quem fala da hegemonia não sou eu e sim o dono da china, o Sr. Xi Jin Ping e seu partido o PCC.

    Então Guedes teve que rever todo o planejamento feito e teve que socorrer pessoas, empresas, estados e municípios; o que fez e faz de uma forma que foi elogiado pela OCDE. Não se pode cobrar dele mais do que isso e as reformas, como dito depende do Congresso, cujos presidentes estão de costas para o país de de frente para seus interesses.

    A doença do Presidente Bolsonaro provou e está provando que o tratamento precoce com o coquetel de hidroxicloroquina é eficiente e que tal protocolo deveria ter sido aplicado desde que foi afirmado pelo cientista francês Didier Raoult que funciona. Porém politizaram isso e condenaram milhares à morte em função de gastos desnecessários superfaturados que estão surgindo agora.

    O General Santos Cruz apareceu no início do Governo como um Rambo brasileiro. “O único General do exército BR que participou de uma guerra e venceu”. O cara era fodástico. Quando assumiu seu posto a primeira coisa que fez foi tentar arrumar um diálogo com o MST. O Sapo tentando argumentar com o escorpião no meio do rio.

    Não foi apenas por uma mensagem de zap fraudada que ele caiu e também não há provas de que foram feitas pelos zeros, portanto não os acuse, pois eles ainda sequer são investigados por isso.

    Ele caiu pelo conjunto da obra e por estar no lugar errado Era um “progressista” em um governo conservador, assim como o Moro. E como é que um “Rambo” se mostrou muito cheio de mi mi mi ao sair. Militar não contesta seu chefe, presta continência.

    Bolsonaro é execrado todos os dias. Ontem um colega seu, um tal de Hélio Schwartsman fez um artigo horroroso incentivando, implorando que o matem e ele, que já levou uma facada e quase morreu, não está de mi mi mi. Uma grande diferença.

    • Caro amigo João Francisco,
      Seus comentários aqui nesta gazeta de todos os brasileiros, são para serem lidos de pé, com a mão direita sobre o coração. Em alguns casos, Sancho espera a hora da Ave Maria para agradecer por cada um de vocês, comentaristas com a marca registrada da excelência fubânica existirem. Um beijo no coração, grande João. Qualquer coisa que eu escrevesse em complemento seria apenas “un largo etcétera que haría demasiado extensa esta reflexión”.
      Beijão em vosso coração, até sempre!!!

      • Joao Francisco, uma reforma foi aprovada, graças ao Rodrigo Maia. A segunda não saiu do gabinete do presidente. Não tem pandemia, não: o que tem é enrolação. E a terceira, que seria apresentada tão logo o Governo assumisse, não saiu nem da Economia, ainda; e também não decidiu se haverá IVA nem o valor da alíquota. O vírus pode muito, mas para enrolar um Posto Ipiranga é melhor. E há também as empresas que deveriam estar privatizadas até o fim de 2019. Continuam estatais. E a culpa é da pandemia, que apareceu em março de 2020? Ora, sr. João Francisco!!!! Pègue um gim-tônica (água tônica é de quinino), uns tira-gostos de cloroquina e tente arrumar desculpas melhores!

        • Sr. Carlos, divirjo da parte onde o Sr. Diz que a reforma da previdência saiu por obra e graça do Rodrigo Maia.

          Vamos aos fatos: até meados de maio a reforma estava em banho maria. Dia 26/05/2020, contra a vontade do Maia e dos centristas radicais, pela primeira vez no mundo houve uma manifestação espontânea monstro com milhões de pessoas nas ruas do Brasil todo pedindo aceleração da Reforma da Previdência.

          A partir daí a coisa começou a andar, porém houve desidratação da proposta governamental com a retirada de estados e municípios da reforma, o que se atribuiu ao Maia.

          O Sr. Maia também já sinalizou que dificultará de todas as maneiras as privatizações, como foi o caso da Petrobrás, que criou subsidiárias para facilitar a venda de ativos. Rodrigo Botafogo Maia é um dos inimigos, pois tem um passado registrado no departamento de propinas da Odebrescht e também quer derrubar o Presidente, o que não esconde de ninguém.

          • Sr. Carlos,

            Gostaria de acrescentar que usar argumentos ad hominem seria a última coisa que esperaria de um debatedor como o Sr.

            Fique em paz.

      • Sancho Pança, imortal personagem de Cervantes! Ele ajudava D. Quixote de la Mancha a atacar moinhos de vento, que confundia com guerreiros inimigos sempre à espreita!!!!

        • Señor Brickmann,
          Sempre um prazer quando um luminar do jornalismo a mim se dirige, e o señor o é.
          Sancho Pança, agora mortal personagem de Berto, continua, na função de escudeiro e amigo, a ajudar gigantes do porte de João Francisco nesta saga fubânica.

          Quanto ao comentário desse nobre colunista sobre “graças a Rodrigo Maia” ouso dizer que tudo que é aprovado naquela casa será sempre graças a ele, para o bem ou para o mal; assim como tudo que publicamos aqui será graças a Luiz Berto Filho.
          A função daquele senhor, enquanto presidente daquela casa legislativa é exatamente essa: buscar apoio entre seus pares para aprovar o que acha meritório, pois caso contrário, costuma nem colocar em pauta.
          Na outra casa, cabe ao señor Alcolubre fazer o mesmo.
          Lembre-se o señor que são independententes e harmônicos tais poderes da República, apesar de muita gente disso se esquecer nestes conturbados dias. Aprovar a reforma era para o bem da nação e não cabia a nenhum dos agentes envolvidos qualquer outra conduta. Estão lá para isso, assim como o señor aqui está para abrilhantar com seus textos esta maravilhosa gazeta, a meu ver, o melhor jornal do planeta, mas isso é questão de gosto. Gosto e desgosto não se discute.
          Abraço grande,
          .

  2. Infelizmente, de Pedro I para cá o Brasil evoluiu muito pouco. Entra governo, sai governo, as promessas são as mesmas, os problemas também continuam os mesmos. Só muda a composição da turma que escolhe um político de estimação e jura que ele é diferente dos outros e que ele é uma ilha de virtudes no meio de um mar de pecados. Quando a coisa continua do mesmo jeito, a culpa é sempre dos outros.

  3. Marcelo, só acho que você é injusto ao falar de d. Pedro I. O pai dele também nao se notabilizou pela agilidade administrativa.

    • Realizações do governo Joanino

      – Em 1808, D. João VI decretou uma lei que estabeleceu a abertura dos portos brasileiros às nações amigas. A Inglaterra foi a principal beneficiada desta lei, pois mantinha estreitos laços comerciais com Portugal.

      – Em 1808, D. João VI cancelou a lei que proibia o estabelecimento de indústrias no Brasil.

      – Assinatura de tratados comerciais com a Inglaterra, favorecendo a entrada e comercialização de produtos manufaturados ingleses no Brasil. Entre esses tratados, assinados em 1810, podemos citar o Tratado de Comércio e Navegação e o tratado de Aliança e Amizade.

      – Instalação de sistemas administrativos e jurídicos no Rio de Janeiro, com a criação de tribunais e ministérios.

      – Estruturação econômica, com a fundação do Banco do Brasil e da Casa da Moeda.

      – Investimentos nas áreas de educação e cultura. Nestas duas áreas, podemos destacar a criação de escolas de Medicina, do Jardim Botânico, da Biblioteca Real, da Academia Real de Belas Artes e da Imprensa Real.

      – Elevação do Brasil, em 1815, a Reino Unido de Portugal e Algarves. Desta forma, o Brasil deixou de ser (oficialmente) uma colônia.

      – Investimentos voltados para o desenvolvimento industrial do Brasil. Neste sentido, podemos destacar a instalação de indústria de ferro em Minas Gerais e São Paulo.

      ₢ Para alguém que não tinha grande agilidade administrativa, até que D. João VI fez alguma coisa, né? ₢

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