AÇAÍ

Foi a partir do século XV que o brasileiro começou a ter contato com o trabalho. O país era habitado por tribos seminômades que, para sobreviver, praticavam a caça, pesca, coleta e a agricultura.

Pensando em desenvolver o país recém descoberto e criar um sistema de administração, a Coroa Portuguesa iniciou a política de colonização. Dividiu o país em capitanias hereditárias e distribuiu entre os membros da nobreza alguns hectares de terra. Prova que naquela época, pobre já não tinha vez.

Como o sistema não deu certo, a Coroa resolveu criar o Estado do Brasil, em 1548, vinculado a um governo-geral. A sede colonial ficava em Salvador, Bahia. Nessa época, predominava o extrativismo do pau-brasil.

Foi quando a mão de obra escrava passou a ser utilizada, primeiro com os índios e posteriormente com os africanos. Foi aí que Pernambuco surgiu do nada com a exploração da cana-de-açúcar. A notoriedade foi tão grande que de repente o estado figurou como o maior produtor de açúcar do mundo. Também pudera. Em 1549, Pernambuco já tinha trinta engenhos-banguê em pleno funcionamento.

No século XVII, descobriu-se as primeiras jazidas de ouro em Minas Gerais. Com o poder econômico em ascensão, o estado mineiro libertou-se da Capitania de São Paulo e passou a fortalecer a sua própria economia.

Em 1808, chegou a corte portuguesa ao Brasil. Após a chegada, foram abertos os portos da colônia, fábricas foram instaladas e o Banco do Brasil apareceu. Era dada a arrancada para uma nova estruturação econômica do Brasil.

Por ser uma região pobre, cada estado nordestino caracterizou-se pela exploração de um produto básico. Produto básico na verdade é aquele que tem baixo valor agregado, porém intensiva utilização de mão de obra.

Cada estado nordestino mantém o seu esquema, visando garantir trabalho e renda para as pobres famílias do setor rural.

O Maranhão destacou-se com o plantio de babaçu. O coco, além de funcionar como suplemento alimentar, tem o óleo que é utilizado tanto na cozinha, como nas fábricas de cosméticos, detergentes e até no artesanato.

O que sustentou o Piauí por um bom tempo, foi a carnaúba. Pela sua importância, a palmeira é apelidada de a árvore da vida. Na seca, a carnaúba produz uma cera que é aproveitada na produção de cosméticos, plásticos, tintas, chips e códigos de barra.

O Ceará tira bom proveito de seus produtos básicos. A castanha de caju é altamente consumida no país. Depois da Bahia e Pernambuco, o Ceará tem o terceiro PIB mais forte da Região.

O Rio Grande do Norte também é forte na produção de castanha de caju, porém, é poderoso na exploração de jazidas de sal. Os municípios de Mossoró, Macau e Areia Branca são os maiores exportadores do sal marinho norte-rio-grandense para o mundo.

O abacaxi da Paraíba é o dez. Tomou o lugar do sisal que foi o rei do pedaço nas décadas de 50/60 no estado. Os municípios que mais produzem abacaxi Sapé, Mari e Mamanguape.

O estado de Sergipe, o menor do Brasil, tem no setor de extrativismo. O petróleo e o gás natural, são o seu forte econômico.

O destaque econômico da Bahia é o cacau. Nem a praga da vassoura de bruxa dizimou a lavoura. Com novas mudas, resistentes à praga da vassoura de bruxa, o cultivo do cacau deslanchou. Reconquistou o prestígio no mundo. Apesar do Pará avançar na disputa pela liderança cacaueira no país.

Agora a bola da vez é o açaí, especialmente para a região Norte do Brasil, particularmente Amazonas e Pará. O fruto da açaizeira é um superalimento e excelente fonte de antioxidantes. O açaí é muito utilizado na fabricação de bebidas, geleias, doces e sorvetes. O praticante de esportes descobriu no açaí, fruta exótica, um poderoso energético natural. Cheio de vitaminas e nutrientes, o açaí impactou no Brasil e vai desbravando mercado na América do Norte, Europa e Ásia para sustentar de trabalho e renda milhares de agricultores ribeirinhos da região.

É assim que o Norte e o Nordeste, pobre de recursos tem de se virar para não ser esmagado pela rica industrialização do Sul brasileiro.

5 pensou em “AÇAÍ

  1. Caro Carlos Ivan
    Infelizmente aquele adágio popular que diz que nem tudo que reluz é ouro e aplica com relativa precisão ao caso do abacaxi, na Paraíba.
    É bem verdade que já tivemos uma época em que essa produção ajudou, e muito, a sustentar a economia paraibana, que sofreu duro golpe com a perda dos mercados de sisal e algodão, mas a importância econômica do abacaxi não foi tão significativa, seja pela área cultivada, seja pela concorrência que outros estados, com áreas agricultáveis assemelhadas, logo desenvolveram.
    A isto somaram-se alguns erros administrativos, notadamente representados pela tentativa de substituir o produto nativo por espécies diferentes, que fez com que a produção perdesse o prestígio que tinha.
    Ademais, hoje temos de considerar o fato de que as áreas agricultáveis dedicáveis ao abacaxi diminuíram consideravelmente, pois que estão sendo ocupadas pela cana de açúcar, que assegura aos produtores rurais um melhor rendimento econômico, fazendo com que a cultura desse fruto seja apenas alternativa ou subsidiária, pois tornou-se “cultura consorciada”, servindo quase que apenas para sustentar alguns empregos de mão de obra operária utilizada para o trato das áreas cultivadas e relativa entrada financeira dos proprietários rurais que ainda tentam resistir, inclusive à concorrência de outras áreas que hoje também cultivam esse fruto.

  2. Caro Arael fiquei feliz em ler excelente comentário a respeito do abacaxi. Com conhecimento de causa, vc apontei a realidade. Aprovei seu ponto de vista. No entanto, acreditei nas pesquisas para conceituar minha opinião. Confesso que li bastante para chegar ao que escrevi. Mas, parabéns, seu contexto foi muito bom. Aplaudo.

  3. Grato pela atenção.
    Ousei fazer essas observações não só em virtude de em tempos idos ter sido funcionário da Secretaria de Agricultura da Paraíba, como também ter sido da assessoria de imprensa de aalguns governadores, na era de 60/70, do século passado.
    Hoje, tenho parentes atuando na área, com esses dois produtos e vejo a luta insana que eles e muitos outros empreendem para manterem-se nessa atividade.
    É um sem fim, matando um monstro todo os dias.

  4. Caro Arael, desde a leitura de seu comentário, senti que vc opinou sobre o caso com gabarito. Conhecimento de causa. Então, só me resta confessar a minha admiração pelos seus belos esclarecimentos. Obrigado.

  5. Caro Carlos Ivan
    Sua reação me deixa profundamente feliz, não só pela qualidade que seus escritos sempre demonstraram, como pela oportunidade de trocar pontos de vista e considerações que o nosso Berto nos proporciona a cada dia.
    Ele é, de certa forma, hoje um êmulo do Cipriano Barata, fazendo do Jornal da Besta Fubana a versão atual das Sentinelas da Liberdade, desse que mereceu o título de patrono da imprensa brasileira.
    Esperemos, no entanto, que o nosso moderno Cipriano não tenha de passar pelas muitas guaritas do original, mantendo-se apenas na Fortaleza do Brum.
    Abraços,

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