ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Quando D. João VI chegou ao Brasil, em 1808, fugindo da invasão das tropas napoleônicas em Portugal, a corte se encontrava em uma situação financeira extremamente difícil. Em vista dessa situação, o Imperador passou a “vender” títulos nobiliárquicos. Entre 1808, ano da sua chegada, e 1821, quando retornou a Portugal, foram emitidos 73 títulos de nobreza. Foram 28 marqueses, 8 condes, 16 viscondes e 21 barões, numa média aproximada de 6 títulos emitidos por ano. Dos agraciados, apenas 4 eram brasileiros natos.

Uma das características mais interessantes, dessa nobreza sui generis, é que OS TÍTULOS NÃO PASSAVAM DE PAIS PARA FILHOS. NÃO ERAM HEREDITÁRIOS! Todos os 1211 títulos concedidos, ao longo dos 67 anos em que durou o império, foram concedidos ad persona. Era uma honraria concedida UNICAMENTE ao agraciado. Com a morte do de cujus, o título retornava ao Patrimônio Heráldico do Império, onde permanecia in potentia, até que nova concessão fosse feita pelo imperador.

D. João VI, que de bobo não tinha nada, haja vista que foi o único que conseguiu ludibriar Napoleão fugindo para o Brasil, conhecia muito bem a malta com quem estava lidando. Sabia que bastava dar um pé, para quererem logo a mão também. Ao conceder um título de nobreza, a demanda natural seguinte era tornar aquela mamata eterna. Isso era TUDO O QUE ELE NÃO QUERIA. Ele tinha noção bem clara das confusões que haviam sido provocadas pelas Capitanias Hereditárias. Assim, ao tornar o título pessoal e intransferível, tornava as gerações seguintes eternamente reféns da boa vontade do imperador.

Essa solução brilhante, encontrada por D. João VI, não está sendo honrada na República Federativa do Brasil.

Hoje, não satisfeitos com terem passado toda a vida dependurados nas tetas governamentais, figuras que passaram todas as suas vidas ocupando posições de nada com coisa nenhuma tentam agora nos impingir seus rebentos como seus legítimos sucessores. A ideia básica é eternizá-los nas mesmas chupanças de sangue propiciadas por posições de ASPONES, que em absolutamente nada contribuem para com a nossa combalida nação, e que foram usufruídas por seus genitores.

A característica comum a todos eles, em todas as diversas gerações, é NUNCA terem realizado atividade alguma que agregasse valor para a sociedade. São sempre consumidores dos recursos gerados e propiciados por terceiros, reunidos através das mais diversas formas de extorsão governamental que se possa imaginar. Em suma: são parasitas do trabalho alheio. Formam um estamento social altamente específico, conhecido como A CLASSE POLÍTICA!

Cada um deles, em maior ou menor grau e com raras exceções, é detentor de um extenso prontuário junto aos órgãos fiscalizadores da gestão dos recursos públicos e da lisura em seus comportamentos.

Como definiu brilhantemente o sábio Luiz Gonzaga Paes Landim, infelizmente já falecido, “Política é só para dois tipos de gente: o rico besta e o pobre sabido! ” O rico besta, querendo aparecer, dá-se ao luxo de gastar parte da sua fortuna bajulando eleitor ignorante e pidão. Hoje é um tipo raro. O pobre sabido é a grande maioria atual. Entram na política apenas visando “se dar bem”. Isto significa arrecadar a maior quantidade possível de dinheiro, o mais rápido possível e seja por que meio for, “duela a quien duela!”

No período imperial, os detentores dos títulos de nobreza e, consequentemente, das posições de comando político, eram sempre os possuidores de extensas atividades produtivas. Largavam as suas atividades privadas para irem desempenhar importantes papéis políticos. Eram sempre da aristocracia açucareira do Nordeste; ou os detentores de extensas plantações de café em São Paulo; ou mesmo criadores de gado em grandes fazendas em Minas Gerais ou nos pampas gaúchos, e por aí vai. Era uma elite cosmopolita e rica, capaz de ter uma larga visão de longo prazo sobre os caminhos da nossa nação.

Hoje, a situação se inverteu totalmente! Os detentores de posições políticas são arrivistas oriundos de “Movimentos Sociais” e de “Coletivos” como sindicatos, associações de bairros, associação de estudantes, etc. A grande habilidade demandada consiste em mentir descaradamente às plateias de pobres ignorantes, cuja única esperança de melhora de vida se limita a uma possível chuva do MANAH governamental. Prometem sem que tenham compromisso nenhum em cumprir o prometido, muitas vezes até porque seja absolutamente impossível. Não sabem fazer mais nada na vida. Esta é a sua sina. Se por acaso, perderem uma eleição, tem que sair correndo para arrumar uma sinecura governamental qualquer, seja propiciada por colega que tenha se dado melhor naquela mesma eleição, seja uma sinecura própria conseguida através de concurso, sob pena de vir a enfrentar sérias dificuldades financeiras. Assim, visando atravessar incólume os períodos das vacas magras, todos eles apelam para algumas saídas como sejam:

a) Ser professor universitário em alguma faculdade federal,

b) Ser detentor de algum cargo concursado na paquidérmica estrutura governamental,

c) Providenciar algum fundo de pensão “Especial” (Bancado com recursos públicos, é claro!) a fim de se aposentar em pouquíssimo tempo,

d) Roubar desbragadamente, sempre e quando se apresentem as oportunidades de se dar bem.

Em comum, apenas o fato de que não tem a mínima ideia sobre como se faz para gerar riqueza, já que nunca gastaram um minuto de seu tempo para isso. Assim, não é de se estranhar quando TODOS os candidatos ao governo de Pernambuco, ao serem questionados sobre qual seria a sua política para reduzir a miséria em nosso estado, foram unânimes em afirmar que aumentariam a distribuição de bolsas governamentais. É O QUE SABEM FAZER! Tomar à força, de quem trabalhou laboriosamente, para distribuir demagogicamente a quem não produziu nada. (e ficando com uma gorda fatia para si, é claro!). Este é o melhor retrato desse bando de parasitas.

Nenhuma só proposta que visasse à geração de riqueza a partir das condições naturais de que dispomos. NADA! Para completar a desgraça, aqui em Pernambuco tivemos uma eleição em que as opções eram ARRAES ou ARRAES? Comunista ou Socialista? (O que dá no mesmo!)

Bom mesmo é a manobra escrota que estão aprontando agora no congresso. Um presidencialismo em que o presidente fica a reboque do congresso.
Imagine o que será desse país, comandado por aquele bando de ladrões, todos protegidos pelos canalhas do STF.

Nunca a classe política desse país foi tão abjeta! Não há uma só iniciativa decente oriunda dessa corja! Nem as iniciativas populares, com milhões de assinaturas, eles colocam em pauta.

Esta é a mesma situação das camisinhas: SÓ DESENROLA NO CACETE!

9 pensou em “ABSOLUTISMO e CAPITANIAS HEREDITÁRIAS

  1. Excelente análise dos políticos “interesseiros” de hoje. Além disto, os inúmeros cargos que são loteados entre parentes, concubinas e bastardos destes políticos. Nepotismo cruzado virou moda. E muitos “tiriricas”, líderes de associações diversas, etc. (analfabetos funcionais) sendo nomeados em face do sistema de distribuição dos votos de legendas. Poucos são eleitos diretamente pelos seus votos. Reforma eleitoral: sine die.

  2. Touro Indomável, bom dia

    Aulas no domingo. Nem reclamo. Acordo cedo e venho estudar.
    Que bela análise.
    Os “políticos”

    “Ao meu reino tudo, ao vosso nada”

    Cacete neles (raras exceções)

    Um ótimo domingo de Páscoa pra vc junto dos seus.

    Abraços

  3. Caro mestre Adônis, olha eu aqui de novo, faz tempo que eu não descia até sua coluna e comentava.

    Este negócio de político passar sua “capitania” para o filho é comum no N – NE. Esqueceste ainda do Collor, ACM, Lobão, Sarney….

    No S – SE, isso não é muito comum. Alguns poderiam dizer do Bolsonaro, que colocou seus 3 filhos a reboque dele. É verdade, todos foram eleitos pelo sobrenome, porém nunca usaram cargos públicos ou enriqueceram às custas do estado. Cara um (inclusive o pai) tem o patrimônio compatível com suas rendas, ou seja, aparentemente não são corruptos.

    Nem o Lulla, que é oriundo do NE, mas se criou em SP, fez de seus filhos sucessores políticos. Só os enriqueceu.

    Uma feliz páscoa para v. e os seus.

    • Caro João,

      Não é bem assim!

      Veja o neto de Brizola; o filho de Dirceu, de Ratinho, de Covas, o clã dos garotinhos, e tantos outros mais.

      Fora os que foram pegos com a boca na botija e colocaram as mulheres. São os Arrudas, Roriz, etc…

  4. Adônis,

    Creio que é um texto incomleto,pois senti falta de prarágrafos, que certamente “fechariam a coluna” sobre os motivos (uma análise apurada) que levam tanta gente a votar nessas maravilhosas figuras.

  5. Texto magistral Prof. Adonis, nossa classe política não passa de uma fossa séptica comunitária a céu aberto por excesso de merda. Parabéns e Feliz Páscoa!

  6. Estimado Adônis Oliveira,

    O Nordeste, infelizmente, se tornou-se numa Capitania Hereditária, onde cada clã político se apodera de sua fatia e o povo ondeiro se torna seus súditos.

    Sua análise está brilhante, mas falta incluir um elemento de alta periculosidade que escancarou as porteiras para que os astuciosos entrassem, se apoderassem, tomassem de conta e, feito as hienas de O Rei Leão, acabassem com tudo: LULA LADRÃO, o vilão mais canalhas de todos os tempos da democracia.

    Parabéns pela análise e ótimo final de semana.

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