MAGNOVALDO SANTOS - EXCRESCÊNCIAS

Ashby-de-la-Zouch, Inglaterra

No ano de 2005 eu morava em Phoenix, Arizona, e fui trabalhar por uma semana em uma empresa na cidade de Ashby-de-la-Zouch, perto de Birmingham e Nottingham, duas importantes cidades situadas ao norte de Londres.

Curiosidade: Nottingham é tida como a região onde vivia Robin Hood, o lendário arqueiro que, ao contrário do ladrão mais honesto do Brasil, roubava dos ricos para dar aos pobres. Suas atividades aconteciam principalmente na floresta de Sherwood, que se situa nas imediações, onde era perseguido sem sucesso pelo Xerife de Notthingham.

Meu voo de volta foi realizado pela British Airways, direto de Londres para Phoenix.

No procedimento de reentrada nos Estados Unidos em Phoenix fui surpreendido pelo oficial da Imigração, um galego grandalhão com um leve sotaque britânico, que somente me perguntou em qual lugar da Inglaterra eu estive.

Respondi-lhe:

– Em Ashby-de-la-Zouch, perto de Birmingham, onde passei uma semana.

Então me disparou à queima-roupa:

– E o senhor gostou da comida de lá?

Surpreso e confuso com a inusitada pergunta, resolvi ser o mais politicamente correto possível:

– Sim, é uma boa comida.

E então o galegão franziu a testa e me ameaçou:

– Eu deveria impedir a sua entrada nos Estados Unidos, já que o senhor não está falando a verdade. Minha família é daquela região e sei muito bem que não existe pior comida no mundo do que aquela.

E, bem humorado, deu uma alegre gargalhada.

Carimbou meu passaporte, desejou-me boas vindas e continuou rindo do meu susto mesmo depois que me afastei.

Enguias gelatinosas e salsichas em pudim de Yorkshire, comidas típicas inglesas

Realmente a melhor comida inglesa é a italiana, indiana ou chinesa. Em Birmingham tive que comer linguiça de porco no pudim, bacon com cogumelos fritos, torta de rim de carneiro e assim por diante. Não consegui engolir as enguias gelatinosas. Nada como uma buchada de bode, uma carne seca de Caicó e uma rabada com polenta!

2 pensou em “A VOLTA DE BIRMINGHAM, INGLATERRA

  1. O misticismo e o simbolismo de uma mesa farta e saborosa vem de priscas eras, Mestre Magnovaldo.

    Menino pobre no Pina, ficava enculcado quando colegas abastados, que residiam na Avenida Boa Viagem, se ofereciam pra almoçar ou jantar na minha humilde casa, após a pelada ou jogo de volei na praia.
    O almoço era um cozido com bastante costela e peito de boi, charque e linguiça matuta com muitos legumes. Comiam que “passavam mal”. Repetiam o pirão com arroz sem nenhum pudor.

    Certo dia fui jantar no chique apartamento de um coleguinha do futebol, e comecei a entender o motivo da preferência pela minha “gastronomia” de pobre.
    É vetdade que os pratos e talhetes eram “podres de chiques” e bem ornamentados: uma sopa rala (canja, sem legumes, se não me falha a memória), com um pãozinho e uma xícara de café com leite.

    No outro dia, o coleguinha foi jantar na minha humilde casa: sopa de feijão, carne e legumes, tapioca com queijo qualho, cuscuz com leite de côco e café coado no pano.

    O carimbo/visto no seu passaporte, após sua resposta, foi por pura compaixão, compadre!
    Enguias gelatinosas e foda!

    • Meu prezado amigo Marcos André:
      Grato por seus comentários. Você tem razão. Muitas das comidas caras que provei, em função de minhas viagens profissionais, eram nada mais que apresentações artísticas com nomes sofisticados e referências esnobes que satisfaziam mais o ego que o paladar. Claro, algumas eram realmente gostosas. Mas a quase totalidade delas nunca chegavam nem perto do sabor de uma rabada com pirão e feijão de corda que minha mãe preparava, para ficar em um só exemplo.
      Tenha um bom dia, com bastante apetite e alegria.
      Um grande abraço.

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