CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Bairro de Nova Descoberta, Recife. Foto de Izabel Maria da Silva Lopes

Uma vista panorâmica é um ponto de valorização do ambiente onde residimos. Melhor ainda se for clicada de um lugar alto, como esta, captada pela sensibilidade de Izabel Maria.

Poucas vezes temos a consciência do tanto que Deus nos dá gratuitamente, desde o levantar ao deitar dos nossos corpos. É preciso apenas aprender a perceber, por exemplo, a paisagem que está diante dos nossos olhos todos os dias.

Tenho essa consciência. Vivo bem. Melhor do que mereço. A partir de agora percebo que o leitor também poderá se envolver por esse sentimento.

Captando em foto uma simples paisagem ou escrevendo uma crônica, teremos atitudes que marcam instantes de harmonia. Fixam momentos de nossas vidas. Passam para a nossa História.

Tudo que acontece em nossas existências tem seu ciclo. Vivemos décadas bem diferentes, que passam a definir nossas vidas. São fases distintas do aprendizado a chegada à maturidade.

É quando percebemos, através das fotografias retiradas de velhos álbuns, que em cada um desses ciclos em que vamos amadurecendo, estivemos fazendo a nossa parte; transformando nossas vidas em algo bem definido.

Nessa fase temos que entender os golpes do Destino, os quais se apresentam quando menos se espera, como nesta quadra de vida em que o mundo está envolto numa névoa de incertezas cruéis, com a pandemia.

Mas, paciência! Nessa fase poderemos compreender que nosso Destino está traçado e por mais que nos esforcemos para fazer o melhor, sempre haverá um vírus no caminho.

Chegado o tempo de viver a maturidade, um fato novo surge sem que os mais jovens percebam: em nenhum momento, a vida é uma estrada larga e de piso suave.

Não percebemos que ao tomar consciência das responsabilidades como pessoas, passamos a percorrer a trilha, que cada um de nós recebe do Altíssimo para ir abrindo caminhos com os próprios atos e as forças que dispomos.

São os caminhos da vida, onde nem sempre as paisagens bonitas proliferam.

Uma trilha não é um trilho, digo eu. Trilho é um caminho de ferro, seguro, tranquilo por onde o trem de nossa vida vai passando.

Trilha é aquele caminho que cada um de nós vai abrindo pela floresta da existência. Que se vai alargando à medida em que outras pessoas vão passando, depois de nós, até se tornar uma estrada.

Mas, da trilha até a estrada asfaltada, leva tempo. São muitos anos de plantios e colheitas, que formam o tempo de nossa existência terrestre.

E quando se aproximam o fim dos ciclos de vida, é preciso entender que devemos nos comportar como se uma lanterna de popa fossemos. Sempre iluminando os outros, sempre ensinando.

Lanterna de popa é aquela luz que vem da embarcação que está na frente, cujo timoneiro conhece bem o caminho.

Como nos disse o médico-escritor, Pedro Nava:

Somos uma lancha navegando num igarapé escuro com suas luzes de popa ligadas para orientar os que estão vindo, pois já sabemos os caminhos a percorre e temos a obrigação de iluminá-los.

Há anos editei para o poeta Ernane Bezerra um livro onde ele fez u’a metáfora do mar com a vida humana E comentou como um filósofo:

“Nossa vida, sr. Carlos Eduardo, tão cheia de idas e vindas, subidas e descidas, é semelhante à onda, que depois de viajar tanto vem se quebrar na areia da praia, após cumprir seu destino”.

Deixou-nos o poeta esta linda imagem:

Mar te pareces tanto com a vida… Só que és eterno e a vida é espuma

2 pensou em “A VIDA É ESPUMA

  1. Mar te pareces tanto com a vida… Só que és eterno e a vida é espuma…

    O espumante Sancho está agora em oração, agradecendo a Deus por ter a literatura nos tornado eternos. Daqui a 100 anos, quando Sancho e DuduSantos forem apenas poeira de estrela, este texto de Dudu, amigão de Sancho, estará sendo lido por alguém que exclamará: muito phodda o cara que escreveu este texto.
    E o que será do JBF em tal data? João Berto, o editor-chefe, já bem velhinho, lembrará de todos os colunistas fubânicos cuja trajetória acompanhou ao lado de Luiz Berto Filho, seu amado pai, e exclamará orgulhoso: PHODDA foi meu pai, que reuniu em um só espaço estes eternos e maravilhosos fubânicos.
    Releio minha coluna de ontem (SANCHO PANZA – LAS BIENAVENTURANZAS – SANCHO POLODORO EM “FELIZES PARA SEMPRE”) e ancho, pois sou Sancho, concordo: PHODDA é Berto, aniversariante de ontem, que transformou um pobre caminhoneiro em UM ETERNO. Sim, daqui a 500 anos alguém estará lendo as maravilhas que Sancho e Carlos Eduardo Santos eternizaram na imensidão DO VASTO TERRITÓRIO da INTERNET.
    Uma lágrima corre por minha face, mas aí já é outra história…

  2. Como sempre, Sancho, você é inimitável. Concordei com quase tudo, menos que iremos virar poeira de estrelas. Tenho certeza de que seremos astros. E puta que pariu pra quem não puder chegar até lá!…

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