MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

“Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?” – Cícero

Bastaram 14 anos de governo de esquerda (PT e puxadinhos), para que se percebesse o trabalho obstinado na implantação da filosofia da ignorância com a premiação dos menos capacitados. A incompetência foi alçada ao pedestal da glória suprema. O resultado de tal “política” refletiram nos resultados catastróficos das estatais brasileiras.

De nada valeu o engodo da criação da Lei 13.303/2016 (Lei das estatais), que procurou “estabelecer requisitos” para estancar a ingerência dos políticos nas nomeações de “assessores” comissionados, conselheiros e diretores de estatais. A grande piada (assim como na escolha de ministro do STF) fica por conta do art. 17 da lei das estatais, que estabelece a lorota que “exige” a reputação ilibada e notório conhecimento. Creia. Na referida lei, vamos encontrar um deboche ainda maior: a exigência de qualificação. Como a maioria das leis, esta se mostrou tão inútil quanto a lei anti corrupção, proposta por Dilma. Ela mesma e equipe tratou de alterar a Lei Anticorrupção para tirar o termo “Anti”. No bojo da treta malandra, o alvo visou atingir a lava jato, concomitantemente, com o achatamento do já sofrível orçamento anual da PF. Assim, a caneta na mão se mostrou mais forte que a lei.

APETITE DO APARELHAMENTO

Pra satisfazer o voracidade da “galera” de sindicatos e a militância, o governo PT criou 43 estatais em 13 anos de governo. Todas inúteis (para o povo brasileiro). Sem nenhuma serventia, apenas para alocar “camaradas” de todas as vertentes com vultosos salários e benefícios (eufemismo criado para denominar conquistas ou direitos) Tudo bancado, lógico, pelo contribuinte. O resultado não poderia ser outro: dezenas delas sempre estiveram no vermelho, acumularam prejuízos de bilhões sugados do bolso do contribuinte.

A VALORAÇÃO DA IGNORANCIA

O que se extraiu da apologia à incompetência e a ignorância, é que ela foi propositalmente cultivada, moldada, cultuada e difundida para se transformar em objeto de exploração e ganhos políticos nas esferas dos três poderes constituídos. Vide absurdas decisões jurídicas e massificação de controle da mídia.

Nesta trilha de enaltecer a incapacidade, farto declínio veio em efeito cascata. Político, social, econômico, cultural e, principalmente, moral.

Houve uma tentativa de se institucionalizar a ignorância. A meritocracia (conhecimento, estudo, cultura) passou a ser considerada um artifício de dominação da burguesia para oprimir “o povo”.

Isso restou patenteado quando o MEC procurou adotar e ainda deu de ombros às criticas ao uso dos termos “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”. (quase acolhiam o MENAS). Em sua defesa, os autores do livro de língua portuguesa ‘Por uma vida melhor’, da coleção, seria normal e válido o uso da língua popular com seus erros gramaticais. Justificava sob a ótica de que a excessiva rigidez da norma culta levaria os alunos a sofrerem “preconceitos linguísticos”. Creia!

Esta proeza do MEC, por intermédio Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos, chegou a distribuir o livro a 484.195 alunos de 4.236 escolas. “Visamos evitar que o pobre seja “vítima” de preconceito lingüístico”.

Advertiam os autores que “o importante é chamar a atenção para o fato de que a ideia de correto e incorreto no uso da língua deve ser substituída pela ideia de uso da língua adequado e inadequado”. Em sua defesa, Heloisa afirma que o livro tem como fundamento os “documentos do MEC para o ensino fundamental regular e EJA (Educação de Jovens e Adultos)” e leva em consideração as matrizes que estruturam o Encceja (Exame Nacional de Certificação de Jovens e Adultos).

A ignorância é uma condição que possui seu mérito, acarretando a obtenção de benefícios tanto no plano econômico quanto no plano político. É a matéria prima primordial para um processo de subjetivação que leva a não questionar ou oferecer resistência de valores como a “verdade”, a “solidariedade”, a “inteligência”, a “lógica” etc. Com a institucionalização da ignorância, potencializa-se tanto o mercado quanto a adesão de não julgamento de um regime ou orientação política.

FRUTOS

PISA – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes.

O PISA refletiu bem esta “empreitada” em favor da ignorância (programa de governo?), com o Brasil figurando no clube dos 20 piores no ranking mundial de educação em leitura, matemática e ciências.

Para o antropólogo, com formação pela antiga União Soviética, cientista político e professor da PUC-GO Wilson Ferreira Cunha, o “Brasil levará ao menos 50 anos para se livrar da massificação que o PT criou na educação universitária”.

Como vimos. manipular e manter a ignorância como indispensável “material bélico”, é como ter farta munição para se garantir e se perpetuar no poder.

8 pensou em “A VALORAÇÃO DA IGNORÂNCIA

  1. Desculpe a intromissão, mas acredito que vale lembrar que esse apetite de emparelhamento pode ter tido os seus primórdios já no mandato do “falsa bandeira” FHC, com suas agências reguladoras, de coisa alguma, como bem vemos hoje.
    São não só os gordos salários, com seus beneficiários protegidos contra a sanha de governos vingativos como o que ora temos pela falácia dos mandatos, longos – indubitavelmente, como as medidas protecionistas favorecendo aqueles que deveriam ser fiscalizados, como se tem visto diariamente.

  2. Não há intromissão, Sr. Arael.

    Aqui há debates, troca de ideias e opiniões abalizando nossa situação social e política.

    Embora tenha ressaltado no texto a voracidade da era do governo petista, o problema vem desde o governo FHC.

    De pleno acordo com sua observação, Arael.

    O aparelhamento das agências reguladoras é uma vergonha.

    Veja por exemplo a criação da Controladoria geral da União em 2003. Já tínhamos a receita Federal, tribunal de contas, PF e outros órgãos.

    Faltou criar uma agência reguladora pra monitorar a controladoria.

    Muito grato pela sua participação.

  3. E é nois, manu,

    Qualé, cumpadi, “nós pega o peixe” e manda pra Chipicleide para botar tempero e assar na brasa bertiana.

    Não faz muito tempo, ao dialogar com muita cunhada, descobri que seu filho adormece do início ao final das aulas de matemática durante todo o ano escolar (não perguntei o que faz o pimpolho nas outras matérias) e, pasme você, é aprovado todo ano, estando, creio eu, no nono ano letivo, sem saber absolutamente NADA.

    Pegando carona com o Arael, creio que o tema agências reguladoras (o que são, para que servem, o quem fazem ou deixam de fazer pelo Brasil), dá ótimo material para colunas como a sua, a do Adônis, a do Roque, do De León ou do Marcelo.

    Vasculho o JBF de fio a pavio e perco-me nos textos maravilhosos dessa nossa gente fubânica, que bate um bolão, seja nas colunas ou nos comentários.

    Recorro a Tom, não o gato amigo do Jerry, mas ao Jobim: Ah, se todos no mundo fossem iguais a você…

    Abração, Marcão e uma ótima semana para todos nós.

  4. Meu preclaro colunista Sancho, sua participação enriquece, sobremaneira, o debate.
    É muito comum hoje em dia, você se deparar com absurdos de falta de assimilação de ensino e aprendizado por parte dos “estudantes”.

    Só um trabalho hercúleo e sério, poderá nos tirar deste atoleiro educacional em que fomos enfiados.

    Quem sabe surgirá um iluminado, propondo um órgãos de monitorização do direcionamento de verba e ensino. Seria mais uma agência reguladora ou outra controladoria. E lá nave vá!

    • De plecaro no passado chegando ao precário nos dias atuais, eis o ensino neste Brasil. Preclaro foi, pois em minha infância o cabra sentava no banco escolar para aprender português/literatura, matemática em todas as suas nuances, história/geografia/OSPB/Moral e Cívica, ciências(biologia, química e física), música, francês e inglês em minha humilde Desengano, um paupérrimo distrito da cidade de Valença-RJ.
      Precário está, pois essa mocidade que sabe tudo de baile funk nada sabe em sala de aula, o que muito se agrava nestes momentos covidianos.

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