RODRIGO BUENAVENTURA DE LÉON - LIVRE PENSADOR

Levei um puxão de orelhas didático dos colegas Professores Maurício Assuero e Arael por algumas imprecisões. Mas vejam que os dois primeiros textos, conforme comentei são republicações de 2017, quando ainda vivíamos sob o desgoverno Dilma Roussef.

Quase tudo que está ali ainda é válido e, sim, as Universidades Públicas são um antro das esquerdas reacionárias (hoje muito reacionárias e, antes de me criticar dizendo que reacionária é a direita, procurem no dicionário o significado da palavra), são um local de extremo compadrio e são locus de política, quase sempre suja, e muita politicagem.

Houve avanços a partir da chegada de Temer ao Governo e tentativas, quase sempre boicotadas por todos os atores com poder para isso (STF e Congresso), do Governo Bolsonaro.

Mas a bem da verdade cabem alguns esclarecimentos. As Universidades e Institutos Federais não podem estipular os salários de seus professores e servidores estes são estatutários e regidos pelo RJU. Já algumas Universidade Públicas Estaduais podem e definem, dentro de limites seus salários.

Esta autonomia é muito forte nas Universidades Paulistas (USP, UNESP e UNICAMP) onde os Conselheiros eleitos pelos servidores e, eles mesmos servidores, ganham remuneração o jeton para participar dos Conselhos, onde se decidem toda a vida universitária, inclusive salário. Lembrem das manchetes em 2014/2015 a USP gastava 105% de seu orçamento em salários. De lá para cá não melhorou muito e o gasto gira em torno de 85% do orçamento.

Nas Federais a folha pertence ao rombo do Governo Federal e orçamento é apenas para despesas de custeio e capital, mas se incorporarmos a folha no orçamento das IFES (Instituições Federais de Ensino), as despesas de pessoal vão beirar 80%.

Melhorou muito a democratização e a distribuição de verbas a partir de 2017, com a necessidade de editais para distribuir verbas e bolsas de pesquisa e extensão. Mas reitores e diretores ainda podem direcionar obras e projetos para seus grupos políticos.

Ainda temos as bolsas, cabem ressaltar que hoje a maioria exige editais de seleção, mas há diversas bolsas que ainda podem, ou mesmo sem poder, são distribuídas ao bel-prazer do gestor. Bolsas para EAD (embora as IFES, na pandemia, não estejam fazendo aulas EAD porque (sic) não tem estrutura ou professores preparados. Lembro-me em 2016 o tal do PRONATEC, aquele da Dona Dilma, um pró-reitor tinha o controle de 16 bolsas de R$ 4500,00 (e bolsas não tem desconto) de Coordenação, todas regiamente distribuídas de forma democrática entre seus apoiadores, casualmente com a mesma filiação partidária.

Isto ainda bem acabou. Mas ainda temos os Cargos Comissionados, são muitos e com valores altos. As Universidades e Institutos Federais (IF’S) receberam muitíssimos nos anos 2010 a 2012. Viraram cabides de emprego. Aquilo que antes funcionava com um Chefe e um ou dois ajudantes hoje só funciona com 5 ou 6 chefes, assessores e ajudantes dos ajudantes.

Nos IF’s a coisa ainda é mais grandiosa pois se nas Universidades Federais um Diretor ou pró-reitor recebe CD-3 (bruto aproximadamente R$ 4800,00) nos IF’s recebe uma CD2 (bruto R$ 5600,00) e são centenas. Considerem que os estados têm pelo menos 20 Campi de IF (a maioria tem mais de 60 Campi) e que cada Campi tem uma CD2 e outra tantas CD’s façam a conta do gasto. Cidades minúsculas com Campus com 600 alunos tem 4 ou 5 CD’s. Não esqueçam que ela adiciona ao salário do professor. Um Professor Titular com CD2 pode chegar a um salário bruto na faixa de R$ 25.000,00.

Temos outra excrescência, da qual as Universidades Federais estão livres, mas pulula nos Institutos Federais. A tal da RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências), foi criada para atender aos professores mais velhos, que segundo o sindicato não puderam se qualificar, mas por um erro atende a todos.

Os professores ingressam e a primeira coisa que pedem é a RSC. Funciona assim, o professor comprava o cumprimento de alguns requisitos, pontua e recebe por uma titulação acima da que possui. Ou seja, tem graduação recebe como especialista, tem especialização recebe como mestre e tem mestrado recebe como doutor. Simples assim e, se considerarmos que os professores dos IF’s, mesmo os que só dão aula na graduação tem aposentadoria especial (aposentam com 25 anos as mulheres e 30 os homens) ficou barbada.

Conheço dezenas de professores que estavam afastados a dois ou três anos fazendo pós-graduação, com salário integral é claro, muitas vezes estudando na mesma cidade e fazendo pós no departamento onde trabalham, mas sem dar aulas e com um professor substituto contratado. Veio a RSC e eles desistiram pois já ganharam o aumento. Voltaram sem concluir o curso e ninguém lhes cobrou, na maioria das vezes, qualquer satisfação, quiçá que devolvessem o investimento do Governo. Uma literal excrescência!

Falando em pós-graduação ai está outro problema de nossa Universidade Pública a pós, com bolsas, pesquisas direcionadas, teses sobre o ‘sexo nos banheiros do metrô’, Centros para implantação do Comunismo no Brasil (sim havia um na UFOP poucos anos atrás), projetos de resistência ao Governo (mesmo que eleito democraticamente) antidemocrático, et caterva.

Posso dizer que a CAPES é a grande responsável pelo atraso da pesquisa e inovação no Brasil, mas isto é assunto para outro post. O que quero comentar é a endogamia das pós-graduações. Grosso modo, é o seguinte, o individuo é bolsista (quase escravo) de um professor desde a graduação, faz mestrado, doutorado e pós-doutorado, vivendo das bolsas, no mesmo departamento, as vezes sai para um sanduíche no exterior em Instituições com o vínculo forte com seu departamento. Para sobreviver a isto o indivíduo tem de se adaptar ou moldar ao pensamento dominante, repetindo-o. Depois, sem nunca ter trabalhado, sem nenhuma experiência fora da academia, sem saber o que é o mundo real, mas com um currículo acadêmico lindo, é premiado com uma vaga de professor.

Óbvio que não vai mudar o pensamento dominante, óbvio que não vai fazer o tão necessário embate de ideias e, óbvio que vai permanecer naquela bolha repetindo que o mercado é perverso, que a indústria é ruim, que o capitalismo é bobo, mal e feio. E este indivíduo vai formar os professores de nossos filhos e os profissionais que nos atendem. Deus nos livre!

Por último não pensem que as ações dos últimos governos reduziram tanto o poder econômico e político dos Gestores da Universidades Públicas, o fez, mas ainda falta muito. Vejam como estes se digladiam nas campanhas pelas Reitorias e lutam pelos cargos.

Continuo afirmando…

A Universidade Pública é o Lixo da Política brasileira.

9 pensou em “A UNIVERSIDADE PÚBLICA É O LIXO DA POLÍTICA – PARTE III

    • Jair, meu bom Jair, ouça quem entende…
      E aproveito que Jair fez ouvidos moucos para pleito de Sancho em relação às estatais, na célebre frase: PRIVATIZASAPORATODA, peço que pelo menos leia o que escreve Adônis.
      E não adianta disfarçar, Bolsonaro; sei que você lê nossa gazeta, pois o JBF, desde a época que você era deputado, estava em sua barra de favoritos.

  1. Dom Rodrigo Boaventura de León:

    Antes de tudo, concordo em gênero, número e caso com tudo que o senhor vem escrevendo.

    Ontem, me confirmaram que a UFSM (Santa Maria) lida(?) com uma “verbinha” de mais de R$800.000.000,00 (oitocentos milhões de reais) para atender(?) uma população de cerca de 40.000 não sei o quê, pois são tantas denominações e tantos títulos, além de subs e subsubs denominações e títulos, que eu acredito que nem eles saibam.

    Pois bem (ou será mal?!?).

    É que o município-sede (Santa Maria) tem mais de 300.000 (trezentos mil) habitantes, e tem de orçamento – para atender todas as suas necessidades – o mesmo que a tal de UFSM recebe.

    Só que o município produz, no mínimo, alguma coisa relevante.

    E a UFSM produz o quê?

    Prodígios de sabedoria, de conhecimento – a maioria do tipo:

    “A INFLUÊNCIA DO GALHO SECO NA VIDA SOCIAL DO MACACO”.

    Sim.

    Eu me aposentei como professor em 1997, e vivi o auge e a decadência, praticamente total – graças aos Paulos Freires da vida – do binômio ensino-educação.

    O Rio Grande do Sul, quando assumi o magistério, era considerado um exemplo a ser seguido, no Brasil inteiro, desse e nesse binômio.

    Hoje, aqui – e no resto do Brasil, vão entrar nas Universidades – como muito bem diz o colunista Adônis (com, absolutamente, toda a razão!!!) – “burros que sairão jumentos diplomados”.

    Custando milhões e milhões de reais.

    E dessa excrescência – apelidada de IF, e muito mais cara!!! – o resultado final é, no mínimo, igual ou pior.

    Falo isso, pelo testemunho comparativo de ex-alunos, de seus filhos e de seus netos, que passaram ou estão passando por tal situação.

    E não é só nas humanas não.

    Sem contar, a obrigação de submeter-se à doutrinação – esquerdopata e esquerdopateta – escandalosamente explícita.

    É claro que, somente, aos doutrinados e fiéis da “seita” tocam as melhores oportunidades, inclusive salariais, oferecidas pelo ambiente universitário e ifeano.

    E o Ministério da Educação com mais de 300.000 (trezentos mil) funcionários(?), serve para quê?

    Para dar emprego – e se é que alguns “metidos” comparecem e/ou fazem algo aproveitável – muito bem remunerado, à “cumpanheirada”, simplesmente.

    E vá alguém se atrever a mexer nesse vespeiro, massivamente, improdutivo!!!

    Resultado final óbvio ululante:

    A metade da “nata” dos estudantes(?) – isto é, os que são candidatos à universidade – tem nota “0” (zero) em redação.

    Causa: Após 12(doze!!!)) anos de “estudo”, não sabem, absolutamente, nada do assunto proposto e – se sabem alguma “coisinha” – nem como se escreve.

    Isto é: não tem conhecimento algum – e/ou alguma simples opinião formada – do que acontece no vasto mundo que o rodeia, nem da própria língua-mãe.

    E, com esse absurdo de gastos, incompetências e, é claro, ineficiências, ainda há quem se surpreenda que o BRASIL NÃO TEM UM SÓ PRÊMIO NOBEL – que seja.

    E la nave và.

    Avanti!!!

  2. Menos um puxão de orelhas e mais um comentário da experiência. Eu tenho me questionado bastante sobre continuar sendo professor universitário. Não sei lidar com hipocrisia e vejo professor ensinando os valores do mercado numa faculdade privada e ensinando luta armada nas IFES. Ano passado estava mostrando, numa aula, os efeitos da redução do compulsório, que o governo fez em junho/2019, e fui taxado de bolsominion. Hoje um colega esculhambou a justiça que permitiu a esposa de Queiroz ficar em prisão domiciliar e eu perguntei por que ele não se indignou quando manobras jurídicas soltaram corruptos?
    Eu não discordo sobre a existe dessa ideologia, apenas vejo mais frequente nas humanidades. Aqui, tentaram ocupar os centros de tecnologia, informática e ciências sociais aplicadas, mas os alunos desses centros botaram os invasores pra fora. Depredaram departamentos e tudo que aconteceu foi uma suspensão. Eu cuidei de pesquisas como secretário da fundação de apoio e o motoboy que levava processos ligou dizendo que estava preso na reitoria. Fui lá e quando cheguei o MST tinha bloqueado o portão exigindo uma reunião com o reitor. A pauta era o arquivamento do processo contra os estudantes que depredaram os centros.
    Ano passado eu fiz um levantamento dos cargos nas IFES. Haviam 28666 FG’s e 8.212 CD’s com custo mensal de R$ 88 milhões, ou R$ 1,024 bilhão por ano.
    Passei 8 anos na gestão dos quais 5,5 anos na fundação. Mesmo assim dava aula em duas pós graduações, um graduação no primeiro semestre e duas no segundo. Nunca deixei de atender alunos e sempre disse que o custo que a universidade estaca tendo pra me manter na gestão não poderia ser aumentado com a contratação de professor substituto.
    Em relação a fechar, acho que não é assim. Pra botar um inquilino ruim pra fora, não precisa derrubar a casa. O que precisa é redirecionar.

    • Porque tão poucos professores como a sua honrosa pessoa fazem essas observações e o mais importante……..porque os animais da jaula não se rebelam ?

    • Mauricio,
      É sempre bom ler o que escreves, temos uma trajetória semelhante, mesmo. Também fui presidente de fundação de apoio na Universidade entre outras muitas coisas.
      Seguimos trocando ideias.
      Abraço

  3. Como disse anteriormente, ingressei na carreira do magistério no final do ano de 1965 e consequentemente acompanhei e até participei do ciclo de consolidação da UFPb e outras assemelhadas, que no dizer do Ministro José Américo de Almeida “ganhavam asas”.
    Construída com valores locais, como as demais, de porte e situação semelhantes, situadas em várias regiões de nosso País, a UFPb tomou corpo a partir do ano de 1964, quando o governo federal voltou seus olhos para o ensino de nível superior e investiu consideráveis recursos – para a época, na consolidação das IFE’s, recursos esses traduzidos por instalações condignas (os ditos campi); bons laboratórios e hospitais de ensino; e melhoria de meios e condições de trabalho, notadamente no campo da pesquisa prática em favor das regiões onde se encontravam, sem que, para tanto, se fizesse necessário o ufanismo da pós-graduação desenfreada que passou a assolar a partir do final da década de ’70, do século passado.
    A partir de então, os veteranos que carregaram pedras e tijolos, derrubaram árvores e ceifaram mato, começaram a ser vistos como figuras de menor importância, sendo consequentemente relegados a segundo plano, procedimento que se refletiu, inclusive, em trabalhos como as primeiras pesquisas regionais para aproveitamento da energia solar; das propriedades terapêuticas de plantas nativas; de aproveitamento de resíduos orgânicos para produção de gás metano e algumas outras atividades dessa ordem, das quais nem se houve mais falar nos amplos corredores dessas instituições.
    A partir dessa época, desenvolveu-se uma pletora de desenvolvimento imobiliário, com instalação de campi e mais campi anexos ou subsidiários, como já se mencionou nesta série, que, em conexão com uma politica de distribuição a mão cheia de diplomas e títulos os mais diversos, levou a disparidades como a criação de cursos os mais diversos, com um mínimo de benefício social, pois não garantem nem a criação de um emprego que contemple seu portador.
    E, para completar a crítica, pois as mazelas são muitas e não cabem neste espaço, consideremos os tempos atuais, com a utilização quase hegemônica dos meios eletrônicos, temos professores trabalhando exclusivamente por meio virtual e aproveitando o tempo de permanência residencial para desenvolver atividades completamente díspares de sua titulação.
    De tudo isto e mais alguma coisa, chegamos à conclusão de que não se consegue o progresso e a boa qualificação intelectual fechando essas instituições, mas sim pela aplicação de um verdadeiro retrofit de seus procedimentos, chamando o feito à ordem.

Deixe uma resposta