A UM SOLITÁRIO

Habitante da noite, espantos ladras
e à lua cheia angústias fundas uivas.
Os altos risos das estrelas ruivas
no torvo olhar de solitário enquadras.

Mas, por mais que as dianteiras patas juntes,
não te socorrem no atrevido intento
nem os anjos senis no firmamento
nem na terra os estúpidos transeuntes.

Ninguém te entende os íntimos arcanos;
mas, se o tentam acaso alguns insanos,
ninguém te estende as mãos que lhas não mordas.

E contrafeito comes – ou deliras? –
tua ração de raiva enquanto atiras
o magro olhar para as estrelas gordas.

1 pensou em “A UM SOLITÁRIO

  1. Sancho atira o magro olhar para a bela poesia da lavra de poeta magistral. Mas, (lírico mas), o que esperar de um Braga Horta, senão, a maestria?

    Sancho, com dianteiras patas juntas, agradece a Deus a existência de todos os poetas…

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