A PALAVRA DO EDITOR

Uma dos fenômenos brasileiros que certamente será estudado no futuro é como a banca internacional conseguiu convencer a “intelligentsia” nativa que seus interesses coincidiam com o interesses do país. Houve uma verdadeira lavagem cerebral e considerações óbvias passam a ser rejeitadas in limine até por pessoas com nível intelectual acima da média.

Alguns atribuirão a culpa à imprensa amestrada que nos bombardeia incessantemente com conceitos neo-liberais, muitas vezes disfarçados e inseridos em observações aparentemente inócuas e desconexas (recomendo a leitura de meu artigo “De onde vêm nossas idéias”).

Isso é verdade em parte. Ocorre que, de um modo geral, a imprensa é controlada pela banca em todo mundo ocidental, mas não vemos em outros países a adoção imediata e sem contestação dessas ideias – um fenômeno que só ocorre no Brasil de hoje.

Em meu entender a maior culpa é da esquerda nativa, incapaz de apresentar argumentos consistentes à avalanche neo-liberal, por ter sofrido, ele mesma, uma lavagem cerebral semelhante. Enquanto é relativamente fácil identificar os agentes divulgadores de ideias pró-banca no país, é muito difícil (ao menos para mim) apontar os agentes da lavagem cerebral que incapacitou os intelectuais da esquerda tupiniquim.

Vou citar dois casos que me deixam pasmo. Vejam, por exemplo, o caso do jornalista Luis Nassif. Trata-se de um dos mais argutos observadores da cena brasileira – um jornalista de “mão cheia” com uma brilhante carreira em vários jornais. Começamos a ler seus artigos, muito bem escritos, recheados de fatos e dados incontestáveis e de repente, sem nenhuma razão lógica, nos deparamos com uma frase do tipo “desde o golpe que apeou do poder uma presidenta legitimamente eleita e levou à cadeia o maior líder popular a América latina…” Caramba! É dose! Eu reconheço que é dose pra cachorro. A maioria dos leitores, neste momento, simplesmente para de ler um artigo que, pelo seu conteúdo, é interessantíssimo. Pior ainda – nunca mais vai ler nada de sua autoria. Em respeito a seu histórico pregresso eu relevo essa “lulada” e continuo na leitura, mas sei que sou uma exceção.

O outro caso que me deixa abismado é a obsessão petista dos funcionários (a maioria) das empresas estatais. Todos sabem que a quadrilha do PT, em seu projeto de poder, saqueou as estatais e tudo mais onde havia dinheiro no Estado Brasileiro. Vamos supor que, por serem alienados, não liguem a mínima para o saque havido em suas empresas. Mas o PT não ficou só nisso. O PT saqueou também os fundos de pensão dos funcionários. Ou seja: meteu a mão no bolso dos trabalhadores também. Como explicar que alguém ainda seja petista e grite Lula Livre depois disso?

Não sabiam? Como não sabiam? Todo mundo sabia! O problema é que não havia a quem recorrer. Vejam a magnitude do problema: O Governo Federal era do PT; a diretoria das estatais eram do PT; a SEST (Secretaria de Controle das Estatais) era do PT; a PREVIC (órgão que controla os fundos de pensão) era do PT; a diretoria dos fundos de pensão era do PT; o Ministério Público era todo petista; a imprensa ocultava o assunto e finalmente, os sindicatos que deveriam lutar pelos interesses dos trabalhadores eram do PT (CUT e similares). Enfim, foi a tempestade perfeita. Algo nunca visto antes neste país.

Diz o ditado popular que se todas as portas estão fechadas, vá se queixar ao bispo. Nem isso os funcionários das estatais podiam fazer, pois a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) era toda petista (ainda é).

O que mais me impressiona é que a lavagem cerebral atingiu pessoas altamente preparadas. Gente com pós-graduação e outros títulos que até hoje vão às ruas gritar Lula Livre.

Admito que não encontro uma explicação para isso. Atribui-se a Albert Einstein a seguinte frase: Apenas duas coisas são infinitas: a burrice humana e o universo. Mas há dúvidas se o universo é mesmo infinito.

Se você, leitor, conseguiu ler até aqui (e entendeu o que está escrito), parabéns. Você pertence a nata da inteligência nacional. A você eu peço encarecidamente, não permita que seu cérebro seja obliterado. Antes de formar opinião sobre algo, procure ouvir todos os lados. Hoje em dia temos a maravilhosa ferramenta que é a internet. Não há mais desculpas para se deixar iludir por qualquer orador, por mais brilhante que seja.

Esteja sempre consciente que as ideias mais nocivas vêm embaladas num pacote dourado. Procure sempre o nexo causal entre as ideias. Haja como um investigador: qual a real motivação por trás de um projeto de lei ou uma política? (a quem interessa o crime?) Tenha sempre um pé atrás. Parta do pressuposto que todo jornalista é mentiroso até que prove o contrário. Desconfie de todos os políticos. Os maiores embromadores da história eram grandes oradores. Desconfie daqueles que dizem o que a plateia quer ouvir. Desconfie das unanimidades.

Em passado recente tivemos grandes embromadores no poder: Fernando Henrique Cardoso (o Soros Boy), Lula da Silva (do Foro de São Paulo) e agora Paulo Guedes (o Homem da Banca).

Estamos caminhando céleres para a total desindustrialização do país. Com o conluio desses e outros grandes embromadores as forças globalistas nos empurram de volta aos tempos coloniais, onde éramos apenas uma nação exportadora de commodities – basicamente produtos agrícolas. A lavagem cerebral está em pleno andamento: Agro é tech, Agro é pop, Agro é tudo!

Não! Definitivamente não! Agro não é tudo. Este não é um destino inevitável.

Resista!

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