ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

Quem tem saudade não diz
Mas o semblante revela
Aonde vai planta tristeza
E aonde foi deixou sequela
Ninguém faz medicamento
Que tire os defeitos dela.

Ivanildo Vila Nova

A saudade é sempre aquela
Da hora mais indevida
No espírito é uma mancha
Na carne é uma ferida
E quem de nada tem saudade
Não teve nada na vida.

Rogério Meneses

Nosso amor é um segredo
Só quem sabe é eu e ela,
Mas como eu fui proibido
De viver ao lado dela.
Fiz da saudade um correio
Pra trazer notícias dela.

Manuel Pedro Clemente (1921 -2014)

Eu sinto tanta saudade
Que certo dia parei
Perto de um velho chorando
Porque choras? Perguntei
Ele disse: é com saudade
E eu sendo vítima chorei.

Dimas Bibiu

Saudade é como ferida
Que depois que dói inflama
O seu correio não tem
Recada nem telegrama
Nem mesmo a pessoa atende
Quando o mensageiro chama.

Severino Pereira

6 pensou em “A SAUDADE NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

  1. Sentir saudade vai mais além de se lembrar dos bons momentos vividos com a pessoa. Mesmo que ela não faça mais parte de nossa vida e mesmo que há muito tempo não a tenhamos em nosso coração, por vezes a recordação nos assola dia e noite. O problema de sentir saudades de alguém reside no vazio que é criado em nós quando a pessoa se vai. O espaço deve ser preenchido de alguma maneira e nem sempre a solução é deixar entrar outra pessoa. A seleção de sextilhas está ótima. Se eu fosse votar em uma delas, a preferida seria a estrofe de Rogério Menezes: A saudade é sempre aquela/Da hora mais indevida/No espírito é uma mancha/Na carne é uma ferida/E quem de nada tem saudade/Não teve nada na vida.

  2. Vitorino,

    Muito obrigado por sua excelente reflexão sobre a saudade e por ter escolhido uma estrofe. Saudade é uma das palavras mais utilizadas nas poesias de amor, nas músicas românticas da língua portuguesa. Ela significa a memória de algo que aconteceu e intensa vontade de reviver certos momentos. É uma palavra que não tem tradução literal em muitas línguas.
    O termo saudade gerou muitos derivados, como saudosismo, e aquele que sente saudades de algo ou alguma coisa, é o saudosista. O termo saudoso é muito utilizado quando nos referimos a alguém que veio a falecer, e que nos traz grandes lembranças.
    Aproveito esse espaço democrático do Jornal da Besta Fubana para compartilhar uma estrofe de
    Antonio Pereira (1891 – 1982), conhecido como o poeta da saudade, com o prezado leitor fubânico:

    Saudade é nada e é tudo
    Saudade é que nem perfume
    Não há balança que possa
    Com o peso do ciúme
    Que a gente carrega ele
    Mas não conhece o volume.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  3. Parabéns pela rica postagem, prezado Aristeu Bezerra! “A SAUDADE NOS VERSOS DOS REPENTISTAS” traz uma seleção de poetas consagrados e sextilhas belíssimas. A “saudade” é um tema que nunca se esgota, estando sempre presente entre nós..
    Todos os versos são lindos, mas destaco:

    Saudade é como ferida
    Que depois que dói inflama
    O seu correio não tem
    Recado nem telegrama
    Nem mesmo a pessoa atende
    Quando o mensageiro chama.

    Severino Pereira

    Um abraço e uma ótima semana!

    Muita Saúde e Paz!

    Violante Pimentel Natal (RN)

  4. Violante,

    É gratificante receber seu valioso comentário. Concordo com a observação de que a saudade é um tema inesgotável. Faço um brevíssimo comentário sobre essa vontade de ver de novo.
    Saudade, segundo a lenda surgiu no período dos descobrimentos e definia a solidão que os portugueses vindos para o Brasil tinham da sua terra e dos seus familiares. Eram atacados por uma melancolia por se sentirem tão só e distantes dos seus.
    Podemos sentir saudades, de um amigo que partiu, de uma comida que há muito não saboreamos, de uma cidade que conhecemos e que gostaríamos de voltar, de um período muito feliz de nossas vidas, saudades dos filhos quando crianças, saudades dos pais que já partiram, saudade da casa onde nascemos vivemos por muito tempo etc.
    Existe uma expressão que diz “matar a saudade.” Ela significa que no momento em que o indivíduo vê o objeto do seu sofrimento, torna-se alegre e feliz, portanto está matando aquela saudade.
    Compartilho uma sextilha de Manuel Pedro Clemente (1921 – 2014) sobre a saudade com a prezada amiga:

    “Toda noite eu perco sono
    Achando a cama ruim
    Me acordo de quando em quando
    Num pesadelo sem fim
    É a saudade trazendo
    Notícias dela pra mim.”

    Saudações fraternas,

    Aristeu

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