A SAUDADE NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

Na matéria acha guarida
E no espírito acha repouso
Bole com os sentimentos
Mata o sistema nervoso
E só entra no coração
O lugar mais perigoso.

Ivanildo Vila Nova

Saudade é sol luminoso
Que nasce atrás do além
É doce como bombom
Na boca de algum neném
E a saudade dos meus pais
É a mais doce que tem.

Rogério Meneses

Saudade tem cinco fios
Puxados à eletricidade,
Um na alma, outro no peito,
Um amor, outro amizade,
O derradeiro, a lembrança
Dos dias da mocidade.

Antonio Pereira (1891 -1982)

Guardo um baú de saudade
No cofre do coração
O cabelo mais parece
Um capucho de algodão
Que o vento arrancou do galho
Fez um tapete no chão.

João Paraibano (1952 – 2014)

Saudade é irresponsável
Entra e sai sem hora certa
Não pratica tiro ao alvo
Quando atira sempre acerta
A saudade não tem mão
Mas tem hora que aperta.

Rubens do Valle

10 pensou em “A SAUDADE NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

  1. Aristeu,
    Parabéns pelo artigo publicado.
    Versos que falam de saudades, saudade esta que muitas vezes nos invade a alma,geralmente por pessoas ou lugares que marcaram nossa caminhada!
    Escolhi!

    Saudade tem cinco fios
    Puxados à eletricidade,
    Um na alma, outro no peito,
    Um amor, outro amizade,
    O derradeiro, a lembrança
    Dos dias da mocidade.

    Antonio Pereira (1891 -1982)

    Fraterno abraço e uma feliz semana!
    Carmen.

  2. Carmen,

    Muito obrigado por seu comentário com observações importantes sobre a saudade. Ela é difícil de se explicar. Se buscarmos no dicionário o significado da palavra saudade podemos compreender um pouco melhor. É um substantivo e quer dizer “sentimento nostálgico provocado pela distância de (algo ou alguém), pela ausência de uma pessoa, coisa e local, ou ocasionado pela vontade de reviver experiências, situações ou momentos já passados”. Entretanto, os poetas conseguem definir a saudade de uma forma simples utilizando lirismo e metáforas que tornam os versos multicoloridos. Aproveito a oportunidade para compartilhar uma sextilha do poeta Antonio Pereira (1891 -1982) com a prezada leitora fubânica:

    Quem quiser plantar saudade
    Primeiro escalde a semente.
    Depois plante em lugar seco,
    Onde bata o sol mais quente.
    Pois, se plantar no molhado,
    Quando nascer mata gente.
    .
    Saudações fraternas,

    Aristeu

  3. Saudade é sempre um tema presente nos versos dos cantadores de viola. Gostei de todas as sextilhas, entretanto uma chamou minha atenção, esta bela estrofe de João Paraibano::

    “Guardo um baú de saudade
    No cofre do coração
    O cabelo mais parece
    Um capucho de algodão
    Que o vento arrancou do galho
    Fez um tapete no chão.”

    Uma excelente seleção de sextilhas sobre a saudade.

  4. Vitorino,

    Agradeço por seu valioso comentário. Aproveito a ocasião para fazer um brevíssimo comentário sobre a saudade. Sentir saudade de alguém é um dos sentimentos mais dolorosos que podemos experimentar. Sentir saudade vai mais além de se lembrar dos bons momentos vividos com a pessoa. Mesmo que ela não faça mais parte de nossa vida e mesmo que há muito tempo não a tenhamos em nosso coração, por vezes a recordação nos assola dia e noite. O problema de sentir saudades de alguém reside no vazio que é criado em nós quando a pessoa se vai. O espaço deve ser preenchido de alguma maneira e nem sempre a solução é deixar entrar outra pessoa. O repentista preenche esse vazio com versos belíssimos. Compartilho uma sextilha do poeta Antonio Pereira (1891 -1982) com o prezado leitor fubânico:

    Saudade é a borboleta,
    Que não conhece a idade.
    Voando, vai lá, vem cá,
    Misteriosa, à vontade.
    Soltando pelo das asas,
    Cegando a humanidade.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  5. Parabéns pela rica postagem prezado pesquisador e poeta Aristeu Bezerra! A Saudade é uma fonte inesgotável de inspiração para os poetas, inclusive os Repentistas. uma fonte inesgotável de inspiração.para os poetas. indistintamente. Os Repentistas, selecionados por você são excelentes.

    Merece destaque esta sextilha ::

    Na matéria acha guarida
    E no espírito acha repouso
    Bole com os sentimentos
    Mata o sistema nervoso
    E só entra no coração
    O lugar mais perigoso.

    Ivanildo Vila Nova

    Um grande abraço!

    Violante Pimentel

  6. Violante,

    É gratificante receber o comentário de uma pessoa com sensibilidade poética. Saudade é um sentimento misto, pois podemos nos sentir nostálgicos e relembrar uma boa época com carinho, mas também um vazio melancólico por conta do que ficou no passado. A sensação pode impedir a nossa adaptação ao que temos no presente, pois a dor do que ficou para trás transborda em nossa rotina. Os poetas sabem descrever esse sentimento que pode gerar distúrbios emocionais, como ansiedade e depressão, principalmente quando tentamos reprimir a falta.
    Aproveito a oportunidade para compartilhar uma sextilha do poeta e repentista Odilon Nunes de Sá (1900 – 1997) com a prezada amiga:

    O homem quando é poeta
    Só faz o verso medido
    Nunca faz curto demais
    Nem também muito comprido,
    Pois, sendo de menos não presta
    Sendo de mais é perdido.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  7. CORRIGINDO:

    Enviei uma sextilha que não falava em saudade. Desculpe-me o engano. Acredito que fiquei focado na prosa sobre o sentimento da poesia. Para compensar o erro, envio uma sextilha sobre saudade do grande repentista Pinto do Monteiro (1896 – 1990) para minha grande amiga:

    Essa palavra saudade
    Conheço desde criança
    Saudade de amor ausente
    Não é saudade, é lembrança.
    Saudade só é saudade
    Quando morre a esperança.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

    • Esses são uns pestes que partem, mas deixam não só a saudade como pessoas como também a esperança de que outros sigam o seu ofício.

  8. Marcos Ribeiro,

    Grato por seu ótimo comentário. É verdade que a poesia torna a vida mais amena, harmoniosa e bela. Há um poeta que se destacou por dedicar muitos versos ao tema saudade: Antonio Pereira (1891 -1982). Violeiro e poeta popular, ele mal assinava o nome e nunca fez da arte a sua profissão, tendo sobrevivido como modesto agricultor.
    Antônio Pereira participava de jornadas de improviso apenas com os amigos e os seus versos sobreviveram ao tempo porque eram repassados verbalmente pelos seus admiradores que os decoravam. Em 1980, com a ajuda de amigos, publicou seu único folheto, “Minhas Saudades”, uma coletânea de sua poesia.
    Compartilho uma sextilha de Antonio Pereira, o poeta da saudade, com o prezado amigo:

    Adão me deu dez saudades
    Eu lhe disse: muito bem!
    Dê nove, fique com uma
    Que todas não lhe convêm.
    Mas eu caí na besteira,
    Não reparti com ninguém.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

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