A SAGA DO CARROCEIRO

Veja aquele carroceiro
Que vai seguindo ligeiro
Puxando a sua carroça,
Num viver amargurado
Vive mal alimentado
Seu abrigo é uma choça,
Relegado ao desdém
Sempre nesse vai e vem
Mora na periferia,
Mas vive alegre e contente
Porque luta honestamente
Pelo pão de cada dia.

Você que vai num carrão
Por favor, preste atenção,
Naquele trabalhador
Que lhe falta quase tudo
Não teve acesso ao estudo
E nem tem anel de doutor,
Porém vive satisfeito
Mesmo humilde desse jeito
Fazendo seu quebra-galho.
Cumpre bem sua rotina
Sem falcatrua ou propina
Só come do seu trabalho.

Quando por ele passar
Ao invés de buzinar
Ou lhe fazer xingação,
É bom que medite um pouco
Não o classifique de louco
Mas analise a questão.
Note q’ele vai suado
E o suor derramado
Que escorre pelo seu rosto
É a marca registrada
Da luta amarga e pesada
Que enfrenta por ser disposto.

Sendo um homem de coragem
Encarou a reciclagem
Como a sua profissão,
Com garra força e capricho
Vive recolhendo o lixo
Que gera poluição,
O seu trabalho legal
Ajuda o rio e o canal
A menos se obstruir
Ao invés de debochá-lo
Criticá-lo ou chasqueá-lo
É bem melhor aplaudir.

Com o seu trabalho decente
Preserva o meio-ambiente
E tira a sujeira da rua,
É um cidadão de bem
Vive do pouco que tem
Sem trapaça ou falcatrua,
O que arruma em sua lida
Mal dá pra comprar comida
Nunca lhe sobra dinheiro,
Vive de bolsos vazios
Mas contém cunho e brios
Viva o nobre carroceiro.

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