ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

O mundo todo sofre uma carência imensa de verdadeiros líderes para conduzir as nações a novos patamares de felicidade e de progresso. Necessitamos urgentemente do surgimento de grandes estadistas do porte de Winston Churchill. A última geração de líderes com envergadura mundial, Ronald Reagan e Margareth Thatcher, deram lugar a um veadinho encrenqueiro e fuxiquento na França, junto a um velho caquético nos Estados Unidos, que não sabe nem que dia é hoje (O Alzheimer já lhe comeu a maior parte dos neurônios), e um oportunista insipido, insosso e inodoro na Inglaterra. Enquanto isso, a América Latina segue célere rumo à latrina da história, liderada por ensandecidos comunistas demagogos. O mundo árabe segue comandado com mão de ferro por fanáticos e o oriente segue sob a sombra do Partido Comunista Chinês. O Brasil segue aterrorizado pelos vermes do STF.

Pois bem! É sob o comando desta turma que estamos tendo que nos entender com alguns dos déspotas mais rapinantes com quem nos deparamos nas últimas décadas, muito especialmente o senhor Wladimir Putin.

Recordemos um pouco da história da Europa, para nos contextualizarmos. Apesar de estarmos conscientes da frase de Churchill a este respeito: “A principal lição a extrair da história é que a espécie humana é incapaz de aprender”, cremos que a realidade está bem próxima disto, mas graças a Deus, há raras e honrosas exceções.

Durante milênios, a península da Europa foi palco de sucessivas levas de emigrantes oriundos das infinitas estepes asiáticas. Cada uma destas hordas trazia línguas e costumes totalmente diferentes. O ponto comum entre elas era um exacerbado espírito guerreiro, sem o qual não sobreviveriam a tantas e tão severas vicissitudes como as que se depararam ao longo das suas longas andanças.

A consequência natural deste variegado mosaico cultural foi uma permanente guerra de todos contra todos (bellum omnium contra omnes). Historiadores aventam a possibilidade de que a evolução mais rápida da Europa, frente aos impérios que lhes foram contemporâneos (Chinês, Mongol, Macedônio, Persa, Romano, otomano, árabe, etc.) se deu exatamente pela constante e desesperada busca dos inúmeros povos por alguma vantagem competitiva que lhes aumentasse as chances de sobrevivência frente aos numerosos e encarniçados inimigos externos.

O longo período de paz atual, da 2ª Guerra Mundial aos dias atuais (de 1945 a 2022 – 77 anos portanto), nunca ocorreu na região. Os únicos conflitos hoje são localizados, em pequena escala, e na periferia. O que mudou? Qual a razão desta longa bonança bélica? Como prolonga-la e expandi-la? Em outubro de 1939, quando a Rússia ocupou metade do território polonês, junto com a Alemanha, primeira invasora, as palavras do 1º Lorde do Almirantado, Churchill, foram surpreendentemente moderadas frente à política do Kremlin. Lembremos que:

a) Churchill apoiou veementemente entrar em guerra com a Alemanha por causa daquela mesma invasão;

b) Todo o comando governamental inglês esbravejou acaloradamente contra a ocupação russa; e

c) Churchill sempre havia sido radicalmente contrário a todo tipo de socialismo e de comunismo.

Por que essa mudança radical e contrária a todo o estamento governamental inglês?

Primeiro, ele afirmou que não se surpreenderia caso a Alemanha invadisse a Rússia, o que veio efetivamente a ocorrer no ano seguinte. Ele sabia que Hitler e Stalin eram farinha do mesmo saco, mas tinha que escolher um para brigar com o outro. Sabia que uma parceria entre a Inglaterra e a Rússia seria fundamental para fazer frente à poderosa máquina de guerra alemã. Esta imensa capacidade de previsão geopolítica foi fundamental para tornar possível, mais adiante, a aliança entre a Rússia, a Inglaterra e os Estados Unidos, que derrotou as forças do Eixo.

No dia 22 de junho de 1942, já como 1º Ministro, ao ser informado do desencadeamento da Operação Nazista para a invasão da Rússia, Churchill fez um discurso pela BBC que é considerado uma das suas obras primas.

Disse ele: “Durante os últimos 25 anos, ninguém foi adversário mais firme do comunismo que eu, e não renego nada do que tenho dito. Mas, frente ao espetáculo atual, tudo desaparece: o passado com os seus crimes, suas loucuras e suas tragédias. Tudo isso desaparece. Temos um compromisso irrevogável: abater Hitler. Todo homem, todo país que combate o poder nazista terá nosso apoio. Todo país que se alie a Hitler é nosso inimigo. Por conseguinte, daremos à Rússia e ao povo russo toda a ajuda possível. Por todo o mundo, homens e povos livres defendem a mesma causa daqueles que se batem para defender o seu solo, suas casas, os campos que os seus antepassados lavraram desde tempos imemoriais, os milhares de aldeias, onde é tão difícil arrancar à terra os meios de subsistência, mas onde ainda se podem encontrar as alegrias da existência humana: O riso das raparigas e as brincadeiras das crianças”.

A base de todas as admoestações “Churchillianas” é a famosa Carta do Atlântico, assinada por ele e Roosevelt no seu primeiro encontro pessoal em 12 de agosto de 1941, a bordo do Prince of Walles, ao largo da costa da Terranova (Newfoundland). É este documento, de profundo realismo político, mesclado com idealismo moral, que vem norteando a Aliança Geopolítica dos países envolvidos na 2ª Guerra Mundial na Europa, vencedores e vencidos, e que tem propiciado quase um século de paz naquele continente. Seus pontos principais são:

• AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS – Mudança territorial só com a aprovação da população;

• Cada país deve escolher livremente a forma de governo que quiser;

• Abandono da força na resolução de conflitos e na busca da segurança coletiva; e

• Liberdade de comércio.

Estivesse Winston vivo e atuante, creio que o velho Buldogue nos recomendaria algo mais ou menos assim para resolver o conflito entre a Rússia e a Ucrânia:

a) Retirada total e unilateral das forças russas do território Ucraniano, inclusive Crimeia e Dombass.

b) UCRÂNIA – AME-A OU DEIXE-A! O habitante da Ucrânia que quiser ser russo, junte suas trouxas e vá embora. Putin lhe recebe de braços abertos. A língua OFICIAL da Ucrânia é UCRANIANO, e deve ser usada com exclusividade em todos os documentos escritos e na educação dos jovens.

c) O governo russo deve abrir mão, definitivamente e indefinidamente, de qualquer pretensão territorial, seja no país que for. Já lhes bastam os mais de 22 milhões de quilômetros quadrados atuais.

d) Deverá, também, indenizar os milhares de pessoas mortas e feridas na Ucrânia por conta da invasão, assim como arcar com todos os custos decorrentes da reconstrução do que foi destruído, mesmo equipamentos militares. Pagar lucros cessantes às empresas, trabalhadores e agricultores. Utilizar as reservas internacionais da Rússia para tal.

e) Indenizar as empresas ocidentais que abandonaram a Rússia por conta da guerra. Pagar compromissos atrasados dos arrendatários de aviões, das transferência de lucros e pagamento de royalties por tecnologia.
Por conta destas providências, a Rússia teria as seguintes contrapartidas:

f) Declaração CONJUNTA de que a Rússia GANHOU A GUERRA em todas os seus aspectos, que o poderio militar da Rússia é imbatível, que Putin é o fodão das galáxias e que a Rússia é uma das Grandes Potências do Mundo Moderno (Só não vai poder “liberar” mais país nenhum);

g) Interrupção imediata de TODAS as sanções levantadas contra a Rússia pelo ocidente;

h) Liberação imediata do saldo remanescente das reservas internacionais russas;

i) Restabelecimento integral de todas as formas de comércio e intercâmbio da Rússia com o restante do mundo, inclusive com a liberação recíproca do espaço aéreo e, para completar com chave de ouro;

j) A RÚSSIA SER ADMITIDA COM FANFARRAS COMO MEMBRO PLENO DA OTAN.

Deixaremos, inclusive, Putin anunciar ao seu público interno que forçou todo o restante do mundo a se curvar diante dele e que nós tivemos de o engolir goela abaixo bem, do jeitinho que ele quis.

A partir daí a Rússia, tal como todos os demais membros da aliança, estará impedida de sair invadindo vizinhos. Fará muito melhor negócio se incrementar o bem-estar da população usando os ganhos do comércio maior e da redução das despesas bélicas. Teremos todos uma época de ouro por centenas de anos pois, quem se desviar dessa ortodoxia, terá de enfrentar a ira de uns 50 poderosos países conjuntamente. Deixa entrar também a Ucrânia, a Suécia, a Finlândia, e Geórgia, e quem mais quiser.

Lembremo-nos da advertência feita pelo nosso mestre em 1942: “Seria uma desordem sem limites se a barbárie russa submergisse a cultura e a independência dos velhos Estados da Europa”.

Creio, como o velho Winston, que a alternativa de atrair os russos à civilização é bem melhor que tratá-los como se fossem um cão leproso.

2 pensou em “A RÚSSIA NA OTAN – URGENTE !

  1. Bom dia Touro Indomável,

    “A principal lição a extrair da história é que a especie humana é incapaz de aprender “.
    Como diz Sancho:

    “Deus precisa voltar com urgência pra prancheta”.

    A humanidade não deu certo.

    Vivo a ler e reler as frases de Churchill.
    As cheias de humor também valem a pena.

    Abraços e bom domingo.

  2. Como diz Schirley, bom dia Touro Indomável.

    Somos dois favoráveis à Guilhotina contra esses inimigos da Democracia, a começar pelo ex presidiário Llulla. A morte desse cafajeste cessa toda balbúrdia.

    O texto do mestre, como sempre publicados aos domingos, está brilhante. É uma aula de história que acrescenta aos meus conhecimentos.

    A gripe me fudeu.

    Ainda bem que aos poucos os vírus vão saindo, e a animação começa a dá as caras.

    Abraçaço.

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