J.R. GUZZO

O Brasil encerrou o ano de 2021 com uma vergonha estampada no meio da testa: pela primeira vez, desde o regime militar, e num caso único em qualquer nação democrática do mundo, há um preso político trancado numa cela de presídio neste país. Em nome das “instituições democráticas”, e agindo como um porão de polícia secreta, o Supremo Tribunal Federal mantém preso há mais de quatro meses, sem direito de defesa e sem processo legal, um cidadão que não cometeu nenhum crime para o qual a lei brasileira prevê prisão. Está cumprindo pena sem ter sido processado, julgado e muito menos condenado.

O ex-deputado Roberto Jefferson está preso na penitenciária de Bangu porque dirigiu ofensas aos ministros do STF. Insulto não é nenhum crime que permita a autoridade pública jogar um cidadão na cadeia. No máximo, é delito de injúria, no qual o autor é processado em liberdade; caso condenado, jamais cumpre pena de prisão, ainda mais se é réu primário. Mas Jefferson não está respondendo a nenhum processo legal na Justiça – foi preso por ordem pessoal de um ministro do STF, e vai ficar na prisão por quanto tempo o ministro quiser, sem que seus advogados possam recorrer a nada ou a ninguém. Isso se chama prisão política. Só acontece em ditadura.

A prisão do ex-deputado é, como tantos outros, um ato puramente ilegal do STF. A desculpa utilizada pelo ministro Alexandre de Moraes – que neste caso consegue o prodígio de agir, ao mesmo tempo, como delegado de polícia, carcereiro, promotor e juiz – é que Jefferson é uma “ameaça à democracia”. Como assim? Por acaso ele está comandando algum grupo terrorista? Está armazenando armas para dar um golpe de Estado, ou treinando combatentes para atos de violência? É claro que não, mas e daí? Moraes acha que ele é uma “ameaça à democracia”, e isso, no seu entender, permite à autoridade ignorar a lei e eliminar os direitos individuais do acusado.

Tecnicamente, o ex-deputado está em “prisão preventiva” – medida que se aplica a criminosos que são um perigo real e imediato para a segurança dos demais cidadãos, ou que vão cometer crimes outra vez. É um disparate em estado puro, mas Moraes decretou que a prisão de Jefferson é “necessária e imprescindível” – o que consegue ofender, ao mesmo tempo, a lógica e a gramática. É onde estamos.

A mídia, as classes intelectuais, os defensores dos direitos humanos e o restante do “Brasil democrático” não dizem uma sílaba sobre nada disso. Como Jefferson é um homem de direita, acham que ele não tem direito à proteção da lei. Talvez esteja aí, no fundo, a pior vergonha.

6 pensou em “A PIOR VERGONHA

  1. O PR e congresso devem tomar uma providência contra as nefastas atitudes do stf. Ficar com o rabo preso por causa de processos é extrema covardia. Façam uma nova lei que os protejam MAS se livrem deste ninho de urubus sustentados com lagostas, caviar e vinhos caros.

  2. Bob Jeff é uma pedra no sapato de muita gente. Uma pessoa difícil de defender. Aí é que está a beleza da democracia na civilização judaico cristã fundamentada nos princípios conservadores do direito romano e filosofia grega. São estes os casos que devemos defender par poder acreditar na liberdade de expressão.

    Devemos lembrar também que há outros presos em prisão domiciliar com tornozeleira e mais um monte de restrições. O caminhoneiro Zé trovão, os jornalistas Osvaldo Eustáquio e Wellington Macedo. O Jornalista Allan dos Santos só não está preso por ter se refugiado nos EUA.

  3. O que não consigo entender é porque ninguém reage a esta aberração . O que fazem neste país o Congresso , a PGR , Forças Armadas , Policia Federal e os próprios juízes o STF e STJ , esse “Gulag” de instituições ineficientes e inúteis ? O quê explica tanta indiferença de uma população inteira ?

  4. O Brasil precisa URGENTEMENTE de uma revolução sangrenta,digna verdadeiramente deste nome.

    Milhares de parasitas governamentais, gordos e inúteis nababos, todos cevados a abundantes verbas públicas, sendo caçados nas ruas como quem caça ratos com a peste bubônica.

    Talvez, ao final desta monumental catarse coletiva, nos transformemos em um país menos infestado de tantos canalhas em posições governamentais infernizando a população.

    Só aí, poderemos ter segurança de que o fruto de nosso trabalho reverterá integralmente para o nosso benefício e bem estar.

    Quem viver, verá!”

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