GUILHERME FIUZA

Quando Luma de Oliveira apareceu na Marquês de Sapucaí usando uma gargantilha com a inscrição “Eike”, os libertários foram à loucura. O que era aquilo? Uma mulher de coleira para avisar que tinha dono? As interpretações escandalizadas iam daí para mais, apesar de a modelo dizer que era apenas uma homenagem ao marido, sem entrar muito na polêmica.

De lá para cá, o mundo deu muitas e muitas voltas. Eike Batista faliu e chegou a ser preso. A patrulha politicamente correta se multiplicou mais do que a fortuna imaginária de Eike. E os libertários de plantão hoje usam coleira vacinal – mais orgulhosos que Luma no Sambódromo.

O Carnaval de 2022 promete. Se a Luma era do Eike, agora o folião é da Pfizer. Cada um com a sua coleira (e o seu fetiche). Acabou definitivamente aquela ideia de que no Carnaval ninguém é de ninguém. Agora todo mundo tem dono. O prefeito do Rio de Janeiro já avisou: com o cartãozinho higiênico é só chegar. Mas não fique achando que daí em diante é libertinagem total. Nada disso. O coração é da mamãe, a cabeça é do papai e o bracinho é do lobby. A chave da cidade não abre mais nada. O Rei Momo vai inaugurar o Carnaval com uma seringa.

Qual coleira você acha mais excitante? A do Eike ou a da vacina?

A que a Luma usava tinha um apelo provocante – uma mulher desejada por uma multidão e marcada voluntariamente como exclusividade de um só. Milhões de fantasias provinham daquela gargantilha, ou coleira, como rosnaram os despeitados. Uns viam coragem e entrega romântica, outros viam sujeição e negação do espírito carnavalesco. Mas, pensa bem. A coleira da vacina traz um apelo que nem uma Luma seminua tem.

No novo desbunde higienista, o grande fetiche está em imaginar quem ficou de fora. A imaginação é a irmã silenciosa da excitação. Não importa que essa vacina não impeça a infecção, nem o contágio. Se os israelenses lideraram a vacinação e continuaram sendo internados com covid, se veste de árabe e cai na folia. E principalmente pensa nos segregados. Pensa nos que você pode chamar de imundos e arcaicos porque não usam uma coleirinha vacinal como a sua. Ai, que delícia. Chora, cavaco.

Como em todo curralzinho vip, a graça é imaginar quem ficou de fora. Olha que Carnaval excitante: todo mundo se aglomerando sem nem pensar em vírus, tipo ministro da Saúde em Nova Iorque. Estava infectado, mas e daí? O importante é estar vacinado e apresentar o passaporte de rebanho vip. Aí você pode tudo. Dane-se a saúde – o importante é a vacina. Isso dá samba. Vamos lá, batuca aí:

Se joga na avenida
É o Carnaval do vacinado
Não conta pra ninguém
Que o vírus não foi barrado
Olê olê
Olê olá
Quem não tem o cartãozinho
Vai ter que rebolar!

O próprio prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, num jorro de sinceridade, avisou que passaria a “dificultar a vida” dos não vacinados – inclusive impedindo acesso à saúde! Nunca se viu uma autoridade assumindo com tanta desinibição a coação explícita ao cidadão. Entendeu o refrão? Vai ter que rebolar para viver. Entendeu o enredo do samba? Não é sobre saúde, é sobre vacina!

Agora senta para não cair: a bravata totalitária e desumana desse folião macabro ficou por isso mesmo. Dois desembargadores decidiram contra essa ilegalidade explícita que não salva vida de ninguém e cria cidadãos de segunda classe, mas no STF (que não falha) o companheiro Fux matou no peito as decisões da Justiça do Rio de Janeiro e mandou Eduardo Paes continuar tranquilo a sua caçada ao direito da pessoa humana.

O carioca indomável, quem diria, virou um cachorrinho de madame. Um rebelde de coleira e focinheira – amestrado pela falsa ciência do consórcio de lobistas. Quem vai parar os urubus dessa ofegante epidemia?

6 pensou em “A PFOLIA DA PFIZER

  1. Quando alguém fala contra a vacina, é chamado de monstro e de sociopata porque estaria colocando outras pessoas em risco, e para conter a pandemia precisamos ter o máximo possível de gente vacinada.

    Mas quando a iniciativa privada quis comprar vacinas, o que diminuiria a fila do SUS, foi aquela gritaria contra “os ricos furarem a fila”.

    E quando se soube que algumas pessoas não queriam tomar vacina de algumas marcas, foram imediatamente rotuladas de “gourmet de vacina” e vários estados os condenaram a passar para o fim da fila. Aí o desejo de punição ficou mais importante do que o perigo que o não-vacinado representa para os outros.

    Essa pandemia feriu mortalmente a capacidade de raciocínio das pessoas pelo mundo afora. Não será fácil recuperar essa capacidade. Caminhamos para um mundo de escravos.

  2. Tomei a vacina da “Pfizer pra fazer” parte do coro dos que querem ver os semelhantes livres do perigo.
    Tomei Ivermectina também.
    Só não tomei Hidroxicloroquina porque não achei.
    Andei pouco por aqui , mas ninguém me perguntou se estava vacinado ou não .
    Meus filhos ,meus sobrinhos mais próximos , saíram a passeio de trem ,ônibus , avião e nenhuma interferência de quem quer que seja.
    Acredito que cada um deve saber o que é melhor para si e para os seus , ser responsável e responsabilizado por suas atitudes e tomar o que achar necessário . Cuidado todos tem que ter , mas em tudo nem mesmo o cuidado de um pode salvar todos. É preciso respeito e responsabilidade para dar a outros o direito que pede para si.
    Menos plateia , menos “ciência” , mais consciência .
    Aos 17 anos durante uma palestra no Senai , um militar provavelmente de alta patente disse -nos e sigo até hoje :
    Nosso direito acaba onde começa o do próximo.

  3. Taí seu prefeito Rio de Janeiro, elejam esse infeliz mal acabado de novo. Só vagabundo pilantra no comando dessa cidade. Afff… Não somos ratos de laboratório. Tomei todas as vacinas que imunizam, não essas porcarias impostas por políticos canalhas corruptos com sorriso hipócrita no rosto. O número de óbitos caiu?? Claro, acabou a grana, torraram tudo o que puderam. Agora, essa é a saída. Fica em casa, que a economia a gente vê depois. PALHAÇOS!!!

  4. Meu amigo tomou duas doses de vacina. Com 50 anos está entubado. Não tem nenhuma doença como diabetes, problemas cardiacos, não tem sobre peso. É sadio. Está, agora, entre a vida e a morte vacinado, perfeitamente como “manda o figurino” dos políticos.

    • Tenho amigos acima do peso , inclusive minha irmã .Outros com peso médio e alguns magérrimos .
      A maioria entre 60 e 80 anos , quase todos com problemas que a idade costuma trazer. Diabetes , pressão alta , coluna , problemas renais , cardíacos , artrite , artrose , problemas da horta e das hortaliças , enfim tudo quanto é sorte (ou azar )de doenças .
      Mas tomaram até a terceira dose da vacina. Até agora nenhum morreu , nem mesmo atropelado.
      Uns são a favor de Bolsonaro , outros são contra o petista , alguns nem sabem se são contra ou a favor de qualquer outro , mas deixaram a política de lado e foram cuidar da própria saúde.
      Após vacinarem-se voltaram a guerra. Cuidaram antes da própria vida , e cada um sabe se está certo ou errado.
      Não houve obrigatoriedade , e ainda perguntaram se a pessoa queria tomar.
      Assim como temos que ter cuidado com o que injetam bem nossos corpos , também temos que ter cuidado com o que tentam injetar em nossas mentes.
      Certo ou errado , ainda é o direito de todos.

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