ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

Em que pese à cidade alagoana de Marechal Deodoro possuir mais de 400 anos desde sua fundação, hoje, está parecendo mais uma jovem debutante na flor da idade com seus 15 anos. Digo isso, em razão de, no final de 2020 e começo de 2021 tive a oportunidade de romper o ânus(no singular), naquela aprazível cidade de bela musicalidade e tão bem exaltada em verso e prosa pelo nosso ótimo camarada que é o colunista fubânico, CARLITO LIMA (tarado por Alagoas), que aliás, já teve a oportunidade de ser secretário de cultura daquele pedaço de paraíso alagoano banhado pela deslumbrante Lagoa Manguaba que se divide com outra bonita lagoa que é a do Mundaú localizada em Maceió, separadas por Bancos de areia(conhecidos por restingas) donde, juntas, desembocam no oceano.

Referindo-me àquele pedaço de chão das Alagoas, segundo conceitos antigos ou como se diz, antigamente, o patrimônio histórico de uma cidade se referia ou media-se através de seus monumentos, prédios históricos, pinturas, esculturas, ou seja, aos bens materiais. Pois bem, na atualidade, baseado nos dados da Unesco, PATRIMÔNIO compreende o material e o imaterial representado de múltiplas e variadas formas de manifestação cultural como a música, literatura, teatro, gastronomia, no qual o patrimônio cultural é representado por essa transformação de conceito que retrata a coletividade de uma região.

Essa mesma Unesco nos assegura que para formalizar um patrimônio cultural como interesse comum para a humanidade é levado em consideração o significado e a importância quanto ao valor histórico, estético, arqueológico, etimológico ou antropológico. No caso específico de Marechal Deodoro um detalhe que chama muito atenção é a sua musicalidade. No campo do conhecimento musical, a cidade é conhecida como à terra dos maestros, pois quando se sobe e desce aqueles becos e ladeiras é que percebemos vários casarões com placas indicando que ali, naquele local, funciona uma escola de música.

Marechal Deodoro que fica a 23 quilômetro da capital Maceió possui uma população de 50 mil habitantes e um fluxo de turistas de todo o país que vem conhecer as belezas da praia do Francês com suas pousadas e bares sofisticados, além de passear de lanchas ou jet ski nas lagoas da Manguaba e Mundaú que cortam os aprazíveis lugarejos de Massaguera de baixo e de cima, Barra Nova, ilha de Santa Rita e, entre tantos monumentos que embelezam à cidade, vem em destaque maior as belas igrejas que estão todas sendo restauradas pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), ficando o destaque maior para a Igreja Nossa Senhora do Amparo, da Conceição, do Carmo, Senhor do Bonfim e a histórica Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, um dos prédios mais antigos do Centro Histórico, além do Museu de Arte Sacra e a pintura de cores fortes da ala residencial central tendo como destaque o armazém das 12 portas que funciona como um centro de artesanato.

Quem se dirige à multicolorida e policromada Marechal tendo como ponto de partida Maceió, tem como obrigatoriedade passar pelo subúrbio do fubânico CARLITO LIMA, que é o tradicional Bairro Histórico do Jaraguá. Para quem é fã da arquitetura, o celular ou câmera fotográfica é um item indispensável nesse passeio. O prédio da Associação Comercial Alagoana, por exemplo, é um dos mais bonitos marcado pelo seu estilo neoclássico. Hoje, o bairro é sede da Prefeitura, do Museu de Arte Brasileira, da Associação Comercial de Maceió e do Centro de Convenções. A nota triste do belo bairro do Jaraguá é o NÃO tombamento da antiga sede da Bolsa de Valores de Maceió que está em ruínas e é considerado o mais bonito prédio daquele bairro, que antigamente era uma vila e surgiu antes mesmo da povoação de Maceió, a famosa vila tendo como destaque uma aldeia de pescadores.

Finalmente, em minha estada ou estadia na cidade de Marechal Deodoro(AL) com suas cores intensas e vibrantes, tive a honra de conhecer um casal que muito me encantou: trata-se da cantora e compositora Dona Benedita e o seu marido Nélson da Rabeca. O interessante é perceber que o Senhor Nélson da Rabeca é um exímio tocador e afinador de rabeca, instrumento este que fabrica com as próprias mãos de forma artesanal. Outro fato que chama atenção é que ele ao ver um violino pela televisão, o cortador de cana alagoano descobriu uma forma de sobreviver através da música. Em seus discos gravados, conforme nos conta seu produtor, a rabeca ganha contornos e sons ásperos, entremeados pela voz e letra de Dona Benedita, esposa de Seu Nélson, e expressam encontros, amores e amizades entre gerações de músicos e amigos, entre a cultura popular e a improvisação livre, numa grande celebração sonora. Seu Nélson e Dona Benedita são patrimônio vivo da Nova Marechal do Velho Capita.

13 pensou em “A NOVA MARECHAL DO VELHO CAPITA

  1. Thomas Rohrer, suíço de Aarau, radicado no Brasil desde 1995, iniciou seus estudos musicais como violinista e estudou saxofone na faculdade de jazz de Lucerna. Seu trabalho com a rabeca e o saxofone tem foco principal na improvisação livre, mas pode ser encontrado também no diálogo com a música tradicional brasileira.
    Como se não bastasse, encontra esse outro gênio, Nelson da Rabeca!!! Sensacional!!!

  2. Simplesmente impagável A NOVA MARECHAL DO VELHO CAPITA. Uma ode a uma Musa que, quanto mais velha vai ficando mais charmosa e elegante se torna, naturalmente.

    Quem projetou A Nova Marechal foi um visionário do elixir da juventude.

    E o que dizer do genial anfitrião Seu Nelson da Rabeca e Sua Benedita?

    Belíssima homenagem, Mestre Altamir.

    Parabéns!

  3. Carlito Lima em texto de Altamir… E lá vão os fubânicos “tomar banho” de cultura nas várias lagoas de boa prosa e grandes versos fubânicos.

    Relembra Sancho que quando o frete o levava por tais paradisíacas paragens, adora perambular pela praia do Francês com suas pousadas (falta de grana pousava meu esqueleto na boleia do velho Quixote Véi di guerra e tomava umas pingas em bares NÃO sofisticados, além de passear SEM lancha ou jet ski nas lagoas da Manguaba e Mundaú.

    Certamente o Jardim do Éden possui CEP em Alagoas.

  4. Meu amigo Altamir eu fiquei emocionado com sua crônica e referências gentil a seu amigo. Obrigado e quero permissão para divulgar sua crônica, estou envaidecido, nas redes sociais. Agora vou ver meu filme de cowboy O HOMEM QUE MATOU O FASCÍNORA. Quando vier por aqui me telefone, eu por enquanto não saio de casa comedo desse vírus.

  5. Impossível seria não comentar tão belíssimo texto. Dá até vontade de
    sair voando daqui deste sul brasileiro ainda tranquilo para conhecer as
    maravilhas do nosso nordeste. Não conheço Alagoas, mas tive o
    prazer de conhecer Recife, , Olinda, Salvador e todas essas cidades
    estavam em festas, sorte minha, pois temos sorte, se sobrevivermos
    à destruição esquerdopata, principalmente de elementos destruidores
    que sabem desconstruir aquilo que foi erguido com o nosso esforço e nosso
    sangue e muito trabalho.
    Elementos inteligentes, mas que usam a sua sabedoria para
    combater com argumentos insólitos e babacas, como aqueles defendidos
    por criaturas bestiais como Goiano, Lula, Zé Dirceu e mais uma centena
    de babacas que ficam cagando explicações, onde não há o
    que explicar, num pais que concede o direito de visitar um pais comunista
    estrangeiro a um criminoso, ( Goiano vai dizer que ele não é criminoso)
    é sim, está camuflado pela sua gang. Digo bandido, condenado e
    cuspido em segunda estância, quando devia estar trancafiado ( junto com os 11 celerados) que o soltaram..
    2022 está cada dia mais perto e confio que até lá as coisas vão ser
    mais esclarecidas e os eleitores vão ter a oportunidade de ver com os
    olhos bem abertos quem é o herói e quem é o bandido. Esse dia chegará
    com certeza.

    Peço desculpas por ter sujado com política a sua bela crônica.

  6. Altamir, além de nos dar um panorama legal desses lugares, ainda faz referência ao genial Carlito Lima, veterano do Jornal da Besta Fubana, com suas crônicas leves e picantes de leitura suave e que também nos remetem a belas paisagens do Nordeste.
    Esperamos que os belos lugares do nosso País não sejam destruídos pelo fascismo defendido por d.matt e que possamos florescer e progredir em clima humanista e civilizado.

  7. Goiano,

    Eu acho que você está redondamente enganado ao afirmar que d.matt defende o fascismo, muito pelo contrário!!! Até onde conheço, d.matt é amante e defensor da paz, da concórdia e dos bons costumes…

  8. Arretado, Berto, nossos agradecimentos pela publicação. Nosso amigo Carlito levou a velha Marechal Deodoro ao mundo.

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