ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

O repentista Severino Lourenço da Silva Pinto (1895-1990) era mais conhecido como Pinto do Monteiro, uma referência à cidade natal, localizada no estado da Paraiba.

É considerado um gênio do repente.

Além da extraordinária capacidade de improvisação, ele se destacava pela métrica dos versos, impecavelmente precisa e pela ironia das respostas.

Um dos seus grandes parceiros foi Lourival Batista (1915-1992), natural de São José do Egito.

Pinto voltara do Acre havia pouco tempo, doente, quando Lourival o provocou porque ele recusara a “tomar uma”:

Pinto foi pro Amazonas
Pensando que enriquecia
Além de não arrumar nada
Se esqueceu do que sabia
Nem canta como cantava
Nem bebe com bebia.

Pinto fulminou com versos que ficaram na memória de quem aprecia a poesia pura do repente:

Essa sua cantoria
Não me deixou satisfeito
Nunca me faltou lembrança
E muita força no peito
E a boca de beber
Ainda está do mesmo jeito.

Lourival Batista e Pinto de Monteiro

7 pensou em “A MÁQUINA DE FAZER VERSOS

  1. Lindíssima postagem, prezado Aristeu! Parabéns!

    A interação, entre os repentistas Pinto do Monteiro (1895-1990) e Lourival Batista (1915-1992), no momento em que o primeiro, por motivo de saúde, se recusou a “tomar uma”, demonstra o elevado grau de inteligência, e bom humor dos dois excelentes poetas. Bom demais!!!

    Uma ótima semana, com muita Saúde e Paz!

    Violante Pimentel – Natal (RN)

  2. Violante,

    Grato por seu comentário com observações pertinentes sobre o bom humor, inteligência e rapidez de raciocínio dos repentistas. Aproveito esse espaço democrático do Jornal da Besta Fubana para contar um episódio acontecido entre Pinto do Monteiro (1895-1990) e Job Patriota (1929 – 1992) .

    O poeta e repentista Job Patriota (1929 – 1992), pernambucano de São José do Egito, certa vez, cantando na cidade de Tabira, sertão do Pajeú com Severino Lourenço da Silva Pinto que começou assim uma sextilha:

    Foi passando uma donzela

    E pra ela dei psiu…

    Job, que apreciava o gênero lírico, pensou imediatamente com os seus botões: “pra onde esse doido quer ir?”. E Pinto continuou improvisando:

    Ela parou lá na frente

    Perguntou: “que foi que viu?”

    — Foi a beleza do céu

    Que no seu rosto caiu.

    Desejo uma semana plena de paz, saúde, serenidade e alegria

    Aristeu

    • Obrigada, Aristeu, por compartilhar comigo o episódio acontecido entre os repentistas Pinto do Monteiro (1895-1990) e Job Patriota (1929 – 1992), que resultou na bela sextilha:.

      “Foi passando uma donzela
      E pra ela dei psiu…
      Ela parou lá na frente
      Perguntou: “que foi que viu?”
      — Foi a beleza do céu
      Que no seu rosto caiu.”

      Adorei.

      Uma ótima semana para você também, plena de paz, saúde, serenidade e alegria!

      Violante Pimentel

  3. Pinto do Monteiro merece esse destaque com certeza. A naturalidade e rapidez de improviso na construção dos versos eram características marcantes em sua cantoria. Cognominado “A Cascavel do Repente”, o repentista era ágil, certeiro, veloz, e também venenoso e mortífero, se provocado não tinha papas na língua nem conveniências. E o contendor era obrigado a recuar porque, com sua peculiar fertilidade de versejar, era capaz de fazer uma segunda sextilha antes que o outro se refizesse do choque da primeira resposta.

  4. Vitorino,

    O seu comentário sobre as qualidades de Pinto do Monteiro (1895-1990) estão corretíssimas. Os seus pares consideravam esse poeta e repentista um gênio no universos da poesia cantada. Aproveito a ocasião nesse espaço democrático do JBF para compartilhar uma sextilha de Pinto do Monteiro com o prezado amigo:

    Aonde eu chego, não vi
    Mal que não desapareça
    Raposa que não se esconda
    Bravo que não me obedeça
    Letrado que não me escute
    Cantor que não endoideça.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  5. O meu ccmentário chegou atrasado por motivo de viagem, entretanto não poderia deixar em branco uma homenagem a Pinto do Monteiro. Ele definiu o poeta de uma forma sábia que quem a conhece jamais vai esquecer: “Poeta é aquele que tira de onde não tem, e bota onde não cabe”..

  6. Messias,

    Muito obrigado por seu valioso comentário. Concordo que a definição de poeta de Pinto do Monteiro é muito sábia. O genial poeta Pinto do Monteiro tinha uma qualidade muito importante para quem faz versos de improviso: o bom humor. Aproveito a ocasião para compartilhar uma sextilha engraçada desse cantador sem parelha:

    Cantar com quem canta pouco
    É viajar numa pista
    Com um carro faltando freios
    O chofer faltando a vista
    E um doido gritando dentro
    Atola o pé motorista.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

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