FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

Atualmente, nos quatro cantos do país, a criticidade construtiva se encontra num dos mais baixos índices da História do Brasil, com as exceções que merecem entusiásticos aplausos, com destaque para o Jornal da Besta Fubana, coordenado pelo escritor Luiz Berto, que açoita sem dó nem piedade gregos e troianos, artistas e abiscoitados.

Entretanto, nos tempos atuais está fazendo uma falta danada um pernambucano que sabia como ninguém chicotear os bagos e os cus dos parangolés mentais, cretinos, fingidos, assassinos e genocidas, que ainda se fingiam de vítimas nos cenários pátrios.

Sabia bem, Nelson Rodrigues, a validade do pensar do economista sueco Gunnar Myrdal – “O pior subdesenvolvimento é o mental” -, bem como tinha consciência da reflexão do saudoso economista paraibano Celso Furtado – “O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos retângulos. Mas será que o triângulo é retângulo?”.

As últimas pesquisas brasileiras comprovam um brutal crescimento do analfabetismo funcional, produto direto de uma alfabetização capenga e uma ausência gigantesca do ensino dos cálculos aritméticos mais elementares, comprovando uma debilidade do ensino dos primeiros saberes por parte de professores também vítimas de um Curso de Pedagogia sem um mínimo de criatividade metodológica. Área muitas vezes frequentada por gente sem um mínimo cultural, recheada de mimimis e outras estrovengas mentais, tudo superado há muito tempo. Parecendo alunos sempre situados numa Caverna de Platão, apenas voltados para sombras, jamais vinculados a uma realidade amplamente evolucionária, sempre vitimados por salários de poucos reais, a mercê de estrepolias populistas de governantes fingidamente preocupados com o saber infantil e de empresários sabidões.

Para os leitores deste jornal fubânico, despertador de horizontes libertários, escolhi alguns pensares do Nelson Rodrigues, buscando favorecer um despertar militante de uma cidadania que ilustre gregos, troianos, negros, brancos e pardos, o gênero sexual não sendo levado em consideração, tampouco o pertencimento às áreas urbanas e rurais dos quatro cantos de um Brasil que necessita deixar de ser nulamente rabolátrico e densamente analítico. Encarecemos uns instantes de reflexão sobre cada frase do Nelson Rodrigues, individualmente, em família ou pequenos grupos, favorecendo uma enxergânca cívica capaz de sair do apenas futebol cbdbóstico para as instâncias verdadeiramente cidadãs, nunca autofágicas. Ei-las:

a. Toda unanimidade é burra.

b. A mulher que apanha e continua fiel não é séria, é burra.

c. Um subdesenvolvido não pode manter a sua dignidade sem o protesto. É o protesto, repito, que o salva, que o redime e que o potencializa.

d. O Brasil precisa se convencer de que não é um vira-latas.

e. Um idiota está sempre acompanhado de outros idiotas.

f. O canalha é sempre um cordial, um ameno, um amorável.

g. O justo, o correto, o exemplar é que assumíssemos a nossa ignorância e a confessássemos, lisamente.

h. Enquanto o homem não amar para sempre, continuaremos pré-históricos.

I. Estamos numa época em que as patifarias do sexo são promocionais.

m. Como é triste e, mesmo, vil a nudez que ninguém pediu, que ninguém quis ver, e que nenhum desejo explique.

n. Qualquer idiota sobe num paralama de automóvel, esbraveja e faz uma multidão.

o. Uns morrem de fome; outros vivem dela, com generosa abundância.

p. Há sujeitos que nascem, envelhecem e morrem sem ter jamais ousado um raciocínio próprio.

q. Lavra por aí um outro tipo de obsessão. Sim, todo mundo quer ser “jovem”,

r. Desde Noé e antes de Noé, jamais um idiota ousaria ser estadista.

s. O Brasil continua sendo aquele Narciso às avessas que cospe na própria imagem.

t. O canalha, quando investido de liderança, faz, inventa, aglutina e dinamiza massas de canalhas.

u. Sempre digo que o adulto não existe. O que há de adulto, no homem, é uma pose.

v. Não há pior degradação do que viver pelo hábito de viver, pelo vício de viver, pelo desespero de viver.

x. Nada mais pornográfico, no Brasil, do que o ódio e a admiração.

z. Cochichamos o elogio e berramos o insulto.

Com apenas o alfabeto acima, chegamos a uma conclusão irreversível: o Nelson Rodrigues era realmente um pernambucano muito arretado de ótimo. Afirmo e ponho fé.

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