ACÁCIO SABUGUEIRO - MIOLO DE POTE

Nos fins de semana a minha rotina se repete. Não gosto de ir à praia e resolvo reservar minhas tardes para ir ao futebol.

Comodamente, preparo meus torresmos pururucas, arrumo os encostos do sofá, me acomodo e, com a bandeira do meu time sendo agitada, ligo a televisão. Isso tudo, sem esquecer a cervejinha e um copo personalizado que ganhei de presente do meu cunhado.

Foi isso que tentei fazer no último fim de semana. Infelizmente, não deu certo – mas o meu time ganhou e garantiu mais três pontos na tabela da classificação.

E por que não deu certo, Acácio?

Eu mesmo respondo. Tava tudo pronto, e o jogo já ia começar. O juiz já tinha feito o sinal de 1 minuto de silêncio em homenagem aos que conseguiram permanecer vivos pelo mundo inteiro – esses sim, merecem as homenagens.

Eis que, minha atenção foi despertada por conta dos latidos do cachorro “pink”, que minha filha caçula ganhou de presente no dia do aniversário dela (29 de fevereiro).

Fui ver quem era o “desgraçado” que, por não gostar de futebol, resolveu atrapalhar meu domingo. Era meu concunhado Messias, cabrabom que, de vez em quando me presenteia com uma gamela de ovos de galinhas caipiras.

E eu sem demonstrar muita simpatia, abri o portão e o convidei para entrar.

– Entre Messias, se abanque!

Demonstrando estar desligado do cenário que armei para ver o jogo, ele foi logo desembuchando:

– Eita concunhado, eu vim lhe convidar pra você conhecer uma “rinha de galos” que estou montando. Quero ver se vosmecê aprova, pois eu quero faturar uns trocados com a invenção. Disse Messias, quase desenhando.

– Mas, Messias, “rinha de galos” não tá proibida pela polícia?!

– Acácio, não dê muita atenção ao que é proibido neste nosso Brasil. Aqui sempre será o país da esculhambação. O jogo do bicho não é proibido? E alguém consegue acabar com ele, ou alguém para de jogar só por que é proibido?

Vamos. Vamos lá……. eita, você tá vendo o jogo!

E aí quem ficou constrangido foi eu. Mas, resolvi ir conhecer a “rinha de galos” do Messias.

– Tá bom Messias. Vamos lá. Fui desligar a televisão, no exato momento que o Árbitro estava fazendo aquele sinal para ir ao VAR, confirmar ou não se houve penalidade no lance. Favorável ao meu time. Claro! Penalidade confirmada. Penalidade cobrada. Gol confirmado. Vamos lá, olhar a “rinha de galos” do Messias.

Chegamos. Ele mandou a patroa preparar um café, e fazer umas tapiocas com coco. Me puxou pelo braço e foi falando:

– Você vai gostar Acácio. Pretendo fazer uma coisa de primeiro mundo! Disse Messias.

– “Rinha de galos”, algum dia vai ser coisa de primeiro mundo, Messias? Perguntei.

Percebi que dificilmente eu conseguiria ver pelo menos o segundo tempo do jogo de futebol. Tentei apressar Messias, no exato momento que o café tava sendo servido.

– Então vamos lá Messias. Essa “rinha de galos” fica muito distante daqui? Perguntei.

– Não Acácio! É aqui no quintal!…

Pensei: menos mal. Vai dar para ver o segundo tempo do jogo.

Nisso, Messias pegou duas cadeiras. Sentamos e ele foi logo determinando:

– Espie a beleza. Seja sincero e diga se tenho chance de faturar alguns caraminguás com essa “rinha de galos”.

Achei aquilo estranho. Um dos “galos” da rinha me pareceu “frio”!

– Mas Messias, aquele galo mariscado…… tá parecendo uma galinha, siô!

– Era! Era uma galinha, sim senhor! Agora é um galo “transgênero”!

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