J.R. GUZZO

Eis aqui o Brasil de volta a seus piores momentos em matéria de notícias positivas na economia – um pesadelo terminal para as facções políticas e intelectuais que precisam da ruína econômica permanente, como as pessoas precisam de oxigênio, para sobreviver e prosperar na vida pública brasileira de hoje. Há pouco, num momento especialmente cômico, uma apresentadora de TV se distraiu e acabou dizendo no ar, num surto de sinceridade, que “infelizmente” tinha uma “boa notícia” para dar. É isso: notícia boa é motivo para deixar muita gente infeliz. Só ajuda o outro lado, e isso é muito ruim.

Pode ser, mas os fatos, em si mesmos, são o que eles são – têm a sua própria vida, e são indiferentes aos efeitos políticos que acabam provocando. Seja bom ou mau para a oposição, seja bom ou mau para o governo, a verdade é que a economia está entrando no seu melhor momento dos últimos anos; pode travar de novo, ou pode melhorar mais ainda, mas é perda de tempo ficar construindo focos de resistência ao que acontece neste momento na frente econômica. Realidade é realidade.

Há, em primeiro lugar, o grande aviso geral do aumento na taxa de crescimento, sinal infalível de melhorias na vida real das pessoas: as projeções são de 5% este ano, número que o Brasil tinha esquecido que existia desde os tempos de Dilma Rousseff e sua recessão-gigante. Pode acabar sendo mais do que isso – e com a expectativa de se concluir a vacinação até janeiro próximo, mais os movimentos de recuperação da economia mundial, não há fatos indicando que o bom desempenho mude em 2022.

A Bolsa de Valores, dias atrás, bateu recordes em seis pregões seguidos e está hoje pouco abaixo dos 130.000 pontos – seis meses atrás, no começo de novembro do ano passado, estava em 94.000. O dólar está com as suas cotações mais baixas dos últimos seis meses – voltou à casa dos 5 reais. Sempre vale a pena lembrar: não existe, em nenhum lugar do planeta, economia em crise com a bolsa em alta e o dólar em queda.

As exportações brasileiras batem recordes. O saldo em maio, último número possível, foi de 9 bilhões de dólares; a projeção é um superavit de 75 bilhões de dólares em 2021, ou 50% acima do resultado alcançado em 2020. As vendas do varejo, nesse mesmo mês, foram as mais altas dos últimos 21 anos. A indústria automobilística está de volta às cifras de antes da pandemia. O agronegócio, força central da economia brasileira de hoje, está batendo os seus próprios recordes; tem a seu favor preços fortes no mercado internacional para os seus principais produtos, além de um aumento constante na produtividade e nas suas condições de competir através do mundo.

O fato é que a economia brasileira sobreviveu à covid. Na verdade, ela caminha na direção exatamente oposta aos cenários de terra arrasada que são jogados, sem parar, em cima do público. É uma decepção, sem dúvida, para todos os que têm, infelizmente, notícias boas a dar.

1 pensou em “A ECONOMIA SOBREVIVEU À COVID-19

  1. O dólar está caindo e as projeções são de aumento do superávit comercial.

    Mas muita gente vai continuar repetindo que moeda fraca é bom para a economia porque “favorece as exportações”. Há cérebros que são imunes aos fatos.

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