A COLHEITA

O milho na colheita manual

O bornal apoiado no ombro do lado esquerdo; o saco, do lado direito. Caminhar lento, mas definido. Caminho do roçado. Colher, como recompensa do suor escorrido pelo rosto, e resultado de muito trabalho, o milho e o feijão.

O alimento da prole. Cultivado cada pé, como se filhos biológicos fossem. Ali foram semeadas a esperança, a fé, e a dignidade em poucas sementes. Nascidas, crescidas e vigiadas pelos espantalhos que se tornariam coniventes com as aves na propagação das espécies. É a vida. São os ciclos que o universo nos proporciona.

Uma espiga. Outra espiga e mais outra. Uma vagem de feijão, outras vagens. Quiabo, mais quiabos e, agora, o agachamento na colheita do maxixe. Outro maxixe, mais outro. A colheita transformada em bônus.

Uma abóbora. Uma melancia – o caçuá está quase cheio. É hora de voltar à casa, com o que produziu o trabalho diuturno, de sol a sol. Sem domingos ou feriados.

A colheita. Fruto da boa semente, do trabalho digno e da esperança e fé em Deus.

* * *

SEXO COM O MAR

A mulher “esperando” as ondas

Se sou areia e posso me molhar,
Quero a magia da onda do mar,
Lambendo minhas entranhas
Que só o tempo enxugará.

Mas, relva que sei que sou,
Quero tua luz, clareando
O cogumelo que eu poderia ser.
De alma e corpo transparente.

Lá vem ela, a onda, me molhar.
Se não me molhar total, espero.
Pois sei que vais voltar
No vai-e-volta, até molhar.

Molhar o olhar, no mar
Molhar o corpo e a alma, no mar
Molhar o sonho e o pensar
Molhar minhas entranhas, me fazendo amar.

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