A CHAMADA MAIS CANALHA DA HISTÓRIA DA IMPRENSA

Rodrigo Constantino

O leitor deve lembrar do caso: um maluco instável foi armado para o hotel e fez da modelo Ana Hickmann sua refém. O cunhado da modelo conseguiu desarmar o sujeito e, após briga, acabou o matando em legítima defesa.

O caso gerou muita revolta pois o herói da história acabou tratado como “assassino”, gastou uma fortuna para se defender, e finalmente foi inocentado, o que nos Estados Unidos aconteceria uns dois segundos após se esclarecer o ocorrido.

Pois bem: nesta quarta, Gustavo Corrêa, o cunhado da modelo, foi homenageado na Câmara dos Deputados em Brasília. O empresário foi indicado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, líder do PSL, para receber uma medalha de mérito legislativo.

Pelo Instagram, o filho do presidente Jair Bolsonaro comentou sua indicação, chamando o empresário de “herói” por “salvar a família”. “O caso de Gustavo é exemplo claro da injustiça que o excesso de legítima defesa leva àqueles que reagem a crimes, fato rotineiro na vida policial”, escreveu.

A Justiça de Minas Gerais manteve a absolvição de Gustavo Corrêa. Pelo Instagram, a apresentadora Ana Hickmann comemorou a decisão dos desembargadores. O empresário tinha sido absolvido em primeira instância da acusação de matar Rodrigo Augusto de Pádua, que se dizia fã e planejou atentado contra a apresentadora, em 2016, no Hotel Caesar Business, em Belo Horizonte. O Ministério Público (MPMG) recorreu e a decisão do Tribunal de Justiça saiu no último dia 10 de setembro.

Eis os fatos. E como a Folha de SP resolveu dar a notícia? Vejam para crer, pois contando apenas, ninguém razoável acredita:

A Folha conseguiu fazer com que o empresário fosse um assassino frio de um fã da sua cunhada, numa emboscada! A pérola é assinada por Dhiego Maia.

A repercussão foi imediata nas redes sociais. Bene Barbosa, defensor do direito inalienável de legítima-defesa com base no porte de armas, escreveu: “Juro por Deus que tive que verificar 10 vezes no mínimo para ter certeza que essa manchete era real!” Alexandre Borges ironizou: “Alguém me diz que essa manchete é fake por favor”.

O deputado Paulo Eduardo Martins desabafou: “Se você ainda não sabe quais são as definições de desonestidade e canalhice, então observe a manchete da Folha. É a própria definição. Uma vergonha para os profissionais sérios”.

Até onde vai a sanha de detratar a família do presidente? Reparem: não sou nenhum fã de Eduardo Bolsonaro, e quem me acompanha sabe. Ele já tentou me difamar, inventando mentiras sobre meu passado profissional. Fui um duro crítico de sua indicação informal para a embaixada americana, pois lhe faltam requisitos básicos. Mas é preciso ser honesto na análise, e nesse caso, ele está coberto de razão! Indicou um herói para receber uma medalha de mérito.

Diante desse tipo de “jornalismo” feito pelo jornal, alguém fica surpreso por Bolsonaro chamar a Folha de “jornaleco”?

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