WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

Quando os avós vão embora
A saudade se abriga
E aquela casa antiga
Ninguém mais visita agora.
Fins de semana vividos,
Por muitos são esquecidos
E a solidão feroz
Passa a ser a inquilina
Da fazenda da colina
Pousada dos meus avós.

Nenhum filho quis ficar
Neste recanto adorado,
Uns foram pra outro Estado
Sem intenção de voltar.
O curral que abrigou
O gado que vô criou
Hoje se rende ao cupim.
Chego a sentir, na verdade,
Um chocalho de saudade
Batendo dentro de mim.

Passei por aquela estrada,
Rezei no pé da porteira
E lembrei cada carreira
Que dei naquela calçada.
Procurei por companhia,
Vi um anum de vigia
Numa cerca de avelós.
Saí pensando num tema
Para escrever um poema
Da casa dos meus avós.

2 pensou em “A CASA DOS MEUS AVÓS.

  1. Belas lembranças, poeta.
    Ah! Casa velha do cão
    A de vovó Januária
    Caverna bicentenária
    Sem um sinal de cristão
    Morcegos sobre o fogão
    Nos móveis somente o pó
    No muro uma planta só
    No quintal rato e mosquito
    Eis o retrato esquisito
    Da casa da minha vó

    Poeta Dedé Monteiro. Uma décima rimada, sem verbos

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