
Quando os avós vão embora
A saudade se abriga
E aquela casa antiga
Ninguém mais visita agora.
Fins de semana vividos,
Por muitos são esquecidos
E a solidão feroz
Passa a ser a inquilina
Da fazenda da colina
Pousada dos meus avós.
Nenhum filho quis ficar
Neste recanto adorado,
Uns foram pra outro Estado
Sem intenção de voltar.
O curral que abrigou
O gado que vô criou
Hoje se rende ao cupim.
Chego a sentir, na verdade,
Um chocalho de saudade
Batendo dentro de mim.
Passei por aquela estrada,
Rezei no pé da porteira
E lembrei cada carreira
Que dei naquela calçada.
Procurei por companhia,
Vi um anum de vigia
Numa cerca de avelós.
Saí pensando num tema
Para escrever um poema
Da casa dos meus avós.
Belas lembranças, poeta.
Ah! Casa velha do cão
A de vovó Januária
Caverna bicentenária
Sem um sinal de cristão
Morcegos sobre o fogão
Nos móveis somente o pó
No muro uma planta só
No quintal rato e mosquito
Eis o retrato esquisito
Da casa da minha vó
Poeta Dedé Monteiro. Uma décima rimada, sem verbos
Valeu, Poeta! Desse jeitim mêrmo!