XICO COM X, BIZERRA COM I

No meio do caminho de minha casa até a Vila União, chão de terra batida que percorria a cada domingo, pela manhã, havia a pequena capelinha de Santa Luzia, sempre de portas fechadas, mesmo domingo sendo. Nunca entendi porque fechadas, sempre, mas assim era. A parada era obrigatória na minha rotina dominical para rezar uma Ave-Maria em intenção àquela Santa, protetora da visão, agradecendo a dádiva do ver, o dom do enxergar, a graça do olhar. Ficava a imaginar o quão triste devia ser não vislumbrar o degrau entre o chão e a calçada da capela ou a espessura daquela porta sempre cerrada ou, ainda, a desventura do não poder se deleitar com o futebol daqueles meninos magros, pés descalços, camisas rotas, a correr atrás de uma bola gasta no campinho de areia fofa que ficava bem atrás da capelinha. Em minha inocente prece pedia que Santa Luzia olhasse por aqueles meninos franzinos e por todos nós, privilegiados, olhos atentos ao belo, corações sensíveis à fé.

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2 pensou em “A CAPELINHA DE SANTA LUZIA

  1. XICO, grande poeta Xico,

    A CAPELINHA DE SANTA LUZIA nunca ficou solitária. No seu entorno há os pássaros, as lagartixas, as abelhas, os mosquitos e toda natureza exuberante lhe fazendo companhia.

    E o vento? O mesmo vento nunca lhe toca mais de uma vez. Está sempre se inovando.

    Parabéns com ótimo início de semana para o grande poeta e os entes seu.

  2. Meu caro Cicero, alem dos pássaros, das lagartixas e do vento, também o mato farto e as rãs fazem companhia à solitária Capelinha, que resiste ao tempo amparada pela fé dos cristãos e pela inocência das crianças. Que assim permaneça. Abraço

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