MAGNOVALDO SANTOS - EXCRESCÊNCIAS

Ah, a California de meus sonhos dourados,
Tem São Francisco, cidade que me fascina;
Tem xibungos drogados por todos os lados,
E eu piso num monte de bosta em cada esquina!

Mapa do bairro de Castro, com as dicas dos melhores rincões para a alegria das bichocas

São Francisco é o paraíso dos admiradores do mundo do arco-íris. Se vossuncê é chegado a um comportamento mais eclético, aqui vai um mapa do bairro de Castro, domínio absoluto da comunidade LGBTFWIPQP+, onde um cabra mais arretado encontrará facilmente algo pequeno, médio ou grande para sua plena satisfação. O Google mostra os melhores bares e boates gays da região.

Também em São Francisco há um aplicativo de celular (SnapCrap, vulgo “merdômetro”) que mostra onde há concentração de fezes nas ruas.

Aplicativo SnapCrap, que mostra concentração de Dórias em São Francisco

A California sempre exerceu um certo fascínio, principalmente sobre os jovens. Hoje é um estado decadente, e um passeio pelas ruas das principais cidades é um roteiro da degradação humana que nada tem a dever à mais miserável Cracolândia de uma grande cidade brasileira.

A California é o mais rico estado americano – se fosse uma nação independente teria uma economia maior que a do Brasil. Tem uma população de cerca de 40 milhões e uma área de 423.970 Km2 (25% menor que a da Bahia), com cerca de 1.240 Km desde o México até o estado do Oregon e 400 Km desde a costa do Pacífico até a Sierra Nevada, divisa com o estado de Nevada.

A primeira vez que estive na California foi em 1997, quando fui designado para uma semana de trabalho na fábrica de aspiradores de pó da Hoover em Tijuana, México, ao sul de San Diego, justo do outro lado da fronteira. Não morava nos Estados Unidos ainda. O voo de Phoenix para San Diego havia se atrasado por mais de duas horas, a comissária de bordo era mais feia que a Graça Foster, tão azeda como a própria e, como consequência, meu humor era parecido com o da Dilma em dia de TPM.

Chegando ao aeroporto de San Diego fui até o estacionamento da Hertz para pegar meu carro alugado e atravessar a fronteira. Na ocasião utilizava minha carteira de motorista brasileira. No portão de saída um negrão enorme, parecido com o Deputado Hélio Negão, conferia os documentos. Quando viu a carteira brasileira seus olhos brilharam, abriu um sorriso de orelha a orelha e entabulou uma breve conversação:

– “Buenos dias”! É assim mesmo que se fala “good morning” no Brasil?

Já senti o clima da elevada cultura americana sobre geografia!

Sem esperar resposta, continuou:

– Essa é a primeira vez que vejo um brasileiro alugando um carro aqui! Sempre ouvi falar do Brasil e gostaria de visitar o Rio de Janeiro, especialmente no Carnaval, onde dizem que as mulheres mais bonitas do mundo se requebram quase peladas nas ruas. Mas receio que não vão entender meu pobre espanhol.

Começou bem.

Ponderei que no Brasil se fala português. Afirmei, para tranquilizar o negão, que o idioma não seria problema, já que todo brasileiro também fala espanhol, inglês, francês e argentino, e se nada disso funcionar nós nos entendemos por gestos.

– Mas você acha que vão receber bem um americano negro por lá?

– Claro, nós adoramos os americanos negros, bem como os japoneses, italianos, alemães, turcos e judeus de todas as cores.

– Mas não seria problema dirigir por lá? Vocês também dirigem pela direita?

– Pela direita, pela esquerda e até pelo meio se necessário. Só por cima é que ainda não pode.

O negão deu uma risada e continuou:

– Mas… e se eu me perder? Dá pra comprar um mapa do Brasil por lá?

– Sim, não há problema; em qualquer posto de gasolina ou farmácia há mapas à venda.

– Ah, que bom, então acho que não teria problema! E posso usar dólares para pagar as contas?

– Claro, claro. Até os engraxates e as quengas aceitam dólares.

– E, comparado com a California, qual o tamanho do Brasil?

Aí não deu mais!

– É como daqui até São Francisco para o norte e até perto da Sierra Nevada para o leste.

Para minha sorte dois carros já estavam esperando na fila atrás de mim e tivemos que encerrar a erudita e brilhante conversação.

Seguramente o negão foi dormir feliz aquela noite, sonhando com as requebrentas cabrochas brasileiras!

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