MAGNOVALDO SANTOS - EXCRESCÊNCIAS

O antigo Hipermercado Eldorado

Em dezembro de 1977 eu morava em São José dos Campos, SP, e tive que ir até São Paulo resolver um problema que requeria minha presença. E já que estava na cidade grande fui até o então Hipermercado Eldorado, um refinado estabelecimento comercial situado na Rua Pamplona, uma região de comércio de alto nível na capital paulista. O Hipermercado Eldorado não existe mais, tendo sido adquirido pelo Carrefour. O objetivo do meu desejo era um aparelho de som 3 em 1 (rádio, toca-discos e cassete) da CCE, uma joia eletrônica da época, que seria meu próprio presente de Natal daquele ano.

Surpreendentemente consegui estacionar na própria Rua Pamplona, perto do Eldorado, um golpe de sorte, já que desde então aquela rua era uma movimentada artéria da cidade.

Peguei minha bolsa capanga, um artigo em moda na época, e coloquei-a sobre o capô do carro enquanto buscava algo no assento traseiro. Acontece que, distraído, esqueci-me de pegar a bolsa; fechei o carro e fui ao Eldorado comprar o tão sonhado aparelho de som.

Escolhido o objeto cobiçado, engoli em seco quando me dei conta que a capanga não estava comigo. Nela estavam meus documentos pessoais, dinheiro, talão de cheques e cartão de crédito. Imediatamente me lembrei que a havia esquecido em cima do capô do carro.

Bolsa capanga e o aparelho de som 3 em 1 da CCE

Bateu um aperreio da moléstia e uma zoeira arretada invadiu os miolos.

Voltei correndo ao lugar onde tinha estacionado e, claro, nada vi em cima do carro. Vasculhei o carro por dentro para ver se lá estava, mas… nada!

Sentei-me, quase tendo um troço, quando vi um bilhete colado no para-brisa:

“Vi quando o senhor saiu do carro deixando sua bolsa em cima dele. Peguei-a, mas lhe perdi de vista no meio das pessoas. Sua capanga está guardada aqui perto, na Silvia Calçados, na esquina com a rua Haiti. Por favor, venha buscá-la”.

Nem acreditava no que estava lendo. Peguei o bilhete e fui correndo até a Silvia Calçados, onde fui atendido por uma simpática mocinha. Mostrei o bilhete e disse que eu era o dono da bolsa. Ela pegou a bolsa embaixo do balcão, tirou minha carteira de identidade e me perguntou qual era o meu nome, para conferir.

Respondi:

– Magnovaldo.

E aí fez a segunda pergunta:

– Magnovaldo de que?

Nisso uma senhora, que aparentava ser a própria Dona Silvia, a interrompeu:

– Filha, dê logo a bolsa dele. Um cabra que acerta “Magnovaldo” na mosca não precisa acertar mais nada.

Comprei meu aparelho 3 em 1 da CCE e uma bem surtida caixa de bombons finos para a moça. Sim, sei que ela merecia bem mais!

8 pensou em “A BOLSA PERDIDA

  1. Rapaz, viajei no tempo!
    Lá em casa tínhamos um “Três em um, CCE” igualzinho a esse da postagem.
    Igual, igual!

  2. Inum é qui lá em meu barraco tamém tinha um “Três ni um, CCE” igualinho a esse da postagi magnovaldiana?

    Filha, dê logo a bolsa dele. Um cabra que tem MAGNO até no nome não mente (ops), jamais…

    Alexandre também era MAGNO.

    MAGNífico só há um e dá expediente no JBF, o Magno VALDO.

  3. Meus queridos amigos Jesus e Sancho:
    É sempre bom reviver alguns dos bons e saudosos momentos de nossa vida.
    Os seus comentários me alegram e incentivam a continuar dando alegria aos meus amigos fubânicos.
    Um abraço e bom final de semana para vocês e suas familias.

  4. Esse Magnovaldo nem precisava ter esse nome tão estrabólico para merecer a confiança da moça da sapataria. Basta olhar seu retrato no cabeçalho da coluna para perceber tratar-se de um cabra honesto. E que escreve bem pra caramba.

    • Gratíssimo por suas palavras, meu caro Francisco.
      Você deve, talvez, ser meu parente. Meu nome completo é Magnovaldo Bezerra dos Santos, e meu pai, nascido em Caicó, RN, era conhecido por “Seu Bezerra”. Muita gente não sabia seu nome, Miguel. Pobre, foi retirante nordestino, mas soube mostrar a todos a honra de ser honesto.
      Grato mais uma vez, e tenha um bom final de semana.

    • Arrá, fiquei sabendo por sua alteza reverendíssima Papa Berto que você é, na verdade, o famoso Xico Bezerra! Fico honrado com seu comentário.
      Estou investigando melhor a origem dos Bezerra no nordeste brasileiro. Até onde sei, a família original provém de judeus sefarditas da Galícia. Nas próximas duas semanas devo receber os resultados de uma pesquisa de DNA para saber minha origem, mas como tenho uma grande afinidade por amigos judeus, além de ser um admirador da história daquele povo, devo ter algo da raça no sangue (exceto a habilidade de ganhar dinheiro).
      Assim que souber algo oriundo de minhas pesquisas vou tomar a liberdade de informá-lo.
      Um abraço e um bom final de semana.

  5. Ficarei grato, meu caro escriba. Interassa-me saber de onde vim. Só assim poderei projetar para onde vou (se é que ainda vá a algum lugar). Receba meu abraço

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